ALBANO AO SENADO

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O PSDB não fechou entendimento com nenhum dos dois partidos que têm candidato a governador. Não está com o PT e nem com o PFL. Há uma decisão entre seus membros que o partido vai esperar até 31 de março (data de triste memória) para bater o martelo e fazer uma composição que a maioria decida, embora essa tarefa tenha sido confiada ao ex-governador Albano Franco. Os tucanos terão novos encontros com segmentos de base, como vereadores e lideranças do interior e capital. Todos têm consciência de que um passo errado pode ser fatal. Assim, vão conversar o máximo para que a posição seja a mais correta possível. Um fato o PSDB já constatou: a sua adesão pode representar a eleição de quem ele apoiar. O pessoal está bem mais tranqüilo e consciente da importância que terá nas eleições de 2006 para decidir o jogo.

Vai esperar. Esperar muito, mas sem deixar de conversar com que o procurar…

Dentro do ninho tucano há o pessoal que já defende que o partido saia sozinho, com o apoio de legendas menores ou de meio porte que queiram se formar uma composição. A idéia é lançar o nome do ex-governador Albano Franco ao Senado, com uma chapa proporcional forte e competitiva, com todos os demais tucanos liberados para votar em quem melhor lhes convier. Há uma certa dificuldade – embora as coisas pareçam andar de vento em popa – para uma coligação com o PT, em razão da situação nacional. Os dois partidos a cada dia aumentam o nível das críticas, principalmente agora que o presidente Lula aparece em pesquisa com uma vantagem sobre qualquer um dos dois candidatos que saia do tucanato. Fica muito difícil para o ex-governador Albano Franco integrar uma chapa que favoreça ao mais ferrenho adversário do seu próprio partido.

É verdade que todos as siglas – e até algumas pessoas que vivem no dia a dia da política sergipana – acreditam que o ex-governador não teria coragem de enfrentar a senadora Maria do Carmo (PFL) na disputa pelo Senado. Ela está bem nas pesquisas, tem recebido apoio do eleitorado e tem absoluta certeza que se reelege. Como entregar um mandato na bandeja? Mas, na mesma proporção, o pessoal acha que fica difícil eleger uma chapa de marido e mulher. Alguém pode sobrar. É baseado nisso que um dos membros influentes do PSDB defende que o ex-governador Albano Franco tem que topar o Senado, mesmo correndo o risco de ficar mais quatro anos sem mandato. “Isso não acontecerá. Só quem não conhece Albano pode imaginar que ele suportará mais 48 meses sem freqüentar o Congresso Nacional”, avalia um ilustre cidadão que convive há anos com o ex-governador e que as vezes troca boas idéias com ele.

O governador João Alves Filho, que acompanha de perto todos os vôos tucanos, já recomendou a seu pessoal que evite críticas ao ex-governador. Acha que, se não for para elogiar, não deve falar mal. É uma boa sinalização para uma abertura de contatos em todos os graus. Assessores políticos de João Alves percebem claramente que os tucanos sobrevoam a área do bloco oposicionista, mas ainda não pousaram para ficar. Entendem-se naturalmente e parecem se entrosar politicamente, mas têm grandes obstáculos para uma aterrissagem final. É possível que João Alves comece a procurar os tucanos a partir de primeiro de março, ainda sob as cinzas do carnaval, para ver o que tem a oferecer ao PSDB, que não abre mão de um lugar na chapa majoritária. Caso isso não aconteça a partir do dia 15, vai ficando mais difícil.

Há, entretanto, uma evidência: o PSDB está dividido, embora os seus prefeitos tenham dito que acompanham a decisão do ex-governador Albano Franco. O eleitorado tucano tem afinidade com o PFL e só para dar um exemplo, o prefeito de Estância, Ivan Leite (PSDB), foi eleito com o apoio de João Alves Filho. Outras lideranças também têm afinidade com o atual governo, o que fica difícil controlar todos os aliados de Albano.

