ANO NOVO, COISAS NOVAS

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Ainda que se possa cientificamente afirmar que o primeiro dia do ano é exatamente igual a qualquer outro dia, mesmo assim a forma de encará-lo é completamente diferente. O primeiro dia do ano transforma o homem em alquimista da vida, o exclusivo descobridor da fórmula da transformação do simples bater do relógio em uma inesgotável fonte de mudança, fazendo renascer todos os planos e projetos não realizados, especialmente aqueles completamente irrealizáveis. É como se o som do medidor do tempo magicamente se tornasse o dom do elixir da juventude, convertendo em adolescente o mais caduco dos homens, tornando-o semelhante à Hércules, invencível em seus desejos e imbatível na ousadia de derrotar os obstáculos até então instransponíveis.

Esta alquimia anual também torna simples as tarefas mais complexas, mesmo aquelas que exigem mais determinação e desprendimento. Aliás, promessas de desprendimento são tantas que se confundem com o borbulhar dos champanhes e com os fogos que cortam fogosamente a noite. Promete-se a velha reaproximação do amigo distante, o pedir a desculpa sempre adiada, o reconhecer erros nunca admitidos e, finalmente, revelar a declaração de amor ainda escondida.

O fenômeno se espalha pelo mundo afora, fazendo o dia nascer esperançoso, brilhante e contagioso para todos, pouco importando se americanos, asiáticos, africanos, europeus e oceânicos. Também atinge empresários, trabalhadores, desempregados, urbanos, brejeiros, homens, mulheres, crianças e todos aqueles que somente vivem porque respiram. Atinge também explorados e exploradores, ditadores e torturados, ricos e pobres, felizes e infelizes como se todos, repentinamente, estivessem hipnotizados e acreditando que todas as relações eram justas e que deveriam ser apenas aperfeiçoadas.

É claro que este clima fantástico anima o Brasil, fazendo os brasileiros acreditarem que as prometidas mudanças finalmente superarão os velhos e injustificados medos, especialmente os medos que o impede de enfrentar os corporativos interesses dos banqueiros, dos latifundiários, dos estadunidenses e outros amantes da desigualdade social. Sergipe também sonha para que o seu Estado não seja apenas um projeto de ponte ou uma grande propaganda enganosa, refinados pela experiência administrativa de seus velhos governantes. Aracaju, que enfrentará mais um democrático processo eleitoral, acredita que 2004, como não poderia deixar de ser, será de definições, principalmente sobre o futuro político de seu prefeito.

A InfoNet, mantendo a sua coerente atuação social, promete dinamizar o seu cantinho dedicado à solidariedade. Não será um espaço do tamanho do mundo da virtualidade, onde a imaginação do freqüentador é ilimitada, tampouco será um pedaço pequeno, daquele que se intimida diante do desafio de crescer rumo ao desconhecido. Será exatamente do calibre que deveria ter, nem maior nem menor.

Acredito que 2004 será o ano dos cantinhos solidários, onde não se tem a pretensão de acabar com as mazelas da terra, muito menos de fazer da esmola uma espécie de passaporte para ingresso no céu. Mas serão espaços que não se acomodam diante da imensa desigualdade que se tornou epidêmica no Brasil. O ano de 2004 certamente convidará a todos que provem do alimento conhecido como solidariedade, como já estão fazendo milhares de instituições e pessoas.

Quando provarmos deste saboroso alimento, descobriremos que teremos companhia, pois do manjar solidário não há espaço para a indigestão conhecida como egoísmo, pois dele participam somente aqueles que se envolvem, quase sempre de forma anônima e não voluntária, na tarefa de construir um mundo melhor. A ano de 2004, como bom anfitrião, manterá a sua casa para todos os cozinheiros, degustadores, consumidores, fornecedores e amantes da solidariedade. Fazer o novo não precisa de convite especial, basta apenas querer.

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