Abertura para o diálogo

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Ontem, durante entrevista que concedeu a jornalistas, onde relatou a viagem à Europa, o governador João Alves Filho (PFL) surpreendeu ao falar mais abertamente sobre política e esboçar um pragmatismo que lhe é natural. João é candidato à reeleição, ninguém tem dúvida, mas até então não havia falado tão diretamente sobre composições políticas para 2006. Disse que respeitava a posição da senadora Maria do Carmo Alves (PFL) e a legitimidade de disputar a continuidade no Congresso, mas deixou claro que não é ele que vai definir a coligação que fará em 2006: “quem vai decidir é a verticalização e a posição que o PFL adotar a nível nacional”. João deixou claro que não acredita na mudança da regra do jogo eleitoral para o próximo ano. Foi objetivo: “tenho que me submeter à decisão do meu partido e não importa a legenda que poderemos compor”. Depois daí citou o nome de um partido que até 30 dias atrás parecia impossível: “inclusive o PSDB”.

 

Mesmo participando de uma solenidade ao lado do amigo João Carlos Paes Mendonça, o ex-governador Albano Franco (PSDB) teve uma rápida conversa telefônica com Plenário. Foi-lhe relatada as declarações do governador João Alves Filho e Albano não teve meias palavras: “entendo também que nós vamos seguir a orientação nacional”. Os pensamentos se encaixam e o ex-governador lembrou que na convenção nacional do partido, que elegeu Tasso Jereissati para comandar o tucanato, estavam lá pefelistas históricos como os senadores Jorge Bornhausen (seu presidente) e Antônio Carlos Magalhães, além de outros nomes importantes do partido, que já estão se entendendo a nível nacional. Albano deixou bem claro que “no plano estadual nada foi definido”, mas lembrou que no dia 3 de dezembro estará em Aracaju toda a cúpula nacional do PSDB, onde muita coisa será posta à mesa. Um auxiliar do governador João Alves se animou com a possibilidade e levantou a hipótese dele comparecer à reunião, assim como fizeram Bornhausen e ACM na convenção em Brasília.

 

Quanto a uma composição com o PFL, o ex-governador Albano Franco talvez tenha se manifestado pela primeira vez, assim como o fez João Alves Filho. Segundo ele, “não será fácil, mas impossível também não”, e continuou: “política é conversa, é diálogo e é composição” e concluiu: “por enquanto estamos em estado de independência”.

 

Um reencontro político entre João Alves Filho e Albano Franco vem sendo tratado por articuladores políticos com muito cuidado e há certo tempo. A possibilidade foi se estreitando em razão da união do PFL e PSDB em Brasília, para fazer oposição direta e ferrenha ao presidente Lula da Silva. A questão da verticalização parecia selar uma composição em todo o país para barrar o crescimento do Partido Político. Na visão do pessoal que trabalha para uma aproximação dos dois, Sergipe não seria uma ilha nas decisões políticas adotadas pela cúpula dos dois partidos. Lógico que a posição da senadora Maria do Carmo Alves, que tem o direito de disputar sua permanência no Senado, pode ser obstáculo para um acordo, porque o ex-governador Albano Franco também quer retornar ao Congresso como senador. Mas, como diz o governador João Alves Filho, quem vai decidir é o quadro nacional e, inevitavelmente, PSDB e PFL estão juntos nesta empreitada pela retomada do Planalto.

 

O bloco da oposição trabalhou pesado para ficar com Albano, mas a situação nacional realmente complicava. Jackson Barreto, Valadares e o próprio Déda sempre mostraram interesse em trazer o ex-governador Albano Franco e seu grupo para fortalecer o grupo oposicionista. Mas setores do PT anunciaram que não votariam nele para o Senado, enquanto aliados de Albano lamentavam que o PT os queria apenas para segurar a escada e coloca-lo no poder. Recusaram isso e apelaram para que o tucano lançasse uma chapa majoritária. Ontem, o programa do PT deixou claro que o adversário real é João Alves Filho, mas deu ênfase ao trabalho de Dutra na Petrobrás, destacando as realizações da estatal em Sergipe, praticamente anunciando sua candidatura ao Senado, que é esse o desejo dos petistas, inclusive de Marcelo Déda, que já declarou em algumas oportunidades que tinha esse compromisso com Dutra.

