Café Pequeno-Arborização das Cidades

Finalmente plantei meu pé de jaboticaba e desde então já chupo umas poucas, contrariando aquela antiga expectativa de 15 anos de espera. E viva as jaboticabas modernas que, em mudas grandes, já dão flor e frutos. E o meu pé de jaboticaba me traz lembranças do tempo em que o meu pai plantou uma flamboyant em frente de casa e todo o ano, contrariado, jurava que cortaria o pé pois a árvore era estéril. Nós pedíamos muito por ela que, de tão podada, mais parecia um baobá. Certo ano, não sei porquê, esqueceram de podá-la e eis que, em dezembro, ela explodiu em flor. Essas e outras estórias ilustram as podas inadequadas, se é que podemos chamar aquilo de poda, realizadas, geralmente as vésperas do verão, em praticamente todas as cidades do interior onde se decepam as copas deixando apenas tocos retorcidos que demoradamente voltam a brotar para serem novamente degolados, enquanto as cidades fervem de calor. Outro fato constrangedor são as constantes derrubadas e os argumentos são muitos quando se trata de derrubar árvores em Sergipe. Nesses anos de profissão já vi derrubarem árvores pelos mais torpes motivos e perversos métodos, inclusive por envenenamento. Nas obras, geralmente, é a primeira diligência literalmente limpar a área. Nos bairros desde a alegação de sujeira nas ruas, para não arrebentar a pavimentação das calçadas ou simplesmente para evitar que o vizinho estacione na sombra. Os mais exaltados costumam bradar e exigir providências porque as árvores prejudicam a fiação elétrica, a visão de obras ou leitura das (escassas) placas de rua. Na polêmica “Zona de Expansão” em Aracaju os coqueirais estão sendo derrissados e a cada dia assistimos tombar inúmeros nas antigas fazendas de coco dando lugar a áridos loteamentos de casas de praia. E falar em aridez não há nada que se compare ao Abaís onde, aliado ao desmonte das dunas em função de novos loteamentos, vinga um povoado desértico onde nenhuma casa tem jardim. Não encontramos, como diriam alguns, nenhum pé de pau num cenário de desoladora paisagem. Nem mesmo na chic Praia do Saco escapamos à sanha e vemos a pavimentação, quase que total, dos quintais das residências, provável anseio de zelosas e asseadas donas de casa, que julgo, não querem ter trabalho. Seria esse também o motivo de em Aracaju o Plano Diretor estabelecer 5% como taxa de permeabilidade dos terrenos quando sabemos que 25% é no mínimo o recomendável? Será que os nossos legisladores não sabem que 5% é muito pouco para a absorção das águas das chuvas e será altamente prejudicial para o futuro de Aracaju, uma cidade situada abaixo do nível do mar e com graves problemas de escoamento de águas pluviais? Depois não reclamem das enchentes. A natureza já demonstrou a sua força e não é papo de eco-chato, não!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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