Ação do comitê

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O Comitê 9840 foi criado pela Ordem dos Advogados do Brasil – OAB -, ao lado do Conselho de Leigos – Conal -, para apurar o abuso do poder econômico nas eleições deste ano. A iniciativa é, acima de tudo cidadã, mas não dá para apurar alguma coisa sem sair do lugar. Tem que Fiscalizar. O número que registra o Comitê é o da lei aprovada pelo Congresso, que fiscaliza a corrupção eleitoral. O projeto, que saiu da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB -, é de uma importância fundamental para tornar um pleito mais transparente, igualitário, sério e sem privilegiar quem tem mais recursos para a compra de votos. Como todos os demais projetos que viraram lei e ninguém quer saber e nem cumpre.

 

Para um movimento dessa natureza obter o menor êxito, teria que convocar o Ministério Público e as forças policiais, para fiscalizar com rigor a compra descarada de votos que acontece a um palmo do nariz de qualquer autoridade. Neste período, quando se chega na reta final das eleições, o dinheiro corre solto. Vamos dar como exemplo uma cidade de grande porte: Lagarto. Lá, na segunda-feira, quando ocorre uma das maiores feiras livres da região centro sul, o voto é vendido como farinha. Oferecido aos clientes de forma abusiva e descarada, sem qualquer problema. Os candidatos têm os seus compradores, que comparecem com sacos cheios de notas de R$ 2 e R$ 5, para adquirir o documento e só liberá-lo no dia do pleito.

É uma coisa absurda, mas já faz parte do folclore da região…

 

Evidente que se vende a quem oferecer mais e o negócio é fechado nos comitês eleitorais, como se fosse um apenas um objeto. Qualquer um fiscal desse Comitê 9840, se permanecer por apenas 30 minutos em comitê de candidato majoritário ou proporcional, na capital e interior, vai flagrar centenas de compras de voto. Neste período falta tudo nas casas de um eleitorado viciado e o candidato paga energia elétrica atrasada, botijão de gás que faltou, água, óculos, dentaduras, remédios, além do alimento e transportes. É um mercado sujo, mas que não chega, jamais, à justiça e passa despercebido pelo Ministério Público. Se todos trabalhassem para flagrar esse derrame de títulos que se pratica nos comitês, dificilmente haveria candidato em condições de disputar as eleições.

 

Em Aracaju, que é onde existe maior movimento, existem dois ou três candidatos que estão gastando milhões para eleger-se vereador. Capricho dos pais, que não medem valores para colocar o filho numa Câmara Municipal, cujos salários, juntando 10 anos, não dão para cobrir os gastos da primeira campanha. Evidente que a compra do voto é uma aplicação, porque um mandato dá lucros a quem está no legislativo para também vender sua consciência. Os processos de abuso do poder econômico geralmente só são vistos nos candidatos majoritários, quando se exibem vários trios elétricos, cantores famosos, que cobram o triplo do cachê normal quando se trata de atração política, um banho de material gráfico, além de camisas e outros penduricalhos que identificam candidaturas. Esse todo vale milhões. Entretanto é a publicidade para atrair votos que, mesmo com emprego abusivo de recursos, não é corrupção.

 

Nos comitês, em algumas visitas que se faz a lideranças comunitárias, os contatos com os cabos eleitorais, aí sim: é corrupção total. O dinheiro vai de mão em mão por troca de títulos e, conseqüentemente, por um mandato sem qualidade, sem responsabilidade com a sociedade que representa. O que pensa o Comitê 9840 da chamada “boca de urna”. São eleitores carimbados, que se registram nos comitês e deixam cópia dos títulos, para conferência quando abrir as urnas. Um cidadão desses, que passa o dia todo convocando eleitores para o candidato que lhe paga, ganha, no máximo, R$ 10 e um lanche com refrigerante na hora do almoço, além de ter que ceder o voto, mesmo que não seja à pessoa de sua vontade. Lógico que se não votar no sujeito que lhe paga nada vai acontecer, mas há o convencimento de que são capazes de identificar aquele que falhou.

 

Está claro que os jovens, as senhoras e os senhores que se submetem a fazer boca de urna, são pobres que não têm nada. São desempregados. Pessoas miseráveis que moram nas periferias e se submetem a qualquer tipo de humilhação, para conseguir algum dinheiro. É verdade que vendem o voto. E daí? Venderiam qualquer outra coisa, até o corpo, como o fazem tantas adolescentes que já não têm noção de dignidade. Aliás, honestidade, dignidade e disposição para qualquer tipo de criminalidade, estão muito abaixo dos sentimentos do estômago. Sem comida, não se pode cobrar cidadania e é num caso desse que a corrupção, lamentavelmente, é a salvação para quem convive com o “não ter, mas ter que ter pra dá”.

