A era das redes e as novas visibilidades do corpo

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Anailza Guimarães Costa

E-mail: anailza@getempo.org

Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNPq)

Mestranda no Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGED/ UFS)

Orientador: Dr. Dilton Cândido Santos Maynard (DHI/UFS)

Hoje vivemos a era da quebra dos tabus e de uma maior tolerância em relação a sexualidade, maior inclusão e diversidades do que séculos atrás. Enquanto no passado, em 1504, Isabel de Castela morria de uma ferida que não queria mostrar aos médicos, recebendo a extrema-unção sob os cobertores para não mostrar nem os pés, hoje nas bancas de jornal e revistas exibem “mulheres frutas”, seminuas ou até mesmo nuas, sendo comum propaganda de lingeries, casais trocando carícias nas telas do cinema e televisão e homens e mulheres que conseguem assumir mais abertamente sua orientação sexual. A exibição de várias formas nunca foi tão bem recepcionada quanto no nosso século.
A internet abriu novos caminhos, trouxe universos de possibilidades à sexualidade e aos comportamentos sociais. Desde sites de relacionamentos, pornografia, tudo se encontra no mercado virtual. Pouco se fala ou se valoriza a privacidade. O que interessa é jogar nas redes o que esta fazendo, para onde vai e exibir o máximo possível sua vida pessoal. Na internet através de mensagens começam-se paqueras, namoros, faz-se sexo por vídeos.  Se antes se pregava o pudor e recatamento por baixo de muitas vestes, hoje vivemos na era do narcisismo em que se exibir de todas as formas é um padrão social.
Nas redes sociais o que mais temos é a valorização do narcisismo, a exemplo das selfies, fotos tirado de si próprio, além da necessidade de expressarem opiniões sobre todos os assuntos e de ser precioso o rito de quanto mais curtidas melhor. A internet têm popularizado cada vez mais as ações de cada um através das redes sociais e também tem sido reflexo da nova educação do corpo que a sociedade atual criara.
Esta educação do corpo no passado foi modelada por processos civilizatórios, que deram sanções corporais, acentuando seu refinamento, desenrolando suas sutilezas e proibindo o que não parecia decente. Foram muito comuns em séculos anteriores, manuais que surgiram como um conjunto de regras e conselhos necessários para o bom desempenho da vida social por conta da necessidade de adesão as práticas civilizadas.
Não fazer necessidades nas ruas, andar bem asseado, saber se portar à mesa, ter cuidados com as vestimentas, ter cuidado com a intimidade sexual eram os ensinamentos para a educação do corpo.
Haviam normas/comportamentos próprios para se mostrar no público e os limites do que era reservado a esfera privada também  eram claros. No entanto, as redes sociais vêm reconfigurando os modos de se portar, há uma nova “educação” para se sentir e perceber o corpo na relação público X privado.
Diante disso, em tempos de internet, podemos nos perguntar: quais os limites entre o público e o privado? Quais os limites dessa nova visibilidade do corpo? Em tempos de redes sociais, evoluímos ou retrocedemos? Nem um e nem outro. Na verdade, estas mudanças fazem parte de um longo processo de transformação social favorecidas por mudanças políticas, educacionais que moldaram o comportamento da sociedade e, também fazem parte da nova educação do corpo, reflexo da sociedade que valoriza mais as aparências.

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