Academia Sergipana de Medicina – 20 anos na História

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No artigo anterior, contei pra vocês um episódio marcante na vida de Gileno Lima, presidente de honra da Academia Sergipana de Medicina

Geraldo Milton com o Medalhão da Academia Sergipana de Medicina, em 2004

que foi o de trazer de volta ao Hospital Santa Isabel, em 1962, o médico Augusto Cezar Leite, para inaugurar as novas instalações do centro cirúrgico e, dois anos depois, em 1964, dessa vez para as comemorações do Jubileu de Ouro da primeira cirurgia abdominal feita em Sergipe, pelo notável cirurgião, em 1914.
   De espírito irrequieto, mesmo já aposentado, Gileno Lima não se afasta das atividades médicas e cabe-lhe, em 1994, desencadear o processo de fundação da Academia Sergipana de Medicina. Instigado pelo primo e médico baiano Geraldo Milton da Silveira, Gileno viaja a Salvador para um encontro com ele. Geraldo Milton presidia àquela época a Academia de Medicina da Bahia. Entusiasmado com a ideia de ver fundada a congênere sergipana, o ilustre esculápio baiano fornece-lhe estatutos da coirmã baiana e de outras congêneres,  alimentando-o com preciosas informações. De volta a Aracaju, Gileno forma uma comissão, composta pelos médicos Cleovansóstenes Aguiar, Alexandre Menezes, Hugo Gurgel, Osvaldo de Souza, José Leite Primo e Lauro Porto, para compor os primeiros quadros de patronos e outras providências devidas.
   Convidou-me então para ser um de seus fundadores, após eu colocar, na condição de presidente da SOMESE, toda a infraestrutura da entidade à disposição da comissão. Gileno sempre ressaltava esse fato. Dizia que o meu nome já estava há muito tempo aprovado em função da minha atuação em prol da categoria mas, na oportunidade, ele omite a informação. Somente depois da minha decisão, ele me comunica o fato.
   Gileno Lima poderia ter sido o primeiro presidente. Aliás, deveria. Declinou por humildade e amor à Academia. Queria que outros colegas compartilhassem desse momento de alegria e realização. No seu discurso, ele faz um histórico de todos os passos e ações para que a Academia se tornasse realidade. Traça um breve perfil de cada membro fundador e é aplaudido de pé pela assistência que lota o auditório.
   Em toda a história da Academia, foi um dos mais assíduos atores, vibrando com todas as suas ações e conquistas e se colocando sempre à disposição para colaborar no que fosse preciso. Tínhamos muito em comum. Fomos amigos e conselheiros. Trocávamos ideias e preocupações. Em várias ocasiões encontrávamos na livraria que eu mantinha na SOMESE e  ficávamos ali, por horas a fio, alimentando sonhos, escalando montanhas, cruzando  rios, perseguindo todos os arco-íris, sonhando com dias cada vez melhores para a nossa Academia.
   Gileno Lima partiu para a sua última morada em 5 de maio de 2006, privando-nos da sua companhia experiente e conciliadora. Mesmo sem a presença física, a sua obra permaneceu,  eterna e imortal a nos guiar, como facho de luz iluminando os nossos caminhos.
   Não poderia, do mesmo modo, deixar de falar de Geraldo Milton da Silveira
(foto). Nesse momento, é imperativo e dever de honra. De temperamento afirmativo e rígido defensor das suas teses e princípios, Geraldo esteve, ao longo de sua vida, sempre à frente das lutas e iniciativas das entidades médicas associativas, científicas e culturais da Bahia. Presidiu a Federação Brasileira de Gastroenterologia e a Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Membro da Sociedade Brasileira de História da Medicina, comandou com brilhantismo o congresso nacional da entidade em Salvador. Foi também presidente da Academia de Medicina da Bahia e um dos mais atuantes e ferrenhos defensores da vetusta Faculdade de Medicina do Terreiro de Jesus, a primeira escola médica do país, lutando pela sua recuperação e preservação. Era um entusiasta em tudo que fazia e muito rigoroso no cumprimento dos princípios que defendia.
   Mas o que eu gostaria mesmo de chamar a atenção é para a sua relação com a medicina de Sergipe. Ele notabilizou-se como um dos principais artífices para a fundação da nossa Academia, fornecendo a Gileno da Silveira Lima, seu primo e fraternal amigo, todas as informações necessárias para o processo de sua criação, fato que me parece justo ressaltar.
   Na sessão festiva de  instalação da nossa Academia, em 9 de dezembro de 1994, na condição de presidente da Academia de Medicina da Bahia, ele proferiu importante discurso de saudação aos seus confrades sergipanos. Veio da Boa Terra chefiando expressiva delegação, com destaque para os doutores Thomaz Rodrigues Porto da Cruz, filho ilustre da terra de Tobias Barreto, Alberto Serravalle, José Ramos de Queiroz, um dos fundadores da coirmã baiana e a professora Maria Tereza de Medeiros Pacheco, professora de Medicina Legal da Universidade Federal da Bahia.
  No discurso, Geraldo manifestou a sua grande satisfação em poder estar naquele momento testemunhando o nascimento de mais uma nova academia de Medicina e, sobretudo, a sergipana, para a qual deu todo o seu apoio e entusiasmo.
  Um ano após, em 1995, retornou para as comemorações do primeiro aniversário da Academia, assim se repetindo por ocasião dos festejos dos cinco anos de fundação e finalmente, pela quarta e última vez, na sessão comemorativa do primeiro decênio, ocorrida em 9 de dezembro de 2004, liderando novamente  outra delegação de notáveis baianos. Por tudo que fez pela criação e desenvolvimento da nossa Academia, Geraldo Milton da Silveira foi distinguido com o título de Sócio Emérito.
  O exemplo de vida de Geraldo Milton da Silveira, falecido em Salvador, com 81 anos, em 30 de julho de 2006, curiosamente quase três  meses após a morte do primo, Gileno Lima, permanecerá sempre presente para todos os que tiveram o privilégio de conhecê-lo e para os mais jovens, um caminho a ser seguido.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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