O Comitê 9840 não saiu das publicações de jornais, porque não dá para fiscalizar e às vezes sente dificuldade de punir quem corrompe os “mortos de fome”…

 

ALMEIDA

O senador José Almeida Lima (PDT) cancelou todos os contatos com os membros do PSDB. É possível que desista de ingressar no partido.

Almeida Lima viaja a Brasília hoje pela manhã, mas não vai tratar do assunto de filiação no PSDB com mais ninguém.

 

CONVERSA

“Pediram-me para estabelecer uma conversa com o ex-governador Albano Franco (PSDB), mas senti que isso é um pleito dele ou de quem o acompanha”, disse Almeida.

Almeida acha que não tem razões para conversar com Albano Franco, “porque meu aliado é o governador João Alves Filho”.

 

ARROGANTE

O senador Almeida Lima disse que aceitou uma conversa com o ex-governador Albano Franco para não parecer que era arrogante ou que vetava alguém.

Sentiu, entretanto, que “o ex-governador quer retornar à mídia e fica colocando dificuldade para ter essa conversa”, desabafou,

 

MOVIMENTO

Deputados de Sergipe iniciaram ontem a movimentação contra a transposição do rio São Francisco, já decidido pelo presidente Lula da Silva.

O deputado João Fontes vai reunir políticos de Alagoas e das regiões ribeirinhas para fechar a ponte que liga Sergipe a Alagoas, em Própria, em sinal de protesto contra a transposição.

 

ONDA AZUL

Nestes próximos 20 dias que faltam para a realização do pleito, uma onda azul vai invadir Aracaju, em favor da candidatura da deputada Susana Azevedo à Prefeitura de Aracaju.

O objetivo é ganhar indecisos e levar a candidatura para o segundo-turno. Estes últimos dias serão de muita movimentação.

 

ATALAIA

Chegar à Atalaia, domingo, se transformou um verdadeiro inferno. Todos os candidatos estavam com carros de som e trios elétricos na orla.

Além de alguns vereadores que fizeram a festa na praia. Ainda não está comprovado que esse tipo de manifestação acrescente algum voto para o candidato.

 

BALEADO

Um jovem foi baleado na multidão que acompanhava o trio elétrico que fazia campanha do prefeito Marcelo Déda e houve um certo tumulto.

O cantor do trio da candidata Susana Azevedo provocou: “o vermelho do sangue que corre desse jovem é do Partido dos Trabalhadores”.

 

INDIGNADO

O prefeito Marcelo Déda, que estava em um dos barzinhos da passarela do caranguejo, quis reagir, mas a turma não deixou que ele fosse até o trio adversário.

Depois o candidato Marcelo Déda subiu no trio de sua coligação e fez um discurso. Ocorreu muita confusão e a campanha ficou acirrada.

 

TIROTEIO

À tarde, no terminal de ônibus da Atalaia, completamente lotado, um policial e um tenente à paisana trocam tiros com dois marginais.

Em pleno tiroteio, três balas perdidas atingem inocentes: uma senhora, que morreu na hora, e duas crianças que estavam feridas. A polícia sabe que onde tem multidão não se troca tiros.

 

SKATISTA

O skatista Fabrizio Cara de Sapo, que estava em Los Angeles, viria para a inauguração da pista de skate de Orla. A passagem de ida volta foi enviada e a presença confirmada.

Sexta-feira passada, dia da inauguração, o skatista comunicou que não poderia vir a Aracaju, quando o pessoal já o esperava no aeroporto.

 

MUDANÇAS

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) acha que o governador João Alves Filho jamais trocará o partido por outra legenda.

João participa da Executiva Nacional e tem influência nas decisões partidárias. Machado acredita que até 2006 muita coisa pode mudar, menos João de partido.

 

MUDA SIGLA

Entretanto, segundo o noticiário nacional, o PFL tende a mudar o nome da legenda e se transformar em Partido da Liberdade e da Cidadania (PLC).

Essa mudança ocorreria em convenção no início de 2005. Um grupo mais tradicional do PFL é contra a extinção do partido e pode continuar com a sigla em atividade.

