Ano de decisão

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O ano de 14 começa sob o signo do jogo. É o ano da competição esportiva mais importante, a Copa do Mundo, aguardada para ser o evento maior de todos os tempos, exatamente por acontecer no Brasil num momento histórico que nos favorece, apesar de tropeços recentes; no campo da política, é o ano de jogar nas eleições gerais, quando mais do que eleger de deputados estaduais a presidente da República o brasileiro estará julgando um projeto político que deu certo, mas que vem sendo sistematicamente bombardeado por acusações de ser conduzido por um partido que, no fim das contas, é farinha do mesmo saco, por repetir erros e acertos do passado etc.

Nos dois casos, o fiel da balança pende para a gastança. Gasta-se demais para deixar o País minimamente pronto para receber a atenção do mundo, e muito além do previsto, como no caso dos modernos estádios sedes dos jogos, na mesma proporção que os gastos públicos se elevam para manter girando a roda da economia, aumentando a percepção de que o governo intervém demais no mercado, vide o caso Petrobras.

Mas apesar da sensação de que as coisas não andam como deveriam — o Brasil cresce, mas não tanto quanto o mercado deseja; a inflação está sob controle, mas não num patamar tranquilizador; os serviços essenciais dão sinais de melhora, mas o cidadão ainda não enxerga os impostos que paga sendo aplicados no que realmente interessa, saúde, educação e segurança de qualidade —, a presidenta Dilma Rousseff segue sobranceira rumo à reeleição.

Sua popularidade caiu durante as manifestações cidadãs de junho/julho, mas nada que pudesse abalar a confiança que a maioria ainda tem na mandatária. Só o que pode atrapalhar seus planos é aquela sensação transformar-se em constatação – de que a economia realmente estagnou. O que dificilmente acontecerá a julgar até pelas previsões mais pessimistas.

E no meio de um ano decisivo como este, tem o fator Copa do Mundo para, se não ajudar, pelo menos não atrapalhar. Se o Brasil ganhar, provavelmente nada acontecerá no jogo da sucessão presidencial, mas se o Brasil perder certamente esse será um dado negativo importante a interferir na reeleição da presidenta. Mas quem haverá de torcer contra o Brasil?

ENQUANTO ISSO… Aqui na planície costeira, o governador Jackson Barreto pavimenta bem o caminho da sucessão duplamente ancorado na herança de Marcelo Déda, que deixou um governo com realizações de fácil assimilação popular e um legado de homem público praticamente imune aos adjetivos depreciativos tão comuns aos políticos brasileiros.

Se o Batistão não estará pronto — e isso é lastimável — para treinar a seleção da Grécia, interessada em permanecer em Sergipe, o estado hoje tem condições de recepcionar grupos estrangeiros a passeio ou a trabalho, porque dispõe de atrações naturais e culturais já incorporadas aos catálogos e mapas turísticos, razoável infraestrutura e boa rede hoteleira.

No que pese a crise financeira estadual, o governo Déda tem participação direta no boom de desenvolvimento experimentado por Sergipe nos últimos anos e que serve de base preparatória para os grandes eventos que o Brasil abrigará até 2016. Amigo do poder central, ele soube carrear os recursos necessários, atraiu investimentos privados e facilitou a chegada dos interessados, criando um caldo de cultura econômica e social que se reflete nos resultados do PIB e do IDH.

Sergipe não é o estado ideal, mas está no caminho. E Jackson Barreto, tarimbado nas andanças políticas desde os sombrios anos 70 e afinado com o discurso do apelo social que moveu o PT de Marcelo Déda, até por ser um precursor desse sentimento de que mais importante do que fazer o bolo crescer é reparti-lo, não encontrou dificuldade para defender o projeto que vinha sendo tocado pelo saudoso companheiro.

E inicia o último ano do mandato conquistado ao lado do petista em 2010 num momento triste, mas politicamente bom. Quem está no jogo não o assusta. João Alves fez um primeiro ano de mandato à frente da Prefeitura de Aracaju sem ter acrescentado nada que possa somar ao seu indiscutível currículo. Decepcionou aquela parcela do eleitorado que só votou nele porque queria mudança após 12 anos de gestão PT/PCdoB e calou os leais seguidores.

O ex-novo Eduardo Amorim, que já havia perdido a fleuma de quem seria imbatível desde o malfadado golpe do Proinveste, cuja protelação se reverteu contra ele mesmo, tem assistido se desmanchar no ar a outrora solidez de campeão de votos de deputado federal e senador.

E se ela aceitar e Jackson Barreto segurar na mãe de Eliane Aquino, como candidata a senadora ou deputada federal, ou como digna viúva de um homem que já virou mito, dificilmente o governador perderá a reeleição.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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