Um povo que sabe…

Estou a retornar de uma viagem a Nova York, dando um presente de aniversário a Dona Tareja, como assim chamo minha querida, Tereza Cristina.

Ficamos por lá uma semana.

Volto mais uma vez empolgado com os Estados Unidos. É um povo que sabe o que quer, e luta por isso.

É coisa de pioneirismo, ensejando inveja por todo mundo, sobretudo no Brasil, que continua a não saber o que quer ser quando crescer.

Infelizmente o Brasil permanece igual àquele do tempo de Tobias Barreto, que reclamava do ufanismo de nossos grandes rios, o gigantismo do território e o diminuto na ciência, perante o conhecimento universal.

Em tempos mais recentes, nos idos dos anos quarenta, um homem ilustre, Stefan Zweig, veio parar por aqui, fugindo da intolerância nazista, que eliminava fisicamente os judeus como raça.

Veio parar por aqui, porque o Brasil era uma terra tranquila, onde os credos e raças podiam conviver sem traumas, mesmo que vivendo então uma ditadura, a do gaucho Getulio Vargas.

Empolgado com o caldeamento de raças, Zweig e sua mulher, Lotte, escolheram residir em Petrópolis, antigo pouso preferencial do nosso segundo imperador, Pedro II, região serrana do Rio de Janeiro, onde o monarca cochilava, cofiando sua longa barba, enquanto os militares conspirando sempre, por natureza e tradição, provocaram numa quartelada no Campo de Santana, aquilo que se constituiu a  Proclamação da República.

Republica, que se viu depois mais viciada que o derrubado império, sempre semeada de golpes, novas quarteladas, com eleições continuamente contestadas, horas com votos de cabresto, cortes de verificação, e hoje ainda tudo igual com os TREs, declarando inelegibilidades, a torto e a direito anulando imensas votações e cassando até mandatos legitimamente obtidos, essa coisa gerida por muitos partidos, sobretudo nanicos e nunca sendo barrados por cláusulas de barreira, a se vitoriar no tapetão.

Como aconteceu a Zweig, sem ver nossas mazelas, ou vendo-as com excessiva  brandura, ficou apaixonado com o Brasil, nossa afabilidade, fazendo até um livro, muito aplaudido em terra-pátria, sobretudo pelo governo de Gêgê, o ditador bonachão, que naqueles tempos estava até simpatizando com o regime nazista do qual o escritor fugia

Este livro de Zweig restou como título definitivo de nossa essência; “Brasil pais do futuro”, porque virou nossa eterna esperança, ser um pais permanentemente a se construir..

Até quando? So Deus sabe!

Digo isso quase em desesperança, sobretudo quando eu comparo o Brasil com os Estados Unidos, como agora presenciei mais uma vez neste périplo por Nova York, cidade, diga-se de passagem, fundada pelos holandeses, súditos de Nassau, que tentaram igual sucesso em Olinda e Recife, e dali foram banidos por Andre Vidal de Negreiros, Joao Fernandes Vieira, Henrique Dias e Felipe Camarão, sobrando-nos muita frevança de maracatu.

Nova York bem poderia ser a capital do mundo em sua população multinacional, sobretudo na ilha de Manhattan, e em seus logradouros principais, a diagonal Broadway e a Times Square onde se concentra muita euforia em musica e cena.

Em nenhum lugar no mundo é maior o Showbusines, com seus teatros sempre lotados.

Agora, por exemplo, assisti o musical “The Great Gatsby”, inspirado na ficção de F Scott Fitzgerald, tema de alguns textos meus nos arquivos deste blog. Muito bom!

Em outras viagens, assisti os musicais Les Miserables, Mama Mia, Chicago, Iron Man, O Fantasma da Opera e Hamilton, inspirado na vida de Alexander Hamilton, o grande estadista que inspirou econômica e politicamente aquela nascente nação, ele um não nacional, por imigrante das Índias ocidentais inglesas, e que foi o maior auxiliar de George Washington, desde a luta pela independência e em sua operosa presidência, e que foi apeado da vida num disputa tola, num duelo de pistolas, com um seu desafeto, Aron Burr, então VivePresidente do nascente Estados Unidos.

Entrevero bem narrado em “Burr”, obra do poliédrico, Gore Vidal, autor que ficcionalmente escreveu a Historia Americana, desde a independência, passando pela Guerra se Secessão e chegando ao apogeu cinematográfico.

Quanto a Alexander Hamilton, dele resulta a grande inspiração desenvolvimentista da nação americana.

Algo que bem deveria ser imitada por muitos povos, o Brasil inclusive, não fosse a mentalidade tacanha terceiro-mundista, que ao invés de seguir-lhe o rastro, prefere denegrir a pujança americana.

Recentemente um escritor que admiro, talvez para cortejar sua bolha esquerdopata, publicou um texto, afirmando que “ninguém iria chorar pelos Estados Unidos”.