Até o carnaval terá um recesso, mas já na quarta-feira de cinzas abre-se a temporada de diálogo…

 

 

ENCONTRO

Na reunião de segunda-feira com os prefeitos do PSDB uma única coisa ficou definitiva: “o que o partido decidir todos acompanham, apesar de algumas dificuldades”.

Na realidade, ficou bem claro que o ex-governador Albano Franco está com carta branca para conduzir os destinos dos tucanos, o que acontecerá até 31 de março.

 

POSIÇÕES

A prefeita de Itabaiana, Maria Mendonça, selou seu compromisso com Eduardo Amorim (PSC) para deputado federal e disse que tem problemas regionais para uma aliança PFL.

O prefeito de Canindé do São Francisco, Orlandinho, também alegou dificuldades, mas o que o partido decidir ele acompanha. Teve o apoio do deputado Ulices Andrade.

 

FABIANO

O deputado Fabiano Oliveira (PSDB) acha que o seu partido não tem que ficar procurando candidatos a governador para o diálogo. Deve ficar esperando para decidir.

Quanto a uma aliança com o PFL uma coisa parece decidida no ninho tucano: o pessoal só aceita conversar se for oferecido o Senado.

 

DESMENTE

O deputado Heleno Silva (PL) desmentiu que tivesse dito que a senadora Maria do Carmo Alves (PFL) é candidata fraca: “pelo contrário. Ela é forte e os números mostram isso”.

O deputado admite que se a oposição trabalhar um nome também pode construir um candidato à altura para disputar a eleição.

 

BRASÍLIA

O governador João Alves Filho (PFL) passou o dia ontem em Brasília e conversou com parlamentares do seu partido, como o senador Marco Maciel.

Esteve também com o líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia, e com José Carlos Aleluia. Trabalha para liberação do empréstimo ao BNDES para a ponte.

 

ELBER

O vereador Elber Batalha (PDT), pré-candidato a governador pelo partido, disse que o PDT incorpora uma nova política e é “o que resta de alternativa para a sociedade”.

Elber, que tem recebido apoio de setores importantes da sociedade, acha esse projeto do PDT é incompatível com qualquer apoio ao PFL.

 

DEPUTADO

Elber Batalha diz que não tem dúvida de que o deputado federal João Fontes (PDT) tem condições de ser o mais votado em Sergipe, pelo seu trabalho e coerência.

“Na Câmara Federal foi ele quem melhor representou o povo de Sergipe. Como seu amigo, não medirei esforços para impedir esse equívoco em relação ao PFL”.

 

DÉDA

O prefeito Marcelo Déda participou, ontem, em Brasília de encontro que reuniu ministros, governadores, sindicalistas e parlamentares do Partido dos Trabalhadores.

Ainda eufóricos com as comemorações dos 26 anos do PT, todos ouviram do presidente do partido, Ricardo Berzoini (SP) a frase: “o projeto político do PT não se destrói”.

 

JANTAR

O prefeito Marcelo Déda (PT) não foi ao jantar dos 26 anos do seu partido, na segunda-feira. Lá esteve o presidente do Diretório Regional, Macio Macedo.

A informação de que Déda participaria do jantar foi passada por uma pessoa do diretório, quando perguntada sobre o jantar de adesão para Berzoine, em Aracaju, sexta-feira.

 

DENUNCIA

O senador Almeida Lima (PMDB) denunciou que “adesistas filiados ao PMDB sergipano optaram por vender o apoio do partido” à candidatura do PFL ou à do PT ao governo”. Como era pré-candidato pelo PMDB ao governo, Almeida Lima preferiu sacrificar sua candidatura a ferir seus princípios. A denuncia foi deita em discurso no Senado

 

DEMISSÕES

A presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe, Marilza Maynard, ainda chegou a demitir alguns funcionários, atendendo a instrução do CNJ de por um fim ao nepotismo.

