A imprensa e a crise

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O Palácio do Planalto tocou as trombetas e reuniu os seus aliados. A ordem foi desqualificar as denuncias divulgadas pela revista Veja, que circula esta semana, denunciando que Cuba enviou U$ 3 milhões para ajudar na campanha do então candidato Lula a presidente da Republico. Deputados e senadores subiram às tribunas da Câmara e Senado para criticar com veemência a Veja e outras revistas que provocam ventos fortes na tempestade que espalha corrupção no Governo Federal, atinge partidos políticos e desacredita parlamentares.

O presidente Lula reuniu-se com os ministros, o presidente da Câmara Federal e lideranças do legislativo, para dizer que deve contra-atacar, levantando escândalos produzidos pelo presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Os parlamentares também foram orientados a não ficarem inertes diante da ação das oposições e levantar dúvidas quanto à autenticidade da reportagem.

O material de Veja quebrou a aparente calmaria que se iniciava em Brasília. O Governo Lula já imaginava que tinha o controle da crise. A partir de agora, entretanto, até o próprio presidente teve o seu nome lembrado para depor em uma das Comissões Parlamentar de Inquérito.

Intelectuais petistas também fizeram artigos contra a reportagem. Todos eles foram lidos e registrados em ata na Câmara e Senado. Alguns deles eram claros que a revista estava a serviço da chamada elite que o presidente Lula costumeiramente acusa de querer derruba-lo. É verdade que a matéria de Veja sobre os três milhões de dólares que irrigou a campanha de Lula da Silva para presidente da República, ainda não foi o batom na cueca que dissolveria o casamento de Lula com a Presidência, mas, como algumas outras, foi a mancha no colarinho, que ainda dá para prolongar essa agonia.

É bom lembrar que tudo começou com uma reportagem sobre propina, em que um funcionário de pouca categoria dos Correios e Telégrafos recebia uma propina de R$ 3 mil. Ninguém jamais pensou que fosse chegar a esse quadro de desolação petista, do desmonte de uma estrutura corrupta que atuava nas salas do Planalto, além de colocar a nu alguns parlamentares e deixar o Congresso Brasileiro sob suspeita da sociedade.

A partir da primeira reportagem de Veja todos os políticos têm que fazer uma reflexão do projeto de campanha e do comportamento, como candidato, para conquistar votos.

A matéria de capa da revista Veja desta semana não é obra de ficção. Tem nomes, forma e todo um roteiro que, se seguido de uma investigação absolutamente isenta, pode chegar a resultados que, aí sim, vai mostrar a “cueca suja de batom”. Além de toda a estrutura de informação, existem fitas gravadas e autorizadas para publicação, que não podem desqualificar a reportagem.

Tem pessoas que levaram dinheiro, empresário que emprestou o avião, registros de pouso e decolagem nos aeroportos, enfim, toda uma trilha que pode chegar ao que foi denunciado. O que falta é competência para que as pessoas que denunciaram tenham coragem de manter o que disse à revista e comprovar a transação espúria, para que a sociedade não se mantenha enganada por fatos que entristecem um eleitorado que se encheu de esperança em 2002.

Evidente que as denúncias feitas pela imprensa já provocaram estragos na estrutura podre que comandava o Partido dos Trabalhadores e no próprio Planalto. Mas, se não chegou ao epicentro da corrupção é porque os envolvidos estão bem amparados por setores ainda não revelados, que pagam os advogados, garantem cobrir o déficit nos bancos e mantê-los impunes, em troca do silêncio, apesar de toda a pressão que sofrem nas CPIs, na Polícia Federal e no Ministério Público. Certamente Delúbio e Valério têm cobertura suficiente para não abrir a boca, enquanto o Valério não terá nenhum prejuízo. O Planalto acha que acaba a crise ao oferecer de bandeja a cabeça de deputados, principalmente a de José Dirceu, mas a cada reportagem desse tipo a situação fica mais grave e o preço do silêncio muito mais alto.

A Veja cumpriu o seu dever e tem material suficiente para provar que não criou nada além do que pode ter acontecido.

 

MUDANÇAS
Está cada vez mais forte a informação de que haverá mudança importante na equipe de governo, principalmente na área política. Uma secretaria já surgiu como a que ganhará novo titular: a de Saúde. Fala-se que para o lugar de José Lima vai o nome forte dentro do governo.

SUKITA
Manoel Messias Sukita Santos registrou ontem sua candidatura a prefeito de Capela, cuja eleição está marcada para o dia 27. Sukita permanece à frente da Prefeitura, porque ainda espera o julgamento do agravo no Supremo, que deve ser votado quinta-feira.

REUNIÃO
O prefeito Marcelo Déda (PT) está reunido com todo o seu secretariado desde ontem, em um hotel da orla, para ouvir resultados e projetos. Isso é feito anualmente, mas tudo indica que essa seja a última sob o comando de Déda, que é candidato a governador em 2006.

VEJA
O prefeito Marcelo Déda (PT) não pode atender a Plenário para falar sobre a publicação da revista Veja sobre recursos provenientes de Cuba para o Partido dos Trabalhadores. Já o secretário de Governo, Oliveira Júnior, considerou as denúncias “muito incipientes. Parecia uma versão da própria revista”.

VALADARES
O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) considerou ontem que a falta de uma definição eleitoral desembarcou nessa crise toda. Valadares defendeu o parlamentarismo para mostrar que esse regime solucionaria os problemas sem mudar o governo.

