A solução final do PT para os miseráveis

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Desde que o então governador Cristovão Buarque (PT) instituiu em Brasília, em 1995, a campanha “Não dê esmola, dê cidadania”, os petistas desvairados – e seus aliados não menos – decidem, sempre que têm oportunidade, por plagiar projetos do gênero pelo Brasil afora, sob a ótica de que a idéia, lançada por um intelectual como o Cristovão, só pode ser mesmo genial e muito eficaz.

Agora uma nova campanha, gerada na prefeitura de Aracaju e apoiada pelo Ministério Público, é relançada na capital sergipana trazendo em seu bojo a mesma essência da intolerância.

O raciocínio é o de que não se deve dar esmolas nas ruas para não deixar que crianças e adolescentes acabem viciados, principalmente porque estariam sendo usados para esmolar por adultos que os instruem.

O argumento é pobre e a campanha simplista, absurda e preconceituosa, por não viabilizar, antes de qualquer outra iniciativa, as soluções para as duas questões mais importantes do tema: uma delas que diz respeito à origem do problema, e a outra relacionada à conseqüência resultante da simplória idéia de não dar esmolas.

Primeiro, seria o estabelecimento imediato dos meios para combater a mendicância em sua origem; segundo, a criação antecipada da alternativa ao resultado mais óbvio que o boicote às esmolas provocará, que será a inanição e morte de mendigos, caso a população vir a aderir em massa a campanha tão pueril e inconseqüente.

Mas ao contrário, ao invés de garantir inicialmente a sobrevivência dos mendigos, que se verão da noite para o dia sem o recurso às esmolas – o que poderia ser feito através da criação de albergues a prover três alimentações diárias a esse pessoal – a prefeitura propõe que o dinheiro despejado rotineiramente em esmolas seja depositado numa conta gerenciada pela PMA, intitulada Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, para que esses recursos sejam redirecionados a ONG’s que realizem projetos sociais aprovados pelo poder público.

         Não, não é cinismo não. Parece que eles estão falando sério mesmo. Acreditam que somos todos uns idiotas. Querem entregar o dinheiro para essas ONG’s duvidosas – que agora mesmo estão na mira de uma CPI –escolhidas a dedo nos governos do PT pelo critério de envolvimento extremo com o petismo e seus integrantes, inclusive financiando campanhas eleitorais com desvio do dinheiro público.

         Ato contínuo, essas ONG’s, que quase nenhuma satisfação dão à sociedade quanto a utilização dos recursos que recebem (mas que garantem muito bem a sobrevivência de seus ditos bem intencionados e filantrópicos donos) – criarão projetos bem burocráticos para beneficiar meia dúzia de mendigos de estrelas vermelhas na testa – dispostos a votar no PT. O resto que se dane.

         Esses iluminados políticos que formam a seita petista de fato encontraram a melhor maneira para tirar das ruas essa mendicância andrajosa, malcheirosa, feridenta e desnutrida, que enfeia a cidade e depõe contra as supostas boas intenções dos governos vermelhos para com os miseráveis.

         Os mendigos terão que se submeter à morte por inanição, ou deverão deixar a cidade se não estiverem dispostos ao suicídio.

Ah, um detalhe: os projetos sociais gerenciados pelas benditas ONG’s serão todos eles destinados a crianças e adolescentes, como enfatizou bem o próprio prefeito Edvaldo Nogueira em seu discurso. Ou seja, de antemão eles já decretaram a migração forçada ou a morte por inanição dos mendigos adultos, já que nem o governo nem a prefeitura dispõem de albergues de alimentação para atendê-los e, sendo assim, não haverá projeto social onde encaixá-los.

Enquanto isso, os donos das ONG’s ficarão mais ricos e a mídia, as gráficas e as agências de publicidade agradecerão os milhares de reais que a prefeitura jogará em campanha tão magnificamente educativa, por meio de out-doors, cartazes e peças publicitárias para jornais, rádios e emissoras de televisão.

Assim o PT vai mesmo extinguir a miséria no estado. Mas da forma mais heterodoxa que se possa imaginar: submetendo os mendigos a uma migração compulsória, ou exterminando fisicamente esses miseráveis. É uma variante criativa, na base da omissão deliberada, da solução final hitleriana aplicada à pobreza extrema de modo inteligentemente passivo.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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