A Morte da Cultura e a Cultura da Morte

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A  Morte da Cultura e a Cultura da Morte

Artistas nunca foram seres de sorte. Quando gênios, morrem sozinhos. Acham sempre que não conseguiram o rodapé da Folha e o verberte no dicionário. Os governos têm sido cruéis com os artistas. Ou vivem de pires na mão mendigando patrocínios para exposição, lançamentos, projetos ou se trancam nas suas quase insignificâncias de vida. Viver sem dinheiro é triste para qualquer um, imagine para alguém que tem a pretensão de mudar o mundo através da sua arte. Em Sergipe, a Cultura é da Bósnia. A Funcaju não existe – virou uma casa de eventos populares, não tem um real e vive à míngua. Não por culpa dos dirigentes, mas porque nunca se tem verba para a pasta. A Secretaria de Estado da Cultura é Romena, Dinamarquesa, Francesa, Inglesa – menos sergipana. Mas aí a culpa é de José Carlos Teixeira. Ele é um apaixonado pelo novo-velho mundo e pela música. A Secretaria tem 140 mil por mês, mas segundo ele – não dá pra nada. E aí? Como fica? Artistas são mesmo indigentes, trabalhadores em busca do nada, fantasiados de palhaço para alegria dos governantes, enquanto  Bruno e Marroni lotam a orla, em nome da massa que adora pão e circo.

 

O Suicídio de um Produtor Cultural

Morreu Bebê Santana, um produtor cultural. Ele era belo, jovem e tinha uma filha. Mas não teve sorte na vida. De Boquim, resolveu tomar chumbinho. Quem vende chumbinho é tão criminoso como quem vende armas clandestinamente. Era um ser ansioso querendo seu lugar no mundo. Foi vendedor de publicidade do Jornal “O Capital” de Ilma Fontes, mas já não trabalhava no jornal há alguns anos. Mas a vida só lhe deu porradas. Camus disse que “só há um problema filosófico realmente sério: o suicídio.” Bebê Santana talvez tenha levado a vida a sério demais.Deixou um vácuo que não compreenderemos nunca, mas aceitamos. Até porque é irrevogável.

 

A Ponte Aracaju-Barra

Enquanto José Alves Nascimento não recebe ninguém em seu gabinete, o governador João Alves faz uma ponte de causar inveja . São tantos milhões gastos, que Sergipe pode ser chamado de Suissa. Suissa que não conhece a miséria do outro lado da ponte – a barra. E com a ponte não conhecerá pra que servirá aquele elefante branco.

 

A Tapas e Pontapés

Diogo Mainardi lança pela Record “A Tapas e Pontapés’. Já na quarta edição as crônicas de Diogo é um convite ao prazer da leitura. Depois de Paulo Francis, Diogo é  dos mais ácidos e apaixonados jornalistas. O texto é primoroso.

 

MP e a Proteção ao Patrimônio

Eduardo Seabra, promotor, tem sido exemplar na manutenção e proteção ao nosso patrimônio cultural. Graças a ele, não estamos tão lesados e aviltados com ação de descaso e destruição. Em tempo: o painel de François Hoald no Hotel Atalaia, na Avenida Beira Mar, está levando cimento por toda parte. Os pedreiros nem sabem que estão diante de uma obra rara.

 

A Depressão de Paulo Bezzera

Paulo Bezerra é um radialista que já passou por várias emissoras. Mas como muitos, vive atrás de venda de publicidade. As Prefeituras do interior assinam, mas nem sempre pagam. Paulo cansou. E vive uma depressão profunda, como devem viver outros colegas na sua área. Um talento como Paulo Bezerra deveria ser melhor aproveitado, vencendo  a mediocridade reinante e a hipocrisia e falta de talento. O médico José Gonzaga, vereador eleito, que muito usou a vida inteira os préstimos do radialista, lhe paga  míseros 400 reais.Paulo tem quatro filhos e uma mulher. Vou perguntar ao vereador se  isso é uma esmola ou um cala-boca. De qualquer forma, fica o registro.

