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Airton: críticas ao neoliberalismo (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet) |
Dando sequência à série com os candidatos que disputam o Governo de Sergipe, o Portal Infonet publica entrevista com o comerciante Airton Costa Santos, o Airton da CGTB, que disputará o pleito pelo Partido Pátria Livre (PPL). Airton se declara sindicalista, oriundo do movimento estudantil. Um ex-militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8), na época em que cursava ciências biológicas em Sergipe, que pretendeu, sem sucesso, dirigir a União Nacional dos Estudantes no Nordeste (UNE/Nordeste), em 1985.
Airton Costa se tornou um dos coordenadores da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) em Sergipe, destacando-se como crítico da política neoliberal e, sendo eleito, promete acabar com a terceirização no serviço público no Estado.
Algumas propostas do candidato para cinco áreas primordiais:
Vídeo [Manoela Veloso Passos]
A seguir, conheça os melhores trechos da entrevista que o candidato concedeu à equipe do Portal Infonet.
Portal Infonet – O que o impulsionou para ser candidato ao Governo de Sergipe?
Airton – O sentimento de mudança. É um sentimento que o povo brasileiro tem e eu não sou diferente. Passam-se anos e anos e a coisa não muda, continua no mesmo patamar. A gente definiu esta candidatura justamente por achar que a situação vai de mal a pior. A pedido de Eduardo Campos [ex-governador de Pernambuco que disputava a Presidência da República pelo PSB e morreu na terça-feira, 13, em acidente aéreo], o nosso partido pediu para que fizéssemos palanque para ele aqui em Sergipe. E, então, juntamos este pedido de Eduardo Campos com a vontade de mudança para mostrar uma política diferente, de mudança. A gente precisa mostrar uma alternativa para esta juventude, principalmente para o povo de Sergipe. E hoje, o Partido Pátria Livre está em luto pela morte do nosso companheiro Eduardo Campos, foi uma perda irreparável. Assim como também pelo Pedrinho Valadares, um sergipano de luta. Fazíamos palanque aqui para o Eduardo Campos. O Brasil perdeu um grande estadista, um companheiro nacionalista e sonhador, um companheiro que tinha convicção. Vai ser muito difícil ser substituído.
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Airton vê dificuldade para substituir Eduardo Campos |
Portal Infonet – O senhor aparece em última colocação na pesquisa do Ibope, com zero por cento das intenções de voto. Como o senhor avalia estes resultados?
Airton – Eu não me preocupo muito com pesquisas. Eu sou um cara que trabalho [sic], sou de conversar nas universidades, nas associações de moradores, nas associações estudantis, com as mulheres… Sergipe tem que criar um debate em torno de minha candidatura, pelo fato de eu ser uma pessoa nova. Esses adversários aí estão há dez anos em campanha. A maioria. Outros já foram candidatos, já participaram de eleição e o povo ainda não me conhece, não sabe o que eu penso. O que eu estou vendo nessa campanha é muita carreata e o povo não vai me ver em cima de uma caminhoneta dando tchauzinho. Não sou Xuxa, não sou celebridade. Acho que a gente precisa descer para conversar com o povo, que quer proposta. Esse negócio de carreata parece que eles estão rindo da nossa cara: sobe no carro, solta fogos… e eu não acho isso ideal. O ideal é ir para a rua, conversar com o povo e ver o que o povo está pedindo e, disso, elaborarmos um programa de mudança.
Portal Infonet – O senhor não se incomoda de ser taxado como Nanico?
Airton – Eu não considero meu partido nanico. O que mede um partido político não é aquele que tem fundo partidário alto, que tem mandato. O que determina o partido político é sua ideologia, suas ideias. O que vai saber que um partido é grande ou pequeno é suas ideias, sua capacidade de interpretar a realidade para transformar em bem para o nosso povo. O meu partido não é nem pequeno nem nanico, isso é um preconceito que se tem na sociedade.
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Airton promete fim da terceirização |
Portal Infonet – O senhor declarou que sua campanha custará R$ 20 milhões. Qual a fonte destes recursos e como eles será aplicados?
Airton – Este valor é uma estimativa. É uma exigência da justiça eleitoral e eu posso gastar um real ou os R$ 20 milhões. Todos os gastos vão ser comprovados na justiça eleitoral. Na minha campanha não terá caixa dois. Até porque a gente precisa moralizar, tem gente que está declarando R$ 10 mil e vai gastar e vai gastar R$ 1 milhão. Estamos procurando alguns aliados. O partido é pequeno, fundado em Sergipe em 2010 e nestas eleições temos candidatos em todos os níveis e saímos sozinho. Temos alguns contatos de companheiros, amigos, que querem participar de doações a nossa campanha. Basicamente são doações de amigos, de colaboradores e de militantes também.
Portal Infonet – O senhor acha que ganha esta eleição?
Airton – Sei que é um pleito disputadíssimo, mas peço que os sergipanos reflitam na hora de votar. A gente está disputando estas eleições pra ganhar e eu vou trabalhar para isso. Quando
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Candidato promete piso estadual para professor |
a gente entra no pleito eleitoral, ou até numa eleição sindical, a gente quer ganhar. Espero que os sergipanos reflitam, pensem bem porque no dia 5 de outubro é uma decisão importante e temos carência de pessoas novas na política.
Portal Infonet – Havendo um segundo turno entre o governador Jackson Barreto e o senador Eduardo Amorim, que lideram as pesquisas, qual será a posição do seu agrupamento político?
