Acerto de contas

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Eu hoje mato aquele peste nem que um raio da silibrina queira me impedir! De hoje não passa, juro pelo que é mais sagrado na terra!Enquanto dizia isso, esbravejando diante dos dois amigos sentados em um banco de madeira em frente à sua casa em seu sítio da Catimbeira, Varjão limpava o revólver calibre 38, enferrujado, com uma estopa suja que um dia fora branca.Encostada na parede, uma velha espingarda, cano fino.

Varjão se referia ao seu vizinho, Orozimbo, com quem brigara por dá cá aquela palha.Homem de compleição forte, sempre era dado a umas brigas e troca de desaforos, ora com um, ora com outro.Aconselhavam: o compadre não precisava se arreliar tanto por tão pouca coisa, o que é uma conversa que você nem ouviu e já foi repassada por outro? E se esse outro mentiu, hem? hem? A notícia da briga era comentada e alguns já apostavam.

É hoje! Vou acertar as contas com aquele cabra fedorento! Quando acabou de gritar isso, o amigo pinicou um olho para o outro e disse: precisava de uma garrafinha da boa, agora! Eu não tenho, disse Varjão. Então, eu vou buscar. E foi, morava ali na vizinhança.

Quando retornou, vinha conversando alegre demais, denunciando a cachaça que tomara. Garrafa na mão, vinha acompanhado de um amigo, o Oró, nada mais nada menos que o tal Orozimbo, jurado de morte por Varjão.Que é que é isso? Perguntou Varjão, espantado.Pois é, disse Oró, sabe aquela vaca que você tem, que dá pouco leite? Eu ofereci pra dona Zefa comprar, preço bom, se você quiser vende!

Os quatros homens sentaram-se, Varjão fora buscar umas canecas e alegremente falavam de negócios. Furaram a noite numa só algaravia. De dentro da casa, vinha uma voz de mulher: calem a boca, cachaceiros!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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