A política não se renova

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Muito se fala em renovação na política, mas de eleição em eleição não se vê quase nenhum avanço. Os partidos prometem mudanças, os eleitos repetem a mesma fórmula que outros já utilizaram, quando não os mesmos erros e até os mesmos crimes. O eleitor reclama por mudanças e quase sempre elege aqueles que nada mudam.

No corrente Brasil democrático reproduz-se exaustivamente o equívoco de se falar mal dos políticos e de elegê-los vitaliciamente. E Sergipe não é outro mundo.

Desde 1982 acontecem eleições para todos os cargos majoritários estaduais. Os sergipanos votaram nove vezes para elegerem governadores e 13 vezes para elegerem senadores. Parênteses: a primeira eleição para prefeito de capital foi em 1985 e para presidente da República em 1989.

Somente 11 políticos se revezaram nos 22 cargos majoritários estaduais disputados em Sergipe desde aquela eleição de 1982, quando os governadores voltaram a ser escolhidos pelo voto popular.

E desses 11 políticos apenas quatro representaram alguma novidade ou até surpreenderam: José Eduardo Dutra (PT), eleito senador em 1994; Almeida Lima (então no PDT), eleito senador em 2002; Marcelo Déda (PT), eleito governador em 2006; e Eduardo Amorim (então no PSC), eleito senador em 2010.

Jackson Barreto bateu na trave em 1994, quando quase derrotou Albano Franco na disputa para o governo. Naquele momento, seria uma novidade dentre os eleitos. Ele e Valadares são hoje os únicos remanescentes daqueles 11 homens e seus destinos.

Pois na primeira eleição livre, de 1982, João Alves foi eleito governador e Albano Franco, senador. Ambos eram do PDS. Em 1986, Valadares foi o único governador do PFL em meio à quase totalidade dos eleitos pelo PMDB. Lourival Baptista (PFL) e Francisco Rollemberg (PMDB) foram eleitos senadores.

Em 1990, João (PFL) se elege para voltar ao governo e Albano (PRN) se reelege para o Senado. Em 1994, Albano Franco, já no PSDB, se elege governador e Valadares (PP) e José Eduardo Dutra (PT) se elegem senadores.

Em 1998, nada de muito extraordinário acontece. Albano se reelege governador e Maria do Carmo Alves (PFL) ganha o primeiro cargo eletivo e se elege senadora. Seria uma novidade não fosse ela a mulher do velho João Alves.

2002 foi um ano do operário Lula carimbar o passaporte para o poder. Mas por aqui a novidade foi Almeida Lima (PDT) eleger-se para o Senado. Valadares se reelegeu já pelo PSB. E João Alves ganhou o terceiro mandato de governador.

Em 2006, todos viram, João foi fragorosamente derrotado pelo jovem Déda. Mas Maria do Carmo se reelegeu para o Senado. Em 2010, Déda reeleito, Valadares reeleito e Eduardo Amorim (PSC) aparecendo como novidade para o Sendo.

Por fim, em 2014 deu Jackson finalmente governador consagrado nas urnas e Maria do Carmo (DEM) mais uma vez eleita senadora.

Por causa dessa repetição de nomes, na peleja deste ano, à exceção de Valadares e Jackson, que querem disputar o Senado, os demais postulantes a cargos majoritários não deixam de ser novidades.

Se o próximo governador eleito for mesmo Belivaldo Chagas (PSD), Dr. Emerson Ferreira (Rede), Eduardo Amorim (PSDB) ou Mendonça Prado (DEM), como se afigura, Sergipe terá um nome novo no Palácio de Despachos. Embora Belivaldo, Eduardo e Mendonça não representem necessariamente o novo original.

Belivaldo ingressou menino na escola de Valadares, mas se transferiu para o grupo de Marcelo Déda e Jackson Barreto. Eduardo Amorim é cria do próprio irmão, o onipresente Edvan Amorim, que foi alimentado na cozinha de João e Maria, onde aprendeu a fazer política. Mendonça Prado também cresceu bem nutrido na cozinha daquele apartamento na 13 de Julho. Inimigos mortais, ele e Edvan um dia foram concunhados.

Dr. Emerson seria de fato uma novidade. Não se sabe se teria carne suficiente para suportar o desafio de carregar nas costas um Estado em crise.

De olho nas duas vagas do Senado temos também André Moura (PSC), Pastor Heleno (PRB) e Rogério Carvalho (PT).

André seria um outsider não fosse filho de político, Reinaldo Moura, e da velha escola de João Alves Filho e, agora, de Michel Temer. Além de ter aplicado métodos nada inovadores na gestão pública, como ex-prefeito de Pirambu, e na forma de fazer campanha eleitoral.

Heleno também não acrescentaria nada de novo ao Senado, onde seria mais um representante da bancada evangélica. Também se mostrou mal gestor quando prefeito de Canindé de São Francisco.

E Rogério teria perfil moderno não fossem as reincidentes e mal explicadas acusações de administrar com imperícia o dinheiro da saúde quando foi secretário estadual.

Está nas mãos do eleitor espremer o velho limão para tentar fazer uma nova limonada. E depois não reclamar do gosto amargo.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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