Era o reflexo da condenação da politica do Presidente Donald Trump, que em defesa do ocidente está coibindo o bloqueio terrorista do Estreito de Ormuz, em prévias de novo engasgue do comercio de petróleo, desta vez no outro lado da Península Arábica, no estreito o de Bab-el-mandeb.

Terrorismo que precisa ser repelido, afinal o comércio não pode ser refém dessas gargantas geográficas manipuladas por povos radicais, a exigir pedágios extorsivos.

Não combater estas ações, constitui uma atitude deletéria, sem falar que os Estados Unidos tomou para si esta responsabilidade de zelar pela abertura e franqueio dos mercados, não para si, mas para todos as bandeiras, algo que os países ocidentais, os europeus sobretudo, estão querendo desfrutar de um omelete, sem quebrar os ovos.

Sem falar que ha uma análise pior por antagonismo aos Estados Unidos, justo ele, que tem salvo o ocidente europeu em sua luta repetida contra aqueles que deviam ser seus irmãos orientais, como agora no conflito Ucrânia-Rússia.

Mas alguém, tola e ingenuamente crê que as nações se preocupam com a eventual choradeira que irão provocar um dia se por acaso fenecerem.

Os homem e as nações deveriam viver preocupados se seriam, muito ou pouco, ou de modo algum carpidos, um dia quando cessarem de existir?

Carpidos por quem, cara pálida?

Chorar por você, ó empedernido militante?

Ou você não é um ativista, alguém que luta do lado errado?

Não ha muitos que combatem para existir só um lado permitido?

Que o digam os que ousam eliminar aqueles a que chamam de “golpistas.”

Neste pensar, não estamos todos um pouco ativistas? Equivocados, inclusive!

E quanto a esse carpir imerecido ou não, sempre inutil de combatente, vale lembrar o choro de Scipião Aemiliano, imortalizada por Políbio, vendo as cinzas de Cartago, incendiada pelos Romanos sob seu comando.

Incêndio, cujas lagrimas lembraram as chamas de Tróia, cantadas por Homero na Ilíada.

Mas, como diria Machado de Assis: “Ao vencedor as batatas!”, sobre a inutilidade das guerras que acontecem sob as mesmas causas, com os efeitos esperados,

Só para dizer que o mesmo Aemiliano, que chorou no incêndio que causou, foi aquele que se imperou herói romano, grande general vencedor na Historia, para sempre.

Mesmo porque nem todos ganham, embora todos campeiem.

Ainda no contexto do pranto bem ou mal acontecido, Ernest Hemingway fez um texto notável; “Por quem os sinos dobram”, perlustrando a Revolução Espanhola, tomando partido, salvo engano, do lado contrário ao do General Francisco Franco, aquele que bombardeou Guernica, permitindo Pablo Picasso pintar seu quadro mais famoso.

Em Guernica, contempla-se o texto de Hemingway, sobretudo a notável transcrição da celebre prece do porta inglês, John Donne: “Não pergunte por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti”. Choram pela humanidade que morre, qualquer um, rico, pobre, notável, desprezível, porque todos enquanto mortais somos dignos das mesmas lágrimas.

“Que os mortos enterrem seus mortos” disse um dia Cristo, mostrando a fugacidade do que seja viver.

Todavia canta com verve o nosso cancioneiro: “O rico, o pobre, tudo acaba no buraco. O gordo, o magro, o feio, o bonito, tudo acaba no buraco.”

E também o que escreve, o que é sábio, o que não é sábio, mas é sabido.

O que não lê, nem escreve, e até o que é muito lido, que não é o meu caso.

Todos vencedores a dividir um campo não plantado de batatas.

E se uns foram muito carpidos no seu velório como o General Francisco Franco, mesmo enterrado num mausoléu fantástico, dali foi expulso por seus inimigos, exumado Del Vale de los Caídos.

Só para dizer que nos baste a carpição dos que nos amam, se assim conseguirmos deixar algum, afinal os amigos sempre traem e faltam, já os inimigos, como bem disse um dia Nelson Rodrigues, os inimigos são fieis sempre; “eles vão mijar na nossa cova”.

Uma certeza tão grande que talvez esteja motivando tanto crematórios, eliminando túmulos e lápides.

Todavia, se alguns acham que os Estados Unidos merecem só reprovação e desprezo eu ali só vejo valores, desde uma moeda respeitável que, forte e estável continua, e por sua sequência tudo se norteia.

Paciência: meus valores são outros.

Por isso, sempre que posso visito-o, levando comigo minha companhia favorita, Dona Tareja, agora comemorando o seu aniversario,

Ela merece e eu também, em cinquenta e três anos de vida a dois,

Para terminar, reafirmo que os Estados Unidos bem sabem o que querem.

Os outros continuam tentando e ninguém irá chorar por eles.

Como diria o Evangelho: “Sejas frio ou quente. Morno eu te vomito”

Ninguém fica indiferente diante dos Estados Unidos.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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