 

A partir de agora e até o dia 3 de dezembro é possível que um novo quadro seja delineado na conjuntura política do Estado.

 

 

SÓ O VICE

Segundo um dos integrantes do bloco da oposição, o deputado federal Jackson Barreto (PTB) e Rosalvo Alexandre querem o ex-governador Albano Franco (PSDB) como aliado.

Entretanto não o desejam candidato ao Senado. Sugerem que Albano indique o vice-governador na chapa de Déda e dispute a Câmara Federal.

 

PREJUDICA

A mesma fonte disse que se Albano for candidato a deputado federal ele ajudará a fazer pelo menos mais dois parlamentares para o PSDB.

Isso colocaria em risco candidatos que estão no bloco de apoio a Marcelo Déda, desde quando tentar a eleição de José Eduardo Dutra ao governo.

 

ENCONTRO

Dia 3 de dezembro a direção nacional do PSDB, da qual faz parte o ex-governador Albano Franco, terá uma reunião política em Aracaju.

Se seguir o ritmo da convenção que elegeu Tasso Jereissati, os discursos serão de críticas fortes ao Partido dos Trabalhadores e o presidente Lula.

 

VERTICALIZAÇÃO

Está praticamente certo que a verticalização vai cair na Câmara Federal, antes do recesso parlamentar. Há um grande movimento sobre isso.

Sem a verticalização quase todos os problemas estarão solucionados, principalmente para quem tinha dificuldade de coligação proporcional.

 

IRONIA

O governador João Alves Filho (PFL) ironizou, ontem, quando um repórter perguntou sobre a intenção do prefeito Marcelo Déda de proibir o “Pró-Mulher, Pró Família” em Aracaju.

“Como disse Napoleão Bonaparte, nunca atrapalhe o adversário quando ele está errando”. Lembrou que o programa é bem aceito por 99% dos aracajuanos.

 

ESCOLHA

João Alves Filho esclareceu que o Pró-Mulher “é o principal responsável pelo fato de o Brasil ter sido escolhido na China entre 160 países para sediar a Cúpula Mundial da Família”.

O encontro será realizado em dezembro e terá a presença de representantes internacionais que reconheceram o programa como exemplo no mundo.

 

ENCERRA

Será quinta-feira o último dia de campanha em Capela, onde alguns comícios estão sendo programados.

A oposição vai se deslocar para lá. Até o senador Valadares virá de Brasília para participar do comício de Manoel Messias Sukita (PSB).

 

CAMPANHA

O prefeito Marcelo Déda disse, ontem, que há uma cobrança dos seus aliados para que ele inicie a campanha como candidato ao governo do estado.

Déda pede calma e diz que há tempo para tudo. Primeiro tem que cumprir o calendário administrativo e no período certo entrará na luta: “não fugirei dela, fiquem certos disso”, disse.

 

CONFRONTO

Marcelo Déda disse que ninguém vai poder evitar o confronto entre ele e o governador João Alves Filho: “isso está escrito”, prevê.

Reconhece que será uma disputa difícil, mas admite que não dá para evitar essa disputa, porque sente que é isso que o povo quer.

 

PROGRAMA

O Partido dos Trabalhadores, através do seu programa, deixou claro o mote da campanha: “a renovação e o combate ao que chama de mesmice”.

Deixou claro que José Eduardo Dutra será o candidato do PT ao Senado Federal, assim como já havia anunciado o prefeito Marcelo Déda.

 

HELENO

O deputado federal Heleno Silva (PL) acha que muita coisa ainda pode mudar até 2006, porque nada está definido sobre as regras eleitorais.

Ele preferiu não fazer nenhuma previsão das eleições de 2006 e se mantém no bloco da oposição, onde pode tentar a reeleição ou um mandato majoritário.

 

SÉRGIO

O secretário da Agricultura, Sérgio Reis (PFL), disse ontem que ainda dará “muitas dores de cabeça à oposição, principalmente ao prefeito Marcelo Déda (PT)”.

Lembrou que seu pai, Jerônimo Reis, é prudente e paciente: “mas sou diferente e não vou calar diante do que esse pessoal está fazendo para boicotar o avanço social de Sergipe”.

