João Firmino Cabral recebe homenagens em Cordelteca

Admiradores prestaram homenagens ao cordelista (Fotos: Portal Infonet)

Fátima Góes: homenagem justa e obrigatória

Amorosa: João Firmino deve ser exemplo para políticas públicas

Familiares, amigos, admiradores e autoridades ligadas à cultura estiveram presentes à Biblioteca Pública Municipal Clodomir Silva, para homenagear o cordelista João Firmino Cabral. O evento aconteceu na noite desta quinta-feira, 28, e incluiu um sarau com os poemas do autor que faleceu no dia 1º de fevereiro, aos 73 anos. João Firmino dá nome à Cordelteca abrigada no prédio, que foi criada em 2003 e possui mais de 500 obras de 36 cordelistas.

Segundo a diretora da Biblioteca, Fátima Góes, a homenagem é justa e obrigatória. “É necessário que a contribuição de João Firmino seja reconhecida, já que ele dedicou 55 anos de sua vida à literatura de cordel. Ele deixa um legado não só de artista, mas de um homem determinado, de fala mansa e receptivo”, afirma. “Aos cinco anos, João já pedia que os familiares comprassem os cordéis e lessem para ele, e depois declamava nas casas. Ao longo de sua vida, ele produziu mais de 200 títulos. Isso deve ser reverenciado”, completa.

Para a cantora, cordelista e coordenadora de cultura da Funcaju, Antônia Amorosa, a homenagem a João Firmino deve ser ponto de partida para novos projetos. “O poder público tem não só a honra, mas a obrigação de homenagear quem sustenta a bagagem cultural do nosso Estado. Eu acredito muito na educação cultural, e que existem muitos ‘Joãos’ adormecidos por aí, esperando ter seu potencial despertado. Por isso, que o exemplo de João Firmino sirva de exemplo para novas políticas”, diz.

Cultura popular

De acordo com Fátima Góis, o cordel ainda encontra resistência entre a população pelo fato de ser um produto da cultura popular. “Não é comum que haja interesse pela cultura popular, por que não existe uma difusão desse conhecimento. Apesar disso, acredito que o reconhecimento dos poetas do cordel está aumentando. A cordelteca é uma prova disso”, explica.

Para Amorosa, o poema de cordel ainda é alvo de preconceitos. “Alguns consideram esse tipo de literatura como ‘baixa’, pelo fato de ter uma linguagem improvisada e da tradição oral. Se todos tivessem noção do quanto essa produção exige uma técnica especial, haveria um respeito maior. Mas isso não impede que o cordel mantenha admiradores, já que não há como contar a história do Nordeste e do Brasil sem passar pelo cordel”, expõe.

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