Apolônio, o candidato.

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Lisboa, 6 de abril de 2008

 

 

Caros amigos de Sergipe:

 

 

É chegada a hora de lhes falar a sério. Pela primeira vez, meus amigos, aquele Apolônio pândega e bonachão, praticante de sarapitolas e pinocadas, dá lugar a um outro homem. Um homem preparado para ocupar a cadeira de alcaide da querida Barbosópolis.

Há tempos venho sendo sondado pelo Partido dos Aposentados Bacaninhas para dar a minha contribuição a este país que tanto amo, na qualidade de pré-candidato à Prefeitura de Aracaju. Para tanto a minha assessoria jurídica já está providenciando a minha condição de brasileiro naturalizado.

Como primeira providência estou organizando alguns tópicos para formatar um bom plano de governo. Sulamita, minha secretária bilíngüe e boazuda está varando a madrugada ao meu lado dando apoio às minhas posições. Ela é muito boa com esse negócio de varar e posições.

Mas não é só a Sulamita que está dando o seu melhor para a nossa campanha. Alguns parentes e amigos já manifestaram apoio irrestrito à nossa proposta. É o caso de Zenóbia, minha patroa sexagenária que pretende dirigir a Secretaria de Ação Social e o vovô Bouçinhas, que, honrando a tradição da nossa família, quer mesmo é se locupletar na Secretaria de Finanças. 

A equipe que elaborará o nosso plano de governo, meus caros amigos, reúne simplesmente o que há de mais moderno em administração pública. Fomos buscar em Indiaroba, Pacatuba, Rita Cacete; enfim nos mais longínquos rincões do planeta, especialistas nas mais diversas áreas para se debruçarem sobre os grandes problemas que entravam o desenvolvimento da pequenina terra de Adilson Maguila.

Debruçados estão e debruçados ficarão até que a obra seja expelida numa verdadeira descarga de ondas criativas. Muita água vai rolar por baixo do viaduto Carvalho Déda. Allia jacta est!

Mas quem são, afinal, esses homens e mulheres escolhidos a dedo para traçar os destinos da Barbosópolis? Trata-se do ‘cream de la cream’. O insigne professor doutor Totó Penteado, por exemplo, é o coordenador do Grupo de Trabalho na área de planejamento. Antes de se aposentar como assessor para assuntos tropicais na Sorbonne, o velho professor fez breves incursões pela cultura sergipana deixando como legado, a genial invenção do ‘auto-propulsor de andores’, que muito auxiliou coroinhas e beatas nas procissões da Catedral Metropolitana, além de um estudo detalhado sobre a incidência de surtos psicóticos em consumidores de cachaça com caju nas feiras de Nossa Senhora da Glória. Uma sumidade!

Outro colaborador de peso é o professor Calimério Bragança, um especialista em resíduos sólidos que já se prontificou a ajudar na despoliução das águas aracajuanas. Calimério estuda há anos a questão na poluição ambiental no Estado e tem intestino preso.

Há ainda a socióloga Zorilda Beltrão e o filósofo Porfírio Valois, duas das maiores autoridades em citricultura na Europa. Verdadeiras laranjas em figura de gente.   É, enfim, essa plêiade que está elaborando o nosso plano de governo, do qual só poderei dar detalhes na próxima carta, afinal, é como já dizia o cauteloso professor Adelson Alves: se eu falar meu plano agora, eles copiam.

 

Até semana que vem.

 

Um abraço do

 

Apolônio Lisboa

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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