AUMENTO DOS SERVIDORES NÃO DEVE SER LINEAR

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Todo ano é a mesma novela. Chega a hora do aumento dos servidores públicos (municipais, estaduais e federais) e os governantes ficam sem saber o que fazer. Muitos deles têm calafrios só de pensar na palavra reajuste – para eles, mais do que palavra…Palavrão.

O governo federal, por conta de seus rombos históricos, treme anualmente já a partir do aumento do salário mínimo, em abril. Na ótica dos bam-bam-bans da área econômica, o grande vilão da Previdência e o maior indexador de salários do país. Mesmo assim, a União não tem como fugir desse compromisso e tenta – com uma má vontade danada – “corrigir” perdas e, às vezes, atribuir-lhe um pequeno ganho. É um malabarismo terrível, dizem os Palocci’s da vida.

A partir daí, começam as dores de cabeça dos chamados administradores públicos brasileiros. O efeito do mínimo sobre as folhas de pagamento oficiais conduz prefeitos e governadores a uma vida insone. E força-os a se debruçar sobre planilhas e mais planilhas de cálculos para ver que tipo de mágica pode ser feita em seus respectivos Estados e municípios.

Este ano, por exemplo, o prefeito Marcelo Déda teve que se virar pelo avesso para conseguir dar, como no ano passado, um aumento de 10% aos servidores do município de Aracaju. (3,7% acima da inflação). O comprometimento dos salários forçou o prefeito a exigir cortes significativos no custeio das secretarias.

Hoje será a vez do governador João Alves mostrar sua habilidade matemática, ou sua retórica. Pelas declarações do secretário da Fazenda, Gilmar Mendes, o Estado está em boas condições financeiras. Tem folga para conceder um reajuste adequado. Portanto, apesar das informações distorcidas divulgadas na semana passada, espera-se, este ano, um tratamento diferenciado para os servidores públicos estaduais.

Não se sabe ainda que tipo de reajuste será concedido por Dr. João Alves. Mas existe uma ínfima esperança de que 2005 não repita 2004, ano em que os servidores foram “beneficiados” apenas com o remanejamento dos chamados penduricalhos e com um percentual que dispensa maiores comentários.

A grande verdade, contudo, é que um aumento linear está praticamente descartado. Especula-se que o governador vai dar pouco mais de 15% a quem ganha hoje R$ 260, para que possa perceber igual ou um pouquinho acima de um salário mínimo (a grande maioria dos servidores). Afinal, não se pode pagar menos que R$ 300, não é mesmo?

Para os demais, humm!!! Não quero ser pessimista, nem leviano. É melhor aguardar.

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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