Airton – É uma questão que a gente não pode definir. A gente sabe que estes dois candidatos principais não têm nenhum projeto, mas a gente precisa reunir nosso partido, decidir com nossa militância e discutir até que ponto se chega com esta aliança com estes dois candidatos. Um já foi secretário de saúde, o outro é governador do Estado e os projetos são idênticos, não têm muita diferença. Não cabe a mim, que sou o candidato do partido. Quem define é o partido, que tem um coletivo atuante e a gente preza muito as decisões coletivas, ninguém toma decisão individual. O que estou preocupado hoje, que é muito mais que isso, é com a morte de Eduardo Campos, que pegou a gente de surpresa. O nosso partido faz parte da coligação e a gente vai ver qual vai ser a posição do partido neste sentido. A minha preocupação hoje é quem vai substituir o Eduardo Campos.
Portal Infonet – E qual o nome ideal para substituir o ex-governador Eduardo Campos na disputa pela Presidência da República? Seria Marina Silva?
Airton – Na teoria, o nome de Marina é o lógico. O PSB tem a prioridade de indicar. Agora, vão se reunir os partidos coligados e vamos avaliar. É uma coisa natural a Marina assumir, tem mais densidade eleitoral, é mais conhecida… Mas eu não vejo ninguém, hoje, da estirpe de Eduardo Campos. Neste momento, é muito difícil a situação da coligação, mas eu acredito que a gente vai tentar para ver a melhor forma porque a gente tem que continuar o sonho de Eduardo Campos, que morreu a serviço do Brasil. A gente não vai poder abandonar este barco.
Internauta Gilvan Jose – O que o senhor pretende fazer em relação ao plano de cargos e salários dos servidores do Estado e a Lei de Responsabilidade Fiscal? Qual a projeto salarial em relação ao servidor público, visto que ano passado não teve aumente e este ano, apenas no mês de junho, ele [o governo] repôs a inflação?
Airton – Sou sindicalista e sei muito bem o que se passa e não somente os servidores públicos do Estado. Esta crise salarial se deve a uma política de Estado. Nós vamos criar planos de cargos e salários para todas as categorias. Por exemplo, na educação vamos criar um piso estadual para os professores, com 20% acima do piso nacional. Os professores, médicos, enfermeiros, policiais… É preciso o Estado fazer um projeto consistente. No meu governo, vamos criar uma comissão de alto nível só para elaborar este plano de cargos e salários. É impossível quem mexe com a máquina como o Estado ganhar menos que um salário mínimo. É absurdo. Não se pode motivar um funcionário público com um salário deste. A Lei de Responsabilidade Fiscal é, no meu ponto de vista, uma lei de irresponsabilidade fiscal porque limita o governante a só pagar a folha de pagamento. É preciso ter fundo de caixa para operacionalizar os serviços, investir no Estado. E, por isso, é que vai entrar a industrialização. É na industrialização que vamos conseguir recursos, é onde vamos ter emprego, que paga melhor e se o trabalhador ganha bem ele vai gastar este dinheiro aqui e, consequentemente, vai ter tributação para o Estado e a gente vai reverter em serviços públicos. O meu foco é a industrialização. A gente vai mudar este Estado, vamos criar 100 mil empregos diretos. Vamos fazer isso nos primeiros dias do meu governo, vamos trabalhar incessantemente para conseguir viabilizar isso. A Lei de Responsabilidade Fiscal foi criada na época de Fernando Henrique [ex-presidente da república] e só fez atrapalhar o gestor público.
Internauta José Marques – Qual a solução para a segurança publica, com policiais desmotivados com promoções atrasadas, baixos investimentos, falta de efetivo nas delegacias, falta de vagas nos presídios?
Airton – Para esta questão, a gente tem que fazer um projeto e ter vontade política de mudar. Temos que equipar melhor a polícia, fazer um plano de cargos e salários de toda a Secretaria de Segurança e não de delegados e policiais, isoladamente, mas de todo o pessoal operacional. A gente precisa voltar a polícia comunitária para tratar a população com carinho. Nosso sistema prisional é um sistema falido, que não funciona. Entra-se para ressocializar e sai pior. É uma questão e dever do Estado. Não é criar presídios, temos que criar condições de ter educação deste preso para que ele não volte a cometer o mesmo crime que cometeu no passado. Precisamos aumentar o efetivo da polícia, mas para aumentar este efetivo temos que ter condições para atrair estes jovens e temos que criar uma polícia diferente, que consiga atacar o problema da criminalidade. E também o sistema judiciário como todo precisa ser reformado, colocar leis mais fortes. A polícia prende e o judiciário solta e cada preso em presídio é custo para o Estado. Precisamos repensar isso e vamos ter uma equipe técnica da segurança e em todas as áreas. É preciso deixar de trabalhar com político e colocar os técnicos que entendam para poder melhorar.
Internauta Jose Marques – Qual a solução para a determinação da justiça que decretou a ilegalidade da terceirização do presídio do Santa Maria?
Airton – Em todo o país, presídio é uma bomba relógio, pronto para explodir a qualquer momento. É necessário abrir concurso público e reciclar este pessoal. Somos contra a qualquer terceirização. Sou sindicalista e sei que a terceirização precariza o trabalho. Eu acabaria com a maioria das terceirizações porque precariza o trabalhador, que ganha muito menos do que o contratado efetivo. Lutamos contra a terceirização porque é um mal, que se institucionalizou na época do neoliberalismo de Fernando Henrique Cardoso e estão querendo modismo. Muita gente ganha dinheiro com a terceirização, que são os empresários do setor, mas a prestação do serviço não tem qualidade. Muitas vezes os terceirizados são pessoal sem preparo. A gente vai acabar com a terceirização no que puder fazer. E o que não puder, vamos ver na justiça como vamos resolver.
Por Cássia Santana
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