Entretanto o seu trabalho inicial foi interrompido por algumas liminares concedidas por desembargadores em favor dos seus parentes.

 

DECISÃO

Tudo isso poderá ter fim amanhã, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) seja favorável à Adin, da Associação dos Magistrados, contra o nepotismo.

A decisão do STF terá efeito vinculante. Em outras palavras: atinge todos os tribunais estaduais que concederam liminar para proteger o emprego de familiares.

 

ARQUIVA

O Supremo, através do ministro Gilmar Mendes, arquivou Mandado de Segurança impetrado por Clésio Monteiro Alves, filho e assessor do desembargado José Alves Neto.

O ministro afirmou que em relação à resolução do CNJ incide a vedação prevista na súmula 226 do STF, no sentido de que não cabe mandado de segurança contra lei em tese.

 

 

Notas

 

NEPOTISMO-1

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, dará prioridade á votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), que dá continuidade à reforma do Judiciário e, entre outras medidas, acaba com o nepotismo nos três poderes. Aldo comprometeu-se com a causa após se reunir ontem com representantes da OAB.
A PEC está na pauta da convocação extraordinária, mas o presidente Aldo Rebelo lembrou que a pauta do plenário está trancada por medidas provisórias e que há processos de cassação pendentes de votação.

 

NEPOTISMO-2

O presidente da OAB, Roberto Busato, diz que o nepotismo só tem o apoio de setores mais atrasados do Judiciário e do serviço público. “O Poder Judiciário não é integralmente contra o nepotismo, muito pelo contrário. Os que resistem são aqueles que estão encastelados dentro dos tribunais nos estados”.

Para Busato, “esses sim, estão usando medidas judiciais, julgando interesses próprios dentro dos seus tribunais”. Roberto Busato também defendeu a redução do recesso no Poder Judiciário, que hoje é de dois meses.

VERTICALIZAÇÃO

Os senadores não vão promulgar agora a emenda constitucional que trata do fim da verticalização das eleições. O Senado preferiu esperar uma decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre a consulta feita sobre o assunto. Quem avisou foi o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB).

A emenda já estava em pauta para a sessão de ontem do Congresso Nacional, mas foi retirada. Segundo Renan Calheiros, “achamos mais prudente esperar. Quando os ânimos serenarem, a gente promulga a emenda”.

 

 

É fogo

 

Não é bom convidar para o mesmo jantar o senador José Almeida Lima e o deputado federal Jorge Alberto, ambos do PMDB.

 

Almeida Lima desistiu de sua candidatura ao governo porque não sentiu apoio da maioria dos membros do seu partido.

 

É verdade que a maior preocupação de um parlamentar é se reeleger, independentemente do que possa oferecer à sua legenda.

 

Surpreende o PSC dizer que não deseja um lugar na chapa majoritária, quando tem bons nomes para isso.

 

O prefeito Marcelo Déda (PT) está melhorando o carnaval de Aracaju, com o início do período através de bandas de frevo.

 

Pirambu já está agitado para o carnaval, que geralmente começa na quinta-feira que antecede o período momesco.

 

Os hotéis de Aracaju começam a se preparar para receber turistas que deixam fogem do carnaval agitado de Salvador.

 

Neópolis também se agita com o seu carnaval do mela-mela. A cidade concentra pessoas da região de Alagoas e de Sergipe.

 

São Cristóvão está procurando repetir o carnaval do ano passado, dentro de um estilo que lembra Olinda (PE).

 

Adesivo exposto em um Fusca bem velho, de cor indefinida e caindo peças: “é melhor do que não ter”.

 

O secretário municipal de Finanças, Nilson Araújo (PT) está trabalhando firme. Neste final de semana visitou alguns municípios e teve fôlego para participar do côco folia.

 

A companhia aérea líder do mercado brasileiro, a TAM, anunciou a queda de 21,7% no lucro líquido do quarto trimestre do ano passado.

 

brayner@infonet.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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