5 DE JUNHO: 34 ANOS DA DESCOBERTA DA AIDS

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A divulgação de um estudo sobre "cinco homens jovens de Nova York e Califórnia, todos eles homossexuais ativos" marcou, no dia 5 de junho de 1981, o primeiro reconhecimento de um Governo de que existia uma nova e rara doença. Era o que somente no ano seguinte seria chamada Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, Sida, em inglês AIDS.

Nesta sexta (5 de junho), portanto, fazem 34 anos da descoberta dos primeiros casos da doença ainda sem cura, mas controlada por tratamentos com antirretrovirais.

Os primeiros casos foram diagnosticados com tipos de pneumonia e de câncer de pele denominado Sarcoma de Kaposi que até então só afetavam pessoas com o sistema imunológico muito debilitado. Durante meses, muitos cientistas acreditavam que apenas os homossexuais podiam contrair a doença. Hipótese descartada em dezembro de 1981, quando foram confirmados os primeiros casos em usuários de drogas injetáveis, e pouco depois em heterossexuais.

A descoberta dos primeiros casos em homossexuais foi o principal fator que levou ao preconceito que ainda persiste, provocando atitudes de discriminação até os dias de hoje.

A AIDS provocou milhões de mortes e várias transformações na área de saúde e na sociedade. Foi a primeira doença a provocar uma grande mobilização das próprias pessoas acometidas, que passaram a “brigar” pelos seus direitos aos exames, aos tratamentos específicos e, acima de tudo, respeito. A “briga” não foi só das pessoas que tinham o HIV. Surgiam pessoas na área da saúde e na sociedade em geral, que passaram a  abraçar a causa e a “comprar a briga”.

Aqui em Sergipe, a epidemia está completando 28 anos desde o surgimento do primeiro caso notificado. Como ativista,  comprei “várias brigas” para encarar a AIDS no meu estado. Lutei para  acontecer cirurgia em paciente com uma doença pulmonar. Lutei para fazer secretários de saúde “acreditarem” que a aids existia. Lutei para que famílias aceitassem e ajudassem seus “entes queridos” acometidos pela doença. Briguei  por casas para pessoas soropositivas que estavam  vivendo na rua  e até para conseguir um RX de tórax . Lutei para formar e manter uma equipe motivada  na secretaria de saúde, mesmo com os baixos salários.  Às vezes, tive até momentos de irritação. Fiquei irritado, por exemplo, quando um colega médico cirurgião dentista exigia até um “propé”- uma sapatilha branca,  para atender a uma pessoa soropositiva que precisava de uma avaliação odontológica. Fiquei irritado quando outro colega cirurgião cancelou, por três vezes, uma cirurgia oftalmológica em um soropositivo, com alegações banais.

No início da epidemia, quando lutava por algum benefício às pessoas vivendo com HIV/AIDS, ouvia  frases que mostravam incompreensão, falta de solidariedade e ignorância: “por que só a AIDS tem esse direito”, “esse médico quer aparecer”, “é capaz dele querer ser político”, “para ele trabalhar tanto, será que tem algum membro na família com AIDS ou deve ganhar muito dinheiro”. Alguns gestores nem sempre me viam com “bons olhos” e reclamavam que eu aparecia demais e “ofuscava” o brilho deles, chegando até a dificultar o meu trabalho. Alguns até dificultavam o meu trabalho, alegando  que eu tinha “posições políticas”  contrárias ao partido dominante na época.

Lutar pela causa da AIDS sempre foi um grande desafio. Há cada momento, temos um novo desafio a encarar. Alguns dizem assim: “Vocês trabalham tanto e a AIDS continua aumentando”. Certamente que se não existissem o trabalho educativo permanente, o envolvimento das organizações não governamentais, o apoio de vários gestores federais, estaduais e municipais e a participação da mídia espontânea, a epidemia do HIV estaria numa situação muito mais grave.

Novos comportamentos sexuais da população  dificultam a prevenção. Por outro lado, novas formas de prevenção estão sendo divulgadas, saindo do foco apenas na camisinha. Decididamente, existem pessoas que não querem usar o preservativo e se envolvem em situações de risco afirmando que “sexo arriscado é mais gostoso”. O uso dos medicamentos, como medida de redução dos riscos, tornou-se necessária.

Grandes avanços foram alcançados, desde o ano de 1996, com o desenvolvimento dos antirretrovirais, a doença inicialmente considerada mortal passou a ser uma enfermidade crônica. Hoje, o tratamento já é considerado também uma forma de prevenção além da camisinha. A qualidade de vida de quem vive com HIV/AIDS melhorou e as atitudes de discriminação diminuíram muito. Mas temos muitos problemas ainda a enfrentar.

Ao completar 34 anos da descoberta dos primeiros casos de AIDS no mundo, eu convido você, que está lendo o meu artigo, a fazer uma reflexão: De alguma forma, você está ajudando a combater a epidemia do HIV no seu relacionamento amoroso,  na sua família, na sua comunidade e no  seu local de trabalho?

Participe dessa luta! A AIDS está difícil de ser vencida e muitos preferem ignorar.

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