UFS alerta para baixo interesse por vacinas em buscas na internet

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(Foto ilustrativa: Sergio Silva/PMA)

Consideradas promissoras para superar a pandemia da covid-19, as vacinas para combater a doença não andam despertando o interesse da maioria dos brasileiros em buscas na internet na mesma proporção da procura por informações na web sobre potenciais tratamentos apontados como milagrosos e sem base científica, como o uso de ivermectina e hidroxicloroquina.

Esse desestímulo ao assunto “vacina” está diretamente associado aos movimentos antivacina e ao negacionismo da ciência, segundo pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-BA). Eles realizaram um levantamento, utilizando a ferramenta Google Trends, para comparar a quantidade de consultas relacionadas a vacinas do novo coronavírus na plataforma com os resultados de pesquisas pelos termos “ivermectina”, “hidroxicloroquina” e “azitromicina”.

Os dados, analisados entre 26 de fevereiro, quando houve a confirmação do primeiro caso da infecção no país, e 31 de dezembro de 2020, referem-se ao volume relativo de pesquisa (RSV), que varia de 0 a 100, sendo 100 o valor que aponta pico nas buscas.

Os resultados para o volume de buscas do termo “vacina COVID” no país foram inferiores a 40, demonstrando uma baixa procura pelo assunto na internet. Houve aumento no interesse pelo tema “vacinas” apenas em três momentos: durante a campanha de vacinação contra a gripe no mês de maio, aprovação dos ensaios clínicos da Pfizer/ BioNTech pela Anvisa em julho, e o anúncio da vacinação em larga escala do Governo do Estado de São Paulo em dezembro. Fora isso, a ivermectina e a azitromicina dominaram a procura na plataforma na maior parte do período de análise.

O coordenador do Laboratório de Patologia Investigativa da UFS, professor Paulo Ricardo Saquete Martins Filho, ressalta que a cobertura vacinal da população brasileira tem caído consideravelmente nos últimos anos, como consequência da “propagação de notícias falsas na internet, o fortalecimento de correntes negacionistas e do movimento antivacina, o desconhecimento dos esquemas vacinais, além da falsa segurança da não necessidade do uso de uma vacina para a prevenção de doenças”.

Martins ainda lamenta os dados do levantamento que revelam o baixo nível de interesse dos brasileiros por informações sobre as vacinas contra o novo vírus respiratório, mesmo com a realização de campanhas de vacinação em inúmeros países e a divulgação de resultados preliminares de eficácia e segurança dos imunizantes.

“De forma contrastante, tem sido maior o volume de busca na internet por informações em relação aos medicamentos já citados, que se utilizados de forma indiscriminada podem levar a eventos adversos extremamente graves. Não basta termos uma vacina. É preciso criar um ambiente de estímulo para que ela seja utilizada pela população e tenhamos uma cobertura vacinal adequada para controlar esse vírus”, acrescenta.

O professor do Departamento de Educação em Saúde da UFS, Diego Moura Tanajura, classifica a situação que o país passa como “singular e preocupante”. “Percebemos que as pessoas cansaram da pandemia, do vírus, mas o vírus não cansou da gente. Para isto, é só olhar o número de casos e de mortes que vem aumentando dia após dia. Recomendo que as pessoas não relaxem nos cuidados”, adverte o pesquisador.

“Já temos em solo brasileiro quase 11 milhões de doses da vacina do Butantan. Além disso, estão previstas mais 2 milhões de doses da vacina da Fiocruz para este mês. Com esse total, conseguiremos iniciar a vacinação de quase 6,5 milhões de brasileiros. O Butantan já começou a produção da vacina na sua fábrica”, complementa Tanajura.

Além dos professores Diego Tanajura e Paulo Martins, o estudo foi desenvolvido em parceria com Kiyoshi Ferreira Fukutani, do Instituto Gonçalo Moniz, da Fiocruz-BA. O artigo foi submetido a uma revista científica internacional e aguarda publicação.

Uso do Google Trends em pesquisas científicas

No ano passado, o professor Paulo Ricardo Martins Filho publicou um artigo na Pan American Journal of Public Health que desmentiu a eficácia da inalação de éter e clorofórmio no tratamento da covid-19. O pesquisador observou o alto nível de interesse sobre o uso de éter e clorofórmio, no Brasil, no período de 25 de fevereiro a 20 de março de 2020, através da utilização da ferramenta Google Trends.

Fonte: UFS

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