8 de março: nem tudo são flores

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Segundo dados do Mapa da Violência 2012, num ranking de 84 nações de todo o mundo, o Brasil é o sétimo país em taxas de feminicídio. Isso mesmo. Todos os anos, o Brasil só não mata mais mulheres que El Salvador, Trinidad e Tobago, Guatemala, Rússia, Colômbia e Belize. Por isso, diferente do que divulgam os meios de comunicação comerciais ou do que veiculam as empresas privadas e alguns órgãos públicos, o 8 de Março está longe de ser uma data comemorativa.

O autor desta coluna solicitou ao Coletivo de Mulheres de Aracaju um texto sobre o real significado do 8 de Março e a importância de discutirmos a situação das mulheres no Brasil. O texto segue abaixo.

8 de março: nem tudo são flores

O dia 8 de Março é visto como um dia de comemoração. Flores e chocolates às mulheres frágeis e delicadas, resistentes ao dia-a-dia de constantes sacrifícios, que com muita honra e coragem desempenham bem o seu papel de mulher que trabalha, cuida dos filhos, da casa e ainda assim têm a capacidade de estar sempre bonita. Nada tem a ver essa forma de comemoração, puramente comercial, com o real objetivo do 8 de Março.

O Dia da Mulher tem origem no começo do século XX, quando havia um forte movimento pela conquista do direito ao voto para as mulheres. Era reivindicada igualdade política e econômica para homens e mulheres, e as ruas já eram ocupadas a fim de que esses direitos fossem garantidos. Não havia data definida para essas mobilizações anuais que aconteciam em meses distintos, em diferentes países. Em 1921, durante a Conferência Internacional das Mulheres Comunistas, o 8 de março passa a ser adotado de fato como data oficial da luta das mulheres em memória às operárias russas que em 23 de fevereiro de 1917 (8 de março no calendário gregoriano) foram às ruas, em uma ação política, contra a fome, contra o czar Nicolau II e contra a participação do país na primeira guerra mundial, precipitando os acontecimentos que desencadearam a Revolução Russa.

Durante todo esse período muitas lutas foram travadas e conquistadas por nós, mulheres. Estamos hoje inseridas na vida política e econômica – pautas de nossas antepassadas – mas ainda temos muito a conquistar. Somos uma minoria expressiva no Congresso Nacional, não chegando a ocupar nem 20% dos cargos políticos disponíveis.

Ainda recebemos menores salários que os homens para ocuparmos as mesmas funções; sofremos com a tripla jornada de trabalho – que deixa claro que a mulher, apesar de hoje participar efetivamente do mercado de trabalho, ainda é responsabilizada pelo cuidado dos filhos e da casa – e ainda somos vítimas de violência, todos os dias. No Brasil, o "Mapa da Violência 2012 – Homicídios de Mulheres no Brasil" verificou que em 68,8% dos atendimentos a mulheres vítimas de violência a agressão aconteceu na residência da vítima e, em pouco menos da metade dos casos, o agressor é o parceiro ou ex-parceiro da mulher.

Para combater essa realidade, o Coletivo de Mulheres de Aracaju tem realizado espaços de debate, oficinas, cine-debate e intervenções nas ruas. Já realizamos três seminários de formação política, onde discutimos concepções de gênero em nossa sociedade, a origem das relações de trabalho que envolve homens e mulheres, e resgate histórico acerca do significado e da simbologia do 8 de Março. Também fomos até o Bairro Marcos Freire III, onde aconteceria o show da Banda New Hit, em diálogo direto com a população para denunciar a cultura do estupro que naturaliza o caso das duas fãs estupradas, no estado da Bahia.  Estamos atuando para que as mulheres possam exercer sua liberdade em uma vida plena, o que só é possível com a superação das opressões a qual estamos constantemente submetidas, que ocorrerá pelo combate à exploração e opressão de todos os sujeitos.

É inegável a necessidade de que nós, mulheres, não deixemos que se faça desse dia simplesmente uma data para se receber flores. Assim como nossas companheiras, que há 100 anos iam às ruas lutar por pão, paz e terra, é assim que devemos estar! Nesse Dia Internacional de Luta da Mulher fazemos um chamado aos homens e mulheres de Aracaju para irmos juntos às ruas pelo fim da violência e do capitalismo. Por políticas públicas contra o machismo, racismo e homofobia.

Coletivo de Mulheres de Aracaju

NOTAS

1. Não Pago comprova farra do transporte público

Ao ter acesso à planilha de custos do Setransp, em que os empresários pedem o reajuste de 11% na tarifa de ônibus, o Movimento Não Pago identificou uma série de irregularidades que, certamente, oneram o preço da passagem paga pelos usuários do transporte coletivo.

A primeira irregularidade verificada é a inclusão nos custos de itens que não existem. No documento, são previstas, por exemplo, despesas com salários de motoristas e cobradores para os micro-ônibus e midibus, quando, na verdade, esses veículos têm apenas um trabalhador fazendo a dupla função. Também na planilha, são apresentadas despesas com câmaras de ar e protetores dessas câmaras, mas na maioria da frota os pneus utilizados não possuem câmaras de ar.

O Não Pago detectou também uma defasagem dos coeficientes de consumo dos materiais dos ônibus. Um exemplo é que, pela planilha do Setransp, os índices de capacidade de uso e durabilidade de pneus são dos anos 1980.

Outra denúncia apresentada é a ausência de notas fiscais que comprovem os preços dos veículos adquiridos e de insumos como combustíveis, pneus e lubrificantes.

No estudo detalhado e aprofundado que realizou, o Movimento Não Pago propõe uma revisão dos custos informados pelo Setransp e a redução da tarifa de ônibus para R$ 1,82.

O Movimento Não Pago conseguiu, com competência e rigor técnico, demonstrar que há uma verdadeira farra com o transporte público em Aracaju. Com dados e análise criteriosa, comprovou-se que o sistema de transporte da forma que é (mal) gerido e (mal) fiscalizado beneficia apenas os empresários do setor.

2. Existe Cinema em Sergipe

Articulados sob o nome “Existe Cinema em Sergipe", produtores, realizadores, jornalistas, estudantes de audiovisual e agentes culturais estão organizando uma série de ações em defesa do Núcleo de Produção Digital Orlando Vieira.

Na quarta-feira (6), o grupo encaminhou um ofício ao Secretário de Cultura, Nitinho Vitale, solicitando uma reunião para discutir os rumos do NPD na nova gestão municipal.

Desde janeiro, produtores e realizadores audiovisuais estão impedidos de utilizar o espaço público e os equipamentos também públicos do NPD, já que a nova coordenação do órgão ainda não foi definida.

No ofício, o grupo defende também que a nova coordenação do NPD seja escolhida após a realização de debates públicos com a sociedade sobre as atribuições, o financiamento e a estrutura do Núcleo.

E, neste sábado (9), o grupo realizará o seminário “O NPD e a produção audiovisual em Aracaju”, a partir das 9h, na sede do SINDIJUS (Rua Arauá 168, Centro). O seminário é aberto ao público.

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