AMBIÊNCIA ORGANIZACIONAL E OS CAMPOS MORFOGÊNICOS

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“Embora saibamos muito sobre a maneira como os campos afetam o mundo tal como os percebemos, a verdade é que ninguém sabe de fato o que é um campo. O mais perto que podemos chegar da discrição daquilo que eles são consiste em dizer que constituem estruturas espaciais existentes no tecido do próprio espaço”. (Michel Talbot) Constatamos que muitas organizações, grandes ou pequenas, possuem uma energia fantástica e inexplicável transitando por elas. Quando entramos nessas organizações sentimos um clima diferente, um misto de cordialidade, qualidade no atendimento, postura; mas nada programado, decorado, cristalizado ou formal; trata-se de um clima de cordialidade e alegria verdadeiro. Existe um conceito muito interessante definido na biologia com base em experiências no campo da física por Sheldrake (1), conceito esse que, embora seja muito criticado por uns e já aceito por muitos outros pode explicar muitos fenômenos da ambiência organizacional. Sheldrake postulou um conceito que define “campos morfogênicos” que influenciam o comportamento das espécies. Esse tipo de campo é dotado de muito pouca energia própria, mas é capaz de moldar energia de outra fonte. Assim sendo, segundo ele, os campos morfogênicos, são construídos por meio de capacidades que se acumulam à medida que os membros de uma mesma espécie aprenderam um determinado tipo de comportamento. Por exemplo, um determinado grupo de indivíduos aprendeu a andar de bicicleta, os componentes da mesma espécie ou grupo, cada vez mais aprenderão mais facilmente a andar de bicicleta. Segundo Sheldrake o comportamento fica gravado no campo morfogênico e, quando a energia de um indivíduo se combina com ele, o campo padroniza o comportamento desse indivíduo. Bem sabemos que é impossível ver um campo morfogênico ou qualquer outro, todavia é muito fácil perceber a sua influência apenas examinando o comportamento das pessoas como um todo. E, para saber o que está contido neste campo basta observar o que as pessoas estão fazendo, ao captarem as mensagens e discernirem o que está sendo realmente valorizado elas conseguem moldar o seu comportamento a partir disto. E tanto esses campos têm ações altamente enriquecedoras, como podem atuar destrutivamente, pois quando só perturbações estão presentes no clima organizacional o comportamento dos indivíduos contidos nesse campo também serão perturbados. As pessoas dizem uma coisa e fazem outra, pensam numa coisa e querem outra, ninguém confia em ninguém e, como resultado a organização vai gradativamente mudando de direção e posteriormente não consegue encontrar o seu caminho de volta. Não tem nada de “espiritual” ou “espiritualização” com esse conceito, apenas são situações que estão regidas por leis físicas e, como era de se esperar, evidentemente, invisíveis. Portanto, quanto mais conhecemos e compreendemos o poder dos campos, mais entendemos como é importante trabalhar e fazer entender muito bem por todos a missão, a visão e os valores da organização. Portanto, geralmente somos orientados para perceber a visão de maneira linear, ou seja, uma frase que exprime a criação de um destino para a organização; a partir do entendimento desse conceito poderemos acreditar que quanto mais clara estiver essa imagem, muito maior será a força que impelirá em direção ao futuro desejado. Em resumo quando um grupo de indivíduos se une com pensamentos pró-ativos buscando atingir um objetivo comum a todos, e com um nível energético de pensamento bastante elevado positivamente, tudo leva a crer que a construção desse futuro desejado, comum a todos, será resultante de uma força impelida por todos conjuntamente. Portanto, segundo a teoria dos campos morfogênicos é de se esperar que essa construção seja mais fácil de acontecer do que se imagina. Agora, você deve estar se perguntando: “Será que essas organizações existem?” Sim, elas existem, conheço pelo menos três delas em Sergipe. Duas menores estão a todo vapor com a sua fantástica energia interna em pique, infelizmente a maior “jogou tudo no lixo”… Coisas da vida! (1) Sheldrake, Rupert. The presence of the Past, Nova York: Vintage Books, 1988. Coincidência ou Acaso? As últimas taças “Essa é uma experiência real, que acredito ser uma comprovação interessante da existência dos campos morfogênicos. De 1995 até 2.000 trabalhei num projeto de resgate do potencial criativo em uma grande empresa. Em abril de 2.000 já tínhamos mais de 500 empregados dessa companhia que haviam passado por esse programa. E, durante esses cinco anos, uma coisa fantástica acontecia, o programa continuava “fechado”; ou seja, os novos participantes não eram avisados pelos que já haviam passado pelo programa do que aconteceria durante a sua realização. E, ao final de cada programa entregávamos aos participantes uma pequena taça de vidro que deveria simbolizar para cada um o seu “Santo Graal” ou o seu projeto de vida, sua meta maior a alcançar. Todos que recebiam ficavam muito emocionados com aquela pequena taça. Quando fomos realizar o último programa, por contenção de despesas, não pudemos comprar as taças. Naquela ocasião ficamos um pouco tristes, mas falei para a equipe de parceiros que não deviam se incomodar com aquilo, já ninguém estaria esperando a taça. Pouco antes de iniciarmos a cerimônia de encerramento, um participante perguntou se ele poderia dar uma pequena lembrança aos amigos. Com nossa resposta aquiescendo, essa pessoa levantou-se, apanhou uma pequena caixa e silenciosamente entregou a cada um dos participantes uma “pequena taça de vidro branco…”. Eu e a equipe de parceiros ficamos sem fala. E em alguns de nós as lágrimas correram na face.” * Fernando Viana é diretor presidente da Fundação Brasil Criativo presidente@fbcriativo.org.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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