 

PEDIDO

Dois deputados estaduais vão sugerir ao governador João Alves Filho que os auxiliares candidatos nas eleições de 2006 deixem o mandato a partir de primeiro de janeiro.

Acham que, nos cargos, os secretários têm maiores condições de chegar aos eleitores e maior facilidade para chegar ao eleitorado.

 

ZEZINHO

O presidente do Sebrae, José Guimarães (PSC), candidato a deputado federal, diz que o órgão que administra é fiscalizado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Tira dúvida de alguns dos seus adversários que fazem perguntas sobre a quem o Sebrae tem que prestar contas do que executa e dos seus gastos.

 

 

Notas

 

CONTRIBUIÇÃO-1

Os partidos políticos poderão ser proibidos de cobrar contribuições de seus filiados ocupantes de cargos na administração pública, conforme prevê o projeto de lei do Senado. A proposta permite, os partidos estabelece limites à participação em instâncias decisórias dos filiados que optem por não fazer contribuições pecuniárias.
O Partido dos Trabalhadores, por exemplo, cobra anualmente de seus filiados com cargos de confiança 1% do salário bruto. Os detentores de cargos eletivos – de vereador a governador – contribuem com 20% dos vencimentos.

 

CONTRIBUIÇÃO-2

Mas não se trata apenas do Partido dos Trabalhadores, as demais legendas também cobram taxa partidárias de filiados que tenham mandatos e, quando estão no poder, também descontam no contra-cheque um percentual – inclusive superior a 1% – de quem exercer qualquer função dentro do estado ou município.

Em Sergipe mesmo, até quem tem o mais simples CC desconta para o partido, mesmo que não seja filiado a ele. Assim acontece com os auxiliares de todos os escalões e dos vereadores, prefeitos, deputados e até governador.

 

VEREADORES

Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pode votar ainda nesta semana a admissibilidade da PEC 333/04, do deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS), que limita o número de vereadores das câmaras municipais de acordo com a população. A proposta cria 25 categorias para definir a composição dos legislativos municipais.
No ano passado, o TSE, por meio da resolução 21702/04, cortou 8.562 vagas de vereadores em todo o País. Biscaia disse que, devido ao “interesse político”, a matéria será analisada em um curto espaço de tempo.

 

É fogo

 

A deputada Susana Azevedo (PSC) que acompanhou o governador à Europa, disse que é uma correria muito grande para cumprir agendas.

 

O ex-governador Albano Franco (PSDB) está começando a manter contatos com lideranças do interior e a freqüentar as festas populares.

 

O prefeito de Areia Branca, Ascendino Souza (PSB), conseguiu pagar uma folha de pagamento do ano 2000, deixada pelo seu antecessor.

 

O senador Antônio Carlos Valadares (PSB) conseguiu recursos da União, para que Areia Branca tenha um restaurante comunitário.

 

O ex-deputado federal Jerônimo Reis (PFL) vem trabalhando no interior, costurando acordos para chegar até à Câmara Federal a partir de 2007.

 

O vereador Juvêncio Oliveira (PFL) está cobrando do prefeito Marcelo Déda (PT) que cuide melhor do conjunto Augusto Franco.

 

De olho nos votos do  para deputado estadual, o senador Sandro de Miro apresentou projeto de lei, determinando que os supermercados atendam os consumidores no máximo em 20 minutos.

 

É bom lembrar que a lei dos 15 minutos para os bancos está aí, mas ninguém cumpre. As agências bancárias não melhoraram o atendimento, apenas o Banese procura cumprir a lei.

 

O presidente da Câmara de Vereadores, Zeca Ramos, viaja hoje a Fortaleza para participar do Encontro de Presidentes de Câmara Municipais.

 

O vereador Daniel Fortes (PSC) está cobrando do prefeito Marcelo Déda (PT) que construa sanitários públicos nas praças de Aracaju.

 

O secretário do Esporte e Lazer, Carlos Batalha, está animado com o Festival de Verão que realizará na orla de Atalaia.

 

O conglomerado Unibanco ocupou a primeira posição no ranking das instituições financeiras que mais receberam queixas de clientes em outubro.

 

brayner@infonet.com 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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