Ameaças e éticas

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Já está absolutamente claro que os telefonemas de ameaça de morte aos membros da Comissão de Ética, que vão iniciar o julgamento do deputado estadual Gilmar Carvalho (PV), partiram de alguém que queria apenas tumultuar o processo. Mas é preciso, também, que se analise tudo isso com os olhos da investigação. Embora tenha sido uma coisa absolutamente idiota, é preciso estudar bem o que um simples telefonema, sem qualquer possibilidade de se constituir em ameaça, terminou provocando dentro de uma Comissão que sequer havia sido instalada. O fato do telefonema procurar atingir diretamente dois deputados da oposição, colocando como contra-peso o presidente da Comissão, deputado estadual Augusto Bezerra, teve o objetivo de mudar os rumos das coisas. Evidente que a cabeça de Gilmar Carvalho está a prêmio. Sem mandato se transforma em objeto descartável, que poderá se perder até com o vento. O seu estilo polêmico provocou sérios constrangimentos à cúpula dominante do Estado e, em todos os poderes e segmentos, sempre tem um ou outro torcendo para vê-lo sem voz na radio e sem imunidade parlamentar. Nessa condição, Gilmar será uma presa fácil. Evidente que o radialista Gilmar Carvalho se envolveu, de uma forma muito intensa, nos problemas mais complicados do Estado e quis resolve-los ao seu estilo. Tentou peitar todos os setores e contrariou interesses, além de ferir brios. Está claro que essa gente não o quer mais deputado e a sua presença, nos microfones, incomoda. Não vamos nem partir para o caso da classificação de corja a um grupo que teria ido ao governador João Alves Filho, pedir a cabeça do parlamentar, como foi denunciado, e serviu para a ação da Comissão de Ética, mas a algumas incursões pesadas nos poderes constituídos, que as fazia confiante na imunidade parlamentar. Como radialista é difícil afirmar se Gilmar estava certo ou errado… Fora todo esse envolvimento, e mesmo com a expressão corja, que passou a ser a palavra da moda na política sergipana, os deputados não pensavam em cassa-lo. É preciso revelar um fato que, talvez, o pessoal da Comissão gostasse que não fosse divulgado: nenhum dos membros queria ser o relator do processo. O presidente, deputado Augusto Bezerra, estava evitando a escolha de Venâncio Fonseca, por ser ele o autor da acusação. Pensou em Ulices Andrade (PSDB), mas este recusou. A mesma coisa aconteceu com Belivaldo Chagas. Esse clima favorecia a Gilmar Carvalho e ficou melhor quando um dos seus colegas, membro da Comissão de Ética, sugeriu que ele conversasse com o deputado Antônio dos Santos. A sugestão foi aceita e feita. Santos topou e seria nomeado à tarde, quando se deu a ameaça de morte e mudou o rumo da indicação do relator. Os deputados ficaram irritados – talvez fosse isso que desejasse o autor dos telefonemas – e resolveram mostrar que não trabalhavam sob pressão e medo. Imediatamente o relator passou a ser o deputado Venâncio Fonseca (PP), que é um parlamentar experiente, gosta do que faz e evita agir com a emoção. Entretanto, sem querer antecipar qualquer resultado e por mais que considere o relator um cidadão que não vai elaborar o relatório final com rancor, foi ele que fez a denuncia, conseguiu as fitas e se indignou em nome dos demais membros da bancada do Governo. E o fez com competência. Fosse qualquer outro deputado, desde que tivesse sido o responsável pela abertura do processo na Comissão de Ética, não poderia deixar de pedir uma punição. Se não o fizer, ele próprio demonstra que a denuncia fora equivocada. Gilmar será punido sim. E ninguém pense em advertência ou suspensão… ESCÂNDALO O secretário da Educação, Gilmar Mendes, abriu inquérito naquela Pasta para apurar a ação de uma quadrilha que aplicava golpes de rescisão de contratos. O pessoal conseguia nomes de algumas pessoas que eram demitidas e recebiam a rescisão contábil, sem ser servidor da Educação, através de documento enviado ao Banese. DIVISÃO A quadrilha funcionava pagando acima de R$ 1.500,00 a pessoas não contratadas que eram demitidas. Os “fantasmas” ficavam com R$ 500,00 e devolviam o resto para a quadrilha. O escândalo foi descoberto porque um dos “fantasmas” denunciou e daí se abriu o inquérito que já está ouvindo pessoas. Quer descobrir o chefe e os membros do bando. LOTE O documento que chegou ao Banese, para depósitos de vários “fantasmas” que haviam sido demitidos, foi enviado dia 23 de dezembro de 2003, no valor de R$ 17.126,49. O objetivo do inquérito é verificar quantas pessoas foram usadas para isso, que tamanho é o rombo e de onde partiu a ordem de pagamento. BARBUDOS O governador João Alves Filho (PFL) revelou que não tratou os membros do MST de “barbudinhos” de forma pejorativa e nem com sentido insultuoso. Foi apenas uma brincadeira, assim como também não leva como crítica quando o chamam de neoliberal. João diz que não tem preconceito com barba CLEONÂNCIO O deputado Cleonâncio Fonseca (PP) disse ontem que não entrará com processo contra o primo, deputado João Fontes que o acusou de obstruir a vinda da CPI a Sergipe. Ele disse que fazia isso em nome de “tia Bebé (mãe de João Fontes), que tem 94 anos e não desejo ter um peso na consciência por alguma coisa que lhe aconteça”. INFELIZ Ele acha que foi uma hora infeliz do deputado João Fontes ao dizer isso: “não vou cultivar o ódio, porque o odiento é refém do odiado”, disse. Acrescentou