 

Solidariedade na Taiçoca

Sérgio Labonte, um senhor que cria um filho excepcional, realizou uma festa das crianças com gincana cultural no bairro onde mora. Sérgio é massoterapeuta nos tempos idos do Iate, quando não era somente salão para aluguel de festas. Ele quer com o  evento, mostrar que todo mundo pode fazer a sua parte ,e, que apesar de tudo o que ocorreu na sua vida, ele mantém os ensinamentos vivos da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, quando foi mórmon nos EUA, vivendo hoje, em paz no seu seu sítio na Taiçoca.

 

Acrísio Torres

Acrísio Torres merece ser nome de escola. Morando em Brasília, onde é professor aposentado da UNB, retrata Sergipe em seus livros de forma brilhante e única. Precisa de uma edição bela dos seus livros. ‘Pó de Arquivos”   é obra rara.

 

Ariosvaldo Figueiredo

Ariosvaldo Figueiredo que mora no Rio de Janeiro, tem 80 anos e ainda escreve muito. Autor de mais de 20 livros, prepara as suas memórias. Acaba de lançar o livro “Aracaju: Roça Iluminada”. Mas como todo grande intelectual, não quer lançamento, nem entrevistas. Merecia uma homenagem à sua altura. Mas Sergipe é mestre em não valorizar nada, nem ninguém.

 

Iara, Esquecida

Iara Vieira se foi e a Secretaria de Estado da Cultura prometeu uma edição completa de sua obra. Poeta de talento múltiplo, é uma Orides Fontela que tivemos. Orides morreu de tuberculose, sozinha e dependendo de alguns vinténs de Antonio Candido. Iara Vieira tinha duas aposentadorias, era reconhecida nacionalmente, mas a doença venceu a poesia. A Secretaria de Cultura e a Funcaju bem que podem, e devem, reeditar o seu trabalho, num testemunho vivo de sua passagem.

 

Morte em Veneza

‘Morte em Veneza’ continua sendo um filme inesquecível. Luchino Visconti estava “tomado” quando o fez. Thomaz Mann, que não é chato como disse um dia, Luiz Eduardo Costa, deixou para a humanidade uma peça, imortalizando Dick Bogard, ator sem igual.

 

A Torre e a Cultura

A Torre, empresa que ganha todas as licitações de lixo, não faz nada pela Cultura. Afora uns projetos sociais , paupérrimos e sem alcance nenhum, ela desdenha nossos artistas, não dá retorno e não está nem aí. Empresas como a Torre que ficam bilhardárias em Sergipe deveriam ser obrigadas a investir nas áreas social e cultural. Mas como não há legislação para isso, a Torre recicla papel, dá curso para seus funcionários. E chama isso tudo de compromisso social.

 

A Bomfim

A empresa Senhor do Bonfim dá cursos de algongamento e relaxamento para seus funcionários. Vi uma foto no jornal que morri de ri. Laurinho Menezes que tem tudo para ser um mecenas, um gentleman, não tem assessoria de projetos, à altura do faturamento de suas empresas. E aí não adianta nada.

 

Aperipê

A TV Aperipê tem uma marca no canto da tela  que agride o que assistimos, porque tinha que ser marca-d´água e não tão grosseira como se apresenta. Marlene Calumby vai colocar novos programas no ar. Que sejam bons.

 

TV Caju

TV Caju demitiu Claudia Endlein, Sônia Pedrosa e até Bareta saiu do ar. Messias assumiu tudo. Falta fará também Carlos França, Luciano Correia, Antonio de Medeiros. Lamentável.

 

Secom do Estado

Cesar Gama depois que assumiu a Secretaria de Comunicação mudou o telefone e não atende nem Bento XVI. Mas o Governo gasta até anunciando luta de boxe. É o fim.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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