EXECUTIVA
O Diretório Regional do PT, tendo à frente Marcio Macedo, ainda não conseguiu formar a Executiva Estadual do partido, por questões internas. A força Democracia Socialista entrou com recursos para que fosse cumprido o estatuto do partido, que determina uma reunião de todas as forças para formar a Executiva.

COMPOSIÇÃO
Segundo informação de uma fonte, o campo majoritário do partido negociou com o grupo liderado por Severino Bispo e pela deputada Ana Lúcia. Entretanto, até o momento, não promoveu uma reunião com todas as tendências partidárias, para que daí se chegue à Executiva.

PAIXÃO
O deputado federal Ivan Paixão (PPS) acha que a crise política está se aprofundando em Brasília, principalmente com a nova CPI do Caixa Dois, que já foi dada entrada no Senado. Ivan Paixão acha que com essas denuncias de agora, não há mais condições de negar sua participação.

VIAGEM
O governador João Alves Filho (PFL) viaja amanhã para a Espanha, França e Varsóvia, para tratar sobre turismo e questões industriais. Na Espanha volta a se encontra com empresários da área de turismo, na França fará duas palestras em Paris e Varsóvia trata da questão industrial.

CONVERSA
Quando retornar ao Brasil, o governador João Alves Filho vai ouvir reclamações de deputados do seu bloco de apoio. O pessoal está reclamando da questão de atendimento e vai pedir ao governador mais agilidade nas audiências com parlamentares.

BENEDITO
O presidente regional do PMDB, Benedito Figueiredo, diz que o seu partido segue firme. Dia 14 terá programa na TV e as inserções se seguirão a partir do dia 16. Benedito confirmou que o senador José Almeida Lima está construindo sua candidatura a governador do estado e disputará as eleições em junho de 2006.

AFTOSA
O secretário da Agricultura, Sérgio Reis, disse que Sergipe está fiscalização muito forte nas fronteiras do Estado para que a carne não consiga entrar sem a devida inspeção. Sérgio reclama que o Governo Federal não tem dado prioridade ao assunto, dificultando a manutenção das medidas, “colocando o interesse pessoal na frente do interesse coletivo”.

MOTINHA
Já está marcado o depoimento de um dos acusados de participação no crime do agiota Motinha, ocorrido em 1999 no bar Paraty. A justiça está mantendo a data em sigilo para evitar surpresas, já que a vida dos acusados corre risco. Há gente interessada em elimina-lo.

Notas

BLOCO
O Partido dos Trabalhadores está querendo colocar o bloco nas ruas, em todos os estados, para fazer a defesa do presidente Lula, que enxerga um movimento do PFL e PSDB para pedir o seu impeachment. O PT vai ver como a oposição se comportará em relação às denuncias do dinheiro de Cuba.
Neste final de semana, o presidente Lula reuniu-se com ministros que formam o “Conselho da Crise” e está pensando em partir para o confronto, o que modifica o tratamento que vinha dando à crise até agora.

CAIXA-2
No debate sobre corrupção com os participantes do fórum DNA Brasil 2005, sábado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) reproduziu diálogo com o presidente Lula. Ele teria dito que “duvida que haja um parlamentar sequer no Congresso que não tinha tido pelo menos alguma forma de prática de caixa-2”.
É possível que o presidente Lula tenha razão, mas não poderia ter dito isso, porque demonstra que ele tenta justificar que “se os outros fazem, ele também pode fazer”. Isso não é bom nesse momento de crise.

REFORMA
A comissão especial que analisa a Proposta de Emenda à Constituição 446/05 que prorroga o prazo para mudanças na legislação eleitoral pode votar hoje o parecer do relator, deputado Marcelo Barbieri (PMDB-SP), que prorroga o prazo para validade, na próxima eleição, da reforma eleitoral.
Alguns deputados e juristas argumentaram que uma eventual reforma eleitoral para 2006 estaria comprometida, pois as mudanças seriam definidas por parlamentares que estão na disputa no próximo ano.

É fogo

Os supermercados já estão se preparando para as vendas do final de ano, inclusive preparando as decorações para o período.

As lojas, tanto nos shoppings quanto no centro comercial, estão se animando para fortalecer os estoques, esperando melhora durante o Natal.

Os deputados federais retornaram ontem a Brasília, para participação em sessão deliberativa. O presidente Aldo Rebelo ameaça cortar o ponto dos faltosos.

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) viajou ontem à tarde porque teve uma série de compromissos em Sergipe.

A secretária de Segurança, Georlize Teles, recebeu o título de Cidadã Lagartense. Foi uma forma de agradecer o seu trabalho contra a criminalidade no município.

A denúncia do recebimento de U$ 3 milhões, de Cuba, pelo Partido dos Trabalhadores, foi assunto em todos os encontros políticos de ontem.

O prefeito Marcelo Déda (PT), pré-candidato a governador em 2006, tem feito pronunciamentos de campanha nos locais que discursa.

A prefeita de Itabaiana, Maria Mendonça (PSDB) não sabe quando terá recursos para a construção de uma escola no povoado Igreja Velha.

O ex-prefeito de Lagarto, Jerônimo Reis (PFL) está feliz com novas obras para o município, através de convenio com o governo do estado.

A Unimed em Sergipe é única unidade que não tem um hospital. Agora resolveu construir um e o fará com recursos próprios.

O governo brasileiro está mais próximo da Comunidade Européia em relação a um acordo sobre a escolha do padrão da TV digital no país.

As passagens de ônibus das linhas intermunicipais e suburbanas estarão mais caras por determinação do Conselho Nacional de Transportes.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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