Ansiedade foi a principal adversária do Brasil em Rostov

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Neymar nulo, apanhando e sempre caçado por dois: elementos do empate amargo com a Suíça (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Decepcionante. Esse é o adjetivo que podemos empregar para exibição e resultado da Seleção Brasileira nesta estreia na Copa do Mundo da Rússia. O time de Tite demorou a se situar dentro da partida. Encontrou certa lucidez em alguns momentos, mas voltou a se perder na marcação pesada da Suíça e precisou se contentar com o gosto amargo do empate em 1×1.

O jogo foi tenso. O emocional frágil foi o principal adversário do Brasil. O time entrou nervoso, ansioso, e demorou a golpear. Começou reativo. Quando levou o gol de empate, o time mostrou ansiedade na conclusão das chances: Firmino e Miranda, na etapa complementar, tiveram boas chances, mas isolaram em finalizações mal executadas. Este talvez seja o principal desafio: se manter equilibrado para encarar com compostura situações que venham a estar fora do script brasileiro.

Falando em desafio, este jogo mostrou algo que os jornalistas da ‘Pedalada’ haviam alertado durante a última live: o Brasil perde técnica e taticamente com a ausência de Daniel Alves, e o lado direito tende a ser o “calcanhar de Aquiles” do time. Não que Danilo seja ruim, mas quase nada funcionou por ali. Willian, assim como o lateral do Manchester City, foi praticamente nulo.

Estratégias

Nos primeiros minutos, a equipe europeia pressionava, dificultava a saída com uma marcação alta bem executada e, assim, obrigava o Brasil a jogar no próprio campo. Com o passar do tempo, naturalmente, a seleção Canarinho conseguiu um desafogo, mas tinha dificuldades para chegar, por conta do ‘caminhão’ estacionado na área da Suíça.

É interessante destacar como estava armada a Suíça: em um 4-5-1 bem executado e priorizando a marcação dupla em Neymar, conseguia bloquear os espaços e obrigava o Brasil a forçar cruzamentos. Depois, foi obrigada a segurar o ímpeto do início do jogo por causa das investidas brasileiras. O 4-2-3-1 armado por Adenor, com a terceira linha formada por Neymar, Coutinho e Willian se desdobrando para ultrapassar o bloqueio suíço até funcionou no primeiro tempo, mas foi um fiasco no segundo. A pane no sistema defensivo no segundo gol foi bisonha: Alisson estático na sua pequena área e Miranda deixando Zuber em vantagem, além de possuir maioria numérica dentro da área.

Até esgotar o tempo, o Brasil atacou mais e chegou perto do segundo, mesmo que de forma nervosa. À medida em que o tempo passava, Neymar apanhava mais – 10 faltas sofridas – e o Lichtsteiner fazia cera. No fim, como todos sabem, um empate terrível.

Substituições

Foram nulas, também, as mexidas de Tite no segundo tempo: saiu Casemiro, amarelado, para entrar Fernandinho; Paulinho deixou o campo para Renato Augusto entrar; e Jesus deu lugar a Firmino. As alterações até que foram compreensíveis, já que claramente a intenção era dar mais mobilidade de poder de finalização ao meio-de-campo. Renato Augusto parecia uma boa aposta em chutes da intermediária, já que as jogadas de amplitude e o talento individual não estavam funcionando. No fim das contas, nada funcionou. 

Coutinho e seu golaço foi o que teve de positivo contra a Suíça (Foto: Lucas Figueiredo/CBF)

Sem alarde

Apesar do jogo ruim, não há motivos para pânico. O Brasil tem dois adversários mais fracos logo em breve (Sérvia e Costa Rica), tem jogadores de alto nível, que sabem o peso da camisa e da responsabilidade sobre seus ombros. O essencial, mesmo, é aprender duas lições valiosas. A primeira delas é que o time precisa se preparar para os momentos em que as coisas não vão funcionar. A segunda e talvez mais importante é: a Copa vai ser bem mais difícil do que a gente imaginou. E essa vale para os torcedores também.

Cadê o VAR?

Um pênalti não marcado em Gabriel Jesus também levantou um ponto pertinente: se não for para resolver os lances polêmicos e duvidosos, para que serve o VAR? A discussão não é lançada à toa: a França foi favorecida com um pênalti e Portugal foi prejudicado nos dois primeiros gols sofridos contra a Espanha pela omissão do árbitro de vídeo. Essa é uma questão a ser pensada, porque a não-interferência destes profissionais traz uma consistência, ainda que fajuta, ao discurso anti-VAR que, (pasmem!), existe.

O que é pior, não resolve os velhos problemas de arbitragem que assombram quem sai prejudicado. Neste caso, o Brasil também sofreu com o apitador César Ramos, que teve uma participação sofrível em Rostov, assim como a seleção Canarinho. O VAR não se manifestou ou o assoprador chamou para si a responsabilidade de estragar o espetáculo? Vai saber…

Alemanha x México

Disputa com Portugal x Espanha o posto de melhor partida desta edição – até agora. O time mexicano foi bravo e conseguiu uma vitória sensacional contra os atuais campões do mundo. Os jogadores de Juan Carlos Osório foram impecáveis na defesa, embora não tão eficientes no ataque. Fizeram o 1×0 com o jovem Lozano, mas tiveram excelentes chances de matar o jogo em contra-ataques bem elaborados contra o time de Löw. A Alemanha não fez uma má partida, mas esbarrou na bem postada defesa do adversário latino-americano e no veterano Ochôa, que pegou tudo. Em suma, resultado heroico e histórico para o México, que larga na frente no grupo  F.

Diego Costa

Duvido que um sergipano sequer não tenha “morrido” de orgulho do conterrâneo Diego Costa na partida Portugal x Espanha. O lagartense marcou 2 tentos no empate em 3 a 3 entre os países da Península Ibérica na última sexta-feira, 15. Como um centroavante nato, colocou a defesa para dançar no primeiro e, no segundo, fez valer a máxima do “estar no lugar certo, na hora certa” e empurrou a bola para dentro após cruzamento de cabeça de Busquets.

Ah, se pudesse vestir a Amarelinha…

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