A surpreendente queda de Déda

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Depois de vários meses desfrutando da preferência dos eleitores nas pesquisas de opinião pública, o prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, começa agora a dar sinais de preocupação com a sua possível candidatura a governador nas próximas eleições. E não era para menos. Grande favorito nas intenções de voto há um ano, Déda enfrenta, nos últimos 5 meses, uma queda vertiginosa nos números em relação ao seu principal adversário, o governador João Alves Filho, candidatíssimo à reeleição.

Os números são implacáveis. A larga diferença de mais de 30 pontos percentuais, orgulhosamente apresentada por seus principais aliados às lideranças do interior como forma de trazê-las para o barco das “oposições”, hoje não passa de 6 pontos. O que equivale dizer que Déda e João já estão praticamente empatados na disputa rumo ao Olympio Campos.

É bem verdade que a pesquisa reflete um momento. Mas nesse caso, qualquer análise séria dos números mostra claramente uma tendência de queda nas intenções de voto do prefeito Marcelo Déda em relação a João Alves. Afinal, 5 meses seguidos em trajetória descendente não se traduzem como sendo uma simples variação de ânimo do eleitorado. Muito pelo contrário, os números levam a uma reflexão mais séria sobre o atual quadro político e apontam para um crescimento surpreendente do atual governador.

Na última sexta-feira, conversava com um dos principais aliados de Déda sobre esse quadro apontado pelas pesquisas e pude perceber o quanto isso tem assustado a todos. Ninguém consegue entender o porquê dessa reviravolta nos números, principalmente, agora, quando se observa um crescimento de Lula nas pesquisas de opinião. O que estaria acontecendo em Sergipe?

Muito simples. Apesar do recente esforço do prefeito da capital em se fazer presente em diversos eventos do interior do estado como forma de conquistar a simpatia popular, Marcelo Déda não tem serviços prestados a essas comunidades. Nunca sequer circulou por esses municípios para conhecer de perto os seus problemas (exceto em época de campanha) e ninguém sabe ao certo o que poderá advir do “novo”. O homem do interior – quase sempre desconfiado – prefere apostar em quem conhece e, dificilmente, dará um voto a um ilustre e desconhecido jovem bem intencionado, que pretende com um belo discurso transformar Sergipe em um “paraíso”.

Por outro lado, em Aracaju, principal reduto de Marcelo Déda, a imagem de João Alves melhorou consideravelmente a partir das obras de infra-estrutura que estão sendo tocadas a toque de caixa e repique de sino. E isso vem dividindo a opinião do eleitorado na capital que está cansado de ver apenas o prefeito pintando calçadas e cuidando de praças. Quando não está viajando para Brasília em busca de recursos que nunca chegam.  

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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