 

JORGE

O candidato a prefeito pelo PMDB, deputado federal Jorge Alberto só viaja a Brasília quando o líder do seu partido na Câmara, José Borba, lhe chamar.

Disse que pode ser amanhã ou depois, porque a pauta de votação está trancada, por obstrução “de todos os partidos”.

 

VENTINHA-1

O processo sobre a morte do vereador “Ventinha” diz que o acusado de tê-lo assassinado fugiu misteriosamente do Cenam.

Nada de misteriosamente, ele fugiu com a facilidade que lhe foi dada, dentro do aparente acordo para o assassinato do vereador, que não teve muita eficiência policial no caso.

 

VENTINHA-2

Até agora não se conhece qualquer movimentação da polícia para prender o acusado e nem para descobrir onde se encontra o outro sujeito que estava dentro do carro.

Não se fez uma apuração técnica do assassinato e, pela característica, foi mais uma queima de arquivo, que ficará esquecida nos registros policiais.

 

 

Notas

 

TEMER

O presidente nacional do PMDB, Michel Temer, deixou Aracaju, no sábado pela manhã, satisfeito com o que viu em favor do candidato do seu partido, Jorge Alberto. Ele participou de uma passeata que, segundo avaliação do partido, tinha cinco mil pessoas. Jorge relatou a Temer todas as dificuldades que vem enfrentando.

Jorge Alberto diz que sua campanha está crescendo e os eleitores já começam a gritar o “Agora é 15!” O candidato pemedebista recebeu telefonema do líder do partido, José Borba, satisfeito com a sua candidatura.

 

MOVIMENTO

O pessoal do chamado Movimento 25, que mobilizou a campanha do então candidato a governador João Alves Filho (PFL), vai começar a ressurgir a partir desta semana, com outro nome, mas com o mesmo objetivo. Segundo um dos seus integrantes, as camisas já estão prontas e deve cair em campo já.

O objetivo do movimento é mostrar que pode fazer um estrago na festa dos adversários e trabalhar para reverter o quadro em favor da candidata Susana Azevedo. Quer assegurar o segundo turno e forçar a vitória.

 

SHOWMÍCIO

A militância petista também está se movimentando e, domingo passado, avermelhou na praia de Atalaia. O prefeito Marcelo Déda fez discurso em cima do trio elétrico e convocou o pessoal para o comício, na praça do Siqueira Campos, com a presença do cantor Edson Gomes. Será uma grande explosão.

O Partido dos Trabalhadores também está dando uma movimentação à campanha, porque já se entrou na reta final para as eleições. Restam apenas dois finais de semana e os candidatos não têm mais tempo a perder.

 

É fogo

 

A multidão que compareceu domingo na praia de Atalaia deu uma massacrada no gramado e estragou os jardins da nova orla.

 

Enquanto passavam os trios, o governador João Alves Filho almoçava com o filho, João Neto, em um restaurante da orla.

 

A Igreja Universal explica que a entrada no Batistão, no dia 7 de setembro, foi gratuita. Plenário informou a cobrança de R$ 10,00.

 

O candidato do PMDB, Jorge Alberto, acusa que as duas máquinas – municipal e estadual – estão muito fortes em favor dos seus candidatos.

 

O governador João Alves Filho passou todo o final de semana participando de comícios em cidades do interior.

 

O deputado suplente Jorge Araújo (PSDB) assume caso a deputada Maria Mendonça ganhe as eleições em Itabaiana.

 

Falta combustível para os 56 candidatos das coligações que apóiam Solange dos Anjos (PSDB), na sucessão municipal da Barra dos Coqueiros.

 

Os deputados federais José Carlos Machado (PFL) e Ivan Paixão (PPS) falaram no comício de Susana Azevedo na área de eventos da orla.

 

A pastora Claudia Andrade, candidata a vice na chapa de Susana Azevedo, movimenta bem as massas em cada comício que faz.

 

Esta semana, em Brasília, haverá conversa nova sobre a questão do PSDB sergipano. É só aguardar para ver.

 

A partir de 1º de outubro deste ano o período de apuração do IPI passará a mensal para a maioria dos produtos (hoje é quinzenal).

 

A indústria de bens de consumo deve voltar a bater recordes de vendas, como aconteceu no período pós-Real, assim que o trabalhador recuperar o poder aquisitivo.

 

Por Diógenes Brayner

brayner@infonet.com.br

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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