A cidade-mercado de João Alves

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Não é de hoje que adquire espaço nas instituições do Estado uma concepção elitista e excludente sobre "cidade", que retira o seu caráter público e a transforma num ambiente para a privatização dos serviços e espaços públicos, fomentando a construção da ideia de cidade apenas para quem pode "comprar a cidade".

Um legítimo representante dessa concepção, que faz o privado invadir o público, é o prefeito de Aracaju, João Alves Filho. A sua mais recente investida neste sentido é a venda de terrenos públicos na Coroa do Meio.

Qualquer aracajuano/a que não esteja informado/a sobre o ocorrido ou qualquer turista que passe pela Coroa do Meio terá uma sincera dúvida: trata-se de uma Prefeitura ou de uma Imobiliária?

Sim, porque após conseguir aprovar  o projeto para a venda dos terrenos, com o voto dos vereadores da sua bancada na Câmara de Aracaju (dos 24 vereadores da CMA, apenas votaram contra o projeto: Iran Barbosa, Emmanuel Nascimento, Dr Emerson, Lucimara Passos e Lucas Aribé), João Alves iniciou uma campanha de marketing por toda a extensão da Coroa do Meio e em meios de comunicação que causa inveja a todas as imobiliárias da cidade. São outdoors, placas, panfletos, inserções na mídia, etc…

O problema (e esse não é qualquer problema) é que estamos falando de uma estrutura de Estado, uma Prefeitura Municipal, que deve ter como fim da sua ação a garantia dos direitos da população.

Por isso, se pensasse a cidade para o real interesse público e não para quem tem dinheiro, João Alves poderia utilizar os terrenos da Coroa do Meio para, por exemplo, a realização de um programa de habitação popular que tenha como prioridade a necessidade das mais de 61 mil pessoas (mais de 17 mil famílias) que, segundo dados do IBGE, vivem em aglomerados subnormais em Aracaju.

Além da garantia do direito à moradia para quem necessita, os terrenos da Coroa do Meio poderiam ser usados para diversas outras medidas, como a construção de postos de saúde, de galpões culturais (possibilitando um espaço de produção cultural para artistas da cidade), salas públicas de cinema, espaços de práticas esportivas gratuitas….Enfim, demanda pública não falta em Aracaju para dar destino aos terrenos da Coroa do Meio.

Mas o compromisso de João Alves Filho é outro. Por isso, a venda dos terrenos da Coroa do Meio é apenas mais um exemplo, não o único, do modo João Alves de governar uma cidade. Outros exemplos têm sido dados desde o início da sua gestão, em janeiro de 2013. Ou alguém esqueceu da taxa de iluminação pública, do projeto que permite a atuação de Organizações Sociais (OS) em várias áreas, dos aumentos na tarifa de ônibus e do abusivo reajuste do IPTU? É tudo parte de um mesmo projeto.

Com João Alves, Aracaju – que era reconhecida nacionalmente como uma cidade que se empenhava em proporcionar qualidade de vida para a sua população – se notabiliza por ser agora uma cidade-mercado, onde não há espaço para cidadãos, mas apenas para clientes.

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