A (in) Segurança Pública

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As famílias que residem no campo já não têm mais o mesmo sossego de anos atrás. Antes do advento da “luz elétrica” as pessoas se recolhiam antes do escurecer. Com a chegada da “Luz de Paulo Afonso” este hábito foi mudando e as pessoas passaram a dormir mais tarde para curtir um pouco da brisa noturna, sentados à porta de casa. Ladrão, palavra e hábito raro à época, só apareciam pela madrugada para levar galinhas, cavalo, gado. De uns anos prá cá os ladrões se multiplicaram e passaram a agir no início da noite rendendo famílias inteiras e as tornando reféns e de quando em vez matavam e violentavam suas vitimas. As pessoas então passaram a recolher-se ao anoitecer para fugir da violência.

Mas à época, a polícia embora tivesse efetivo e estrutura material aquém do necessário, respondia ao chamado da população e logo localizava e prendia os mau feitores. Hoje, não. A polícia mais aparelhada, com um efetivo muito maior e com um aparata tecnológico de fazer inveja aos mais velhos, não prende e sequer atende aos chamados da população que se vê cada dia mais indefesa e insegura. A zona rural de Sergipe está entregue à própria sorte. Hoje as pessoas têm que ficar trancadas dentro de casa até pelo dia. Os marginais não lhes dão sossego. Chegam normalmente pelo dia, ficam filmando a movimentação da propriedade e entre 16 horas e 17h30 chegam em grupo de três ou mais, de abafo e sempre fortemente armados.

E a polícia o que faz?! Como nos dias atuais quase todo mundo tem um celular as pessoas ligam desesperadamente para o 190 (a ligação é gratuita) e a polícia não aparece. De quando em vez, quando aparece, é com uma, duas ou três horas de atraso. Sem ter a quem recorrer a maioria das famílias vitimas de assaltos na região rural sequer procuram a delegacia para prestar queixa e quando o fazem, a polícia se comporta como se o cidadão ou cidadã estivesse lhe pedindo favor. Ao invés de cair em campo para investigar e identificar os meliantes, passa essa responsabilidade para as vítimas. “Fique atento e qualquer coisa me informe”, dizem os polícias. E a vítima, ali, inerte e impotente, responde: “sim, senhor” e vai embora cabis baixo. Ali começou e terminou um caso sem solução.

É assim que tem acontecido, por exemplo, no município de Estância, onde nos finais de semana a delegacia funciona com apenas dois policiais plantonistas e nos dias úteis tem sempre algo mais importante para ser feito. No batalhão da PM a coisa é complexa. Se é chamado para uma ação imediata alegam não dispor de viatura (têm muitas viaturas novas no pátio), alegam falta de combustível etc.. Mas, como a população descobriu que existem viaturas e combustível suficientes agora a desculpa é: “estamos chegando… “. Se a vítima de assalto tiver sorte, muita sorte mesmo, duas horas após o chamado chega uma viatura em sua porta, os policiais dessem fortemente armados e procuram saber como foi, características dos assaltantes, que direção tomaram… Depois disso dão algumas voltas na região e vão embora.

É assim que tem funcionado nossa polícia, aquela que é paga com os impostos recolhidos da sociedade para servir a esta mesma sociedade, mas na maioria das vezes, não serve. Outro dia os marginais foram vistos numa região de Estância se “entocando” no mato, por volta das 17 horas. As polícias (Civil e Militar) foram acionadas e só apareceu no local (a Militar) por volta das 20 horas. Os marginais já tinham feito a limpeza numa casa e numa escola, enquanto um outro grupo assaltava um bar na mesma redondeza. O que aconteceu. Ah, no dia seguinte os mesmos marginais retornaram ao bar e levaram o que tinham deixado prá trás. O Dono do Bar, para ter sossego, arrumou o que sobrou dos dois assaltos seguidos e foi embora. E a Polícia, o que fez?

Pelos relatos que tenho recebido, esse tipo de comportamento, tem se registrado em quase todos os municípios sergipanos. Em tempo: Em Estância, se a polícia montar uma operação bem estrutura na região do “Pombal”, no bairro Cidade Nova, localiza e prende a maioria das gangues que agem na região sul e centro sul do Estado.

Como o governador Marcelo Déda disse desde o primeiro momento que a Secretaria de Segurança Pública (incluindo ai o Comando da PM) foram indicações de sua “cota pessoal”, certamente precisa abrir os olhos para a (In) Segurança Pública, com urgência, pois a população está entrando no limiar da impaciência. Se a cota é pessoal o desgaste também está sendo pessoal.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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