que não rompe com o primo João Fontes, mas vai guardar sempre “o que ele fez contra mim”. Cleonâncio considerou o caso encerrado. ESQUERDA O deputado federal Cleonâncio Fonseca revelou que “com a esquerda eu não pego nem no garfo”. Disse, entretanto, que nunca assinou uma CPI e nem votou na cassação de algum colega. Foi isso que o fez ficar ausente da CPI para apura o Caso Waldomiro. MÁ VONTADE Cleonâncio Fonseca confirma que existe uma má vontade muito grande, de ministros do atual Governo, com Sergipe. “O que esse pessoal puder fazer para inviabilizar o Governo de João Alves fará e o comando é do deputado Jackson Barreto”. AVISO O diretor da área de Engenharia da Codevasf, ex-deputado Clementino Coelho, deu um aviso triste a um secretário de Sergipe. Segundo o diretor, “atender as coisas do Governo de Sergipe é ficar contra o ministro da Integração Nacional, Ciro Gomes”. DEBATE Durante reunião do Diretório Nacional do PPS, realizado em Maceió, os debates foram acirrados contra Ciro Gomes e o Governo Lula. Foi pedido até o rompimento. O presidente Roberto Freire foi quem acalmou os ânimos. O pessoal está insatisfeito porque o PPS está apoiando tudo que criticava antes. ENCONTRO No final deste mês, o PPS fará um encontro nacional para eleger novo presidente e definir as normas do partido para as eleições. A previsão do ex-deputado Ivan Paixão é que será problemático, porque a cúpula do partido não deixa o PT, enquanto a base está insatisfeita. COMISSÃO Um grupo formado por um delegado da Polícia Federal e assessores da Câmara visitaram Estados do Nordeste para um levantamento sobre a CPI da Pistolagem. Em Sergipe o pessoal ficou três dias e visitou a Secretaria de Segurança, Ministério Público, Tribunal de Justiça, além de ouvir algumas pessoas. JERÔNIMO O ex-prefeito Jerônimo Reis (PTB) declarou ontem que não entende porque o governador João Alves Filho está se queixando do Governo Lula. Jerônimo diz que os prefeitos que fazem oposição ao Governo no Estado, também não estão recebendo nada. BELIVALDO O deputado estadual Belivaldo Chagas (PSB) acha que o telefonema fazendo-lhe ameaças, “é coisa de vagabundo, de quem não tem o que fazer”. Belivaldo também estranhou que os telefonemas tenham sido dados exatamente para dois deputados da oposição. Notas VALADARES O senador Valadares (PSB) recebeu, ontem, em Curitiba, a “Medalla a la integración Simon Bolívar”, outorgado pela Câmara Internacional de Pesquisas e Integração Social – Cipis. Valadares está participando em Curitiba do XXII Painel Latino-Americano de Integração Saúde, Educação, Cultura e Comunicação. O senador sergipano foi distinguido com a medalha diante das altas credenciais e flagrante competência, evidenciadas por seu trabalho no Senado Federal, em defesa da integração dos países da América Latina. O VICE O deputado estadual Mardoqueu Bodano (PL) está se antecipando como um nome que pode ser o candidato a vice-prefeito na chapa que terá como cabeça o prefeito Marcelo Deda. Mardoqueu continua baseado em alguns elogios que Deda lhe fez, mas esquece que a disputa pela vice será ferrenha. Mesmo que alguns possíveis candidatos estejam negando o desejo, eles continuam sendo nomes em discussão, que só deve se definir entre maio e junho, depois de encontro com bases partidárias e aliados. GILMAR O deputado estadual Gilmar Carvalho, que será submetido à Comissão de Ética da Assembléia Legislativa, vai viajar a Brasília para denunciar toda uma trama que visa tirar-lhe o mandato. Vai viajar acompanhado de membros da Ordem dos Advogados e da Igreja, em busca de apoio fora do Estado. Gilmar começa a demonstrar um certo temor do que possa acontecer depois que ele perder o mandato. Inclusive perguntou a um amigo: quanto daria por sua vida, com ele sem mandato?” Ouviu a resposta: “nada”. É fogo O deputado João Fontes (PT) ficou irritado, ontem, porque o seu discurso no grande expediente da manhã de ontem, não seria transmitido pela TV-Câmara. O discurso só foi retransmitido às 14 horas. João Fontes voltou a atacar a violência em Sergipe e defendeu a continuidade da CPI da Pistolagem. O deputado federal Bosco Costa (PSDB) afirma que nem sempre acompanha o partido, mas a sua consciência nas votações plenárias. Cleonâncio Fonseca revelou que retirou as netas da Universidade em razão das acusações que sua família vinha sofrendo. Cleonâncio Fonseca também disse que a Prefeitura de Boquim pagava alta quantia à família Trindade, com empregos e outras facilidades. Depois de tudo que vem ocorrendo com o deputado Gilmar Carvalho (PV) há possibilidade dele não disputar a Prefeitura de Aracaju. O Partido Progressista deve acompanhar o governador João Alves Filho em sua indicação para a Prefeitura de Aracaju. A deputada Susana Azevedo (PPS) está trabalhando sua campanha com muita intensidade. Visita todos os bairros. A Comissão de Ética vai abrir nesta próxima terça-feira para iniciar o julgamento do deputado Gilmar Carvalho. A disputa das eleições em Nossa Senhora do Socorro será acirrada. O deputado Adelson Barreto está bem junto ao eleitorado. O secretário de Turismo, Pedrinho Valadares (PFL) já está preparando a festa da sua desincompatibilização. Pedrinho diz que está preparado para enfrentar o prefeito Marcelo Deda e quer contar com o apoio de todo o grupo que apóia o Governo. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br

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