Afinal, João será candidato?

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A pergunta que o mundo político faz é: João Alves Filho será candidato? Torcendo a favor ou contra, do DEM ao PCdoB o que todos querem saber é se o ex-governador por três vezes terá mesmo coragem, disposição ou interesse de se lançar candidato ao cargo onde debutou na política em 1974, de prefeito de Aracaju.

A questão crucial é a sobrevivência política. O que é melhor para João, que há pouco saiu de uma derrota para o menino Marcelo Déda: é não correr risco e permanecer quieto, preservando-se para a eleição de 2010, quando poderia postular mais uma vez o governo do Estado; ou atirar-se na disputa para tentar conquistar parcela do poder perdido na eleição de 2006?

João tem pesado muito por todos os motivos, mas, principalmente, porque sabe que o risco é grande: se for derrotado para Edvaldo Nogueira poderá decretar o fim da carreira política. E as chances de perder são tão grandes quanto às de vencer.

 

JOÃO ALVES AINDA É DONO DE UM PODEROSO ELEITORADO na capital, que, proporcionalmente, já foi maior. Das cinco eleições que disputou para governador, somente na primeira ele venceu em Aracaju. Foi em 1982, quando obteve a expressiva maioria correspondente a 57,97% dos votos, derrotando o ex-senador Gilvan Rocha.

Em 1990, quando foi eleito governador de novo, ele obteve 31,06% dos votos, perdendo a eleição na capital para o “forasteiro” José Eduardo Dutra, que ficou com 34,91% dos votos.

Em 1998, quando foi derrotado para o senador Albano Franco, João teve o seu pior desempenho em Aracaju, conquistando no primeiro turno somente 23,94% dos votos, contra 29,33% do vencedor e 22,18% do terceiro colocado, o senador Antônio Carlos Valadares. Uma curiosidade: no primeiro turno de 1998, João obteve menos votos até do que os obtidos em 1982, que foram 57.187. Em 1990, ele obteve 59.805 votos na capital.

Em 2002, João Alves voltou a se eleger governador, mas foi mais uma vez batido em Aracaju por José Eduardo Dutra, que obteve 40,04% dos votos. João obteve 29%. Nessa eleição havia outro candidato forte, Francisco Guimarães Rollemberg, que conquistou 17,32% dos votos na capital.

Por fim, em 2006, quando a disputa ficou polarizada entre ele e Marcelo Déda, o então governador João Alves obteve a sua melhor votação, em termos absolutos, na capital: conquistou 114.655 votos, ou 38,10%. Déda arrebatou a eleição logo no primeiro turno, com 50,46%, ou 151.875 votos.

 

VOTAÇÕES DE JOÃO ALVES EM ARACAJU

Eleição

Total de votos

Porcentagem votos válidos

1982

57.187

57,97%

1990

59.805

31,06%

1998*

54.204

23,94%

2002*

75.768

29,00%

2006

114.655

38,10%

* 1º Turno – Fonte: TRE

 

ENTRAR NUMA DISPUTA COM TEÓRICOS 38% DO ELEITORADO não é de se desprezar. Mas há que se considerar que o mundo é redondo e dá voltas, como bem diz o espirituoso Albano Franco. E nesse curto lapso de um ano e meio, muita coisa aconteceu. E muita coisa negativa ocorreu na vida de João Alves Filho.

Primeiro, foi a própria derrota eleitoral quando ele mesmo era o governador, comandando com a autoridade reconhecida uma gigantesca máquina estadual.

Depois, em maio de 2007, estourou a Operação Navalha e o filho João Alves Neto foi algemado pela Polícia Federal e exposto como um bandido comum. Além de o escândalo envolver diretamente o seu governo, pois tinha como protagonistas pessoas ligadas a ele, inclusive ex-secretários, como Flávio Conceição de Oliveira Neto, João sofreu muito com a humilhação da prisão do filho.

Aí veio a misteriosa doença da senadora Maria do Carmo, esteio da família e quem estava segurando todas as barras do Alves. Boa parte do tempo de João tem sido ocupado com o problema de Maria.

Mas, como se não bastasse, ele próprio acaba sendo denunciado pelo Ministério Público Federal, acusado de envolvimento com o esquema montado pelo corrupto Zuleido Veras, da Construtora Gautama.

 

TERÁ JOÃO FORÇAS PARA SUPERAR TANTOS PERCALÇOS e se lançar numa disputa tão acirrada e de êxito difícil de prever? Alguns fatores o ajudam. Um deles é a inexperiência eleitoral de Edvaldo Nogueira — mas o prefeito tem a seu favor o fato de estar montado na máquina municipal, apoiado pelos governos estadual e federal, e a histórica preferência do eleitorado aracajuano pelo candidato mais identificado com a esquerda.

Outro fator pró-João é que o aracajuano não gosta muito de votar na situação, que hoje, por essas voltas que o mundo dá, é representada pelo governador Marcelo Déda e pelo próprio Edvaldo. E há o fator imponderável, mas que sempre pesa nas eleições sergipanas: o povo é sentimental e gosta de compensar aqueles que estão sofrendo.

O dia 7 de julho é a data-limite para que os candidatos possam requerer seus registros perante os cartórios eleitorais. Até lá, o suspense continua.

 

Correção de rumo

A texto da semana passada, “O ciclo virtuoso da UFS”, contém um erro de informação. O campus de São Cristóvão foi construído e inaugurado, em 1980, na gestão do professor José Aloísio de Campos, e não na de Clodoaldo Alencar, como foi dito.

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