Aracaju hoje, o Rio de ontem

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Ontem, no Rio de Janeiro, as pessoas eram alegres, atenciosas, bem humoradas e muito tranqüilas. Hoje, não, todas apresentam nas ruas um semblante de insegurança. Vê-se em cada um que está à nossa frente, com alguém quer nos quer fazer o mal. Todos estão retraídos porque não sabem em quem confiar.

 

Ontem, as praças eram públicas vinte e quatro horas por dia. Hoje, não. À noite, são fechadas e durante o dia são onde, na maioria delas, vivem aqueles sem compromisso com a vida. Para as pessoas normais, muitas delas tornaram-se inadequadas.

 

Ontem, nos velhos tempos, eram pessoas de todas as idades utilizando os bondes para passear e conhecer os bairros da cidade. Depois nos ônibus, o hábito continuou até chegar o dia de hoje, quando os assaltos e crimes passaram ser uma constante nos ônibus.

 

Sair à noite, só mesmo de carro, da porta de sua residência até o seu destino. Assim mesmo, o risco de ser assaltado é grande.

 

É… O Rio de Janeiro já foi uma cidade maravilhosa em todos os sentidos. Segundo um artigo de autoria de Sylvio Guedes, publicado no Jornal de Brasília de 11 de agosto de 2002, toda esta mudança começou lá pelo fim da década de 70, quando a cocaína começou a se infiltrar de fato no Rio de Janeiro pela porta da frente. Pela classe média alta, pelas festinhas de embalo da zona sul, pelas danceterias, pelos barzinhos de Ipanema e Leblon. Invadiu e se instalou nas redações de jornais e emissoras de televisão, sob o silêncio comprometedor de suas chefias e diretorias.

 

Nem é preciso falar como essa simples relação econômica de mercado terminou. Onde há demanda deve existir a necessária oferta. Com isto, os pés de chinelos das favelas viraram os barões da droga. Tomaram de assalto a cidade do Rio de Janeiro e agora cortam cabeças de quem ousa lhes cruzar o caminho e as exibem em bandejas, certos da impunidade.

 

E Aracaju, onde está no contexto? Para mim, Aracaju é hoje o que era o Rio de Janeiro antes do final da década de 70, pois nestes últimos dez anos muita coisa mudou, o que faz de Aracaju, uma cidade bem menos tranqüila do que era.

 

O trânsito, em determinadas horas do dia, torna-se um verdadeiro caos; a poluição sonora está transformando Aracaju numa cidade do barulho; as queimadas, destruição de matas e poluição das águas estão presentes; nos sinais de trânsito e ao longo das ruas é comum vermos jovens, que deveriam estar nas salas de aula, tentando viver à custa de esmolas; nas ruas, é comum encontrar jovens cheirando cola; em diversos bairros, lojas, para se livrarem de assaltos, estão fechando suas portas, nas horas de menor movimento; nas residências, é visível, com a construção de muros, a preocupação com a segurança; em diversas praças e nas cercanias do mercado municipal encontramos pessoas que ali passam o dia embriagando-se ou drogando-se.

 

Para que amanhã não vejamos em Aracaju o que estamos vendo no Rio de Janeiro é preciso que nos conscientizemos que a cidade não é só resultado da administração

pública, mas, também, da atitude da sociedade. È necessário que cada morador se sinta responsável pela sua cidade, zelando pelo seu patrimônio e cobrando das autoridades as ações que levam a uma contínua melhora de qualidade de vida na sua rua, seu bairro, enfim, em sua cidade.

 

Edmir Pelli é aposentado da Eletrosul e articulista desde 2000
edmir@infonet.com.br

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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