Bandidos e políticos

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O coronelismo, que ainda tem resquícios na política, inclusive em Sergipe, é um tipo de mando eleitoral que está em extinção. Conhece-se muitos poucos coronéis que ainda atuam no Nordeste. Eles foram sendo superados pela conscientização do eleitor, adquirida através dos meios de comunicação e pela modernização das campanhas. Os coronéis, na realidade, eram, em sua maioria, fazendeiros autoritários que mantinham currais eleitorais submissos. Usavam do assistencialismo em troca de votos e, praticamente, eram senhores de todas as decisões em seu pedaço. Mas o coronelismo, que se pode considerar extinto, era mais salutar do que o crime organizado, uma força no país que atua ao lado de políticos fortes e influentes. O foragido Floro Calheiros tem, por trás, personalidades importantes dos Estados e da República, que ele os manuseia com os seus milhões de reais. Floro Calheiros é um cidadão inteligente e usa essa sua qualidade para ganhar dinheiro praticando crimes, comprando políticos e corrompendo autoridades. Esse novo estilo, de fabricar políticos coniventes com o crime, se inicia com prefeitos de cidades importantes, em sua maioria do interior, mas que tenham boa arrecadação. O crime organizado se infiltra entre os candidatos e elege um deles para uma Prefeitura forte. O próprio Floro Calheiros começou em Canindé do São Francisco como secretário de Finanças do então prefeito Genivaldo Galindo. O dinheiro que ele aplica para eleger o prefeito retira em dobro, porque praticamente é quem manobra o que a cidade arrecada. Daí parte para a formação de todo um grupo político que ficará submisso aos seus desejos, geralmente desonestos. Ajudam a eleger deputados estaduais, federais, senadores e até governadores e, por eles, como uma indústria paralela, podem até matar para que os seus interesses não sejam frustrados. Dentro de uma análise até mais profunda, pode-se dizer que o esquema de poder em Sergipe não eliminou apenas o deputado Joaldo Barbosa, para que o suplente Antônio Francisco assumisse a Assembléia Legislativa. Esse bandidos financiam a política, mas também se colocam à disposição para tirar pedras que atrapalham a caminhada. O assassinato do radialista Cláudio Rotay, que seria deputado estadual certo, aconteceu para que não desfalcasse o esquema. Tiraram ele da frente. Assim como fizeram como o vereador Carlos Gato, um vereador que estava se destacando na região centro sul e anunciava uma candidatura ao Senado pelo PV. Não é que os dois significassem alguma coisa para o crime organizado. É que eles poderiam tomar o lugar de algum elemento, que dá sustentação a essa indústria que provoca sérios danos à vida pública. Os políticos pecam porque não recusam ofertas financeiras para bancar campanha e terminam refém do crime. Talvez nem tanto refém, mas conivente, amigo, aliado e sempre disposto a trabalhar em favor de um desses bandidos, quando eles caem nas mãos da Polícia. Há informações seguras de que houve tentativa de interferência para se chegar à liberdade de Floro Calheiros, antes dele fugir, de personalidades fortes da política do Nordeste e Sudeste. Há uma tolerância, inclusive, do Judiciário, porque não atua preventivamente em alguns casos e não recusam pedidos de hábeas corpus, para pessoas comprovadamente implicadas em processos que mexem com a estrutura de violência e corrupção, que se experimenta no país. O Sul da Bahia e Espírito Santo dão exemplo do envolvimento escandaloso de políticos com o crime organizado. Em Mato Grosso, por exemplo, um sujeito conhecido por Comendador, recentemente preso, tinha em mãos prefeitos, deputados estaduais e federais, membros do poder judiciário e toda uma estrutura que o deixou milionário. Com mais força do que o próprio Estado. Esses políticos, que ganharam mandatos com o voto do crime, estão à disposição e a serviço dele. Se alguém do esquema for preso, como foi o caso de Floro Calheiros, as influências começam a atuar, principalmente junto ao judiciário, para tentar neutralizar as ações. Com isso ganham mais votos nos próximos pleitos. Estes últimos anos foram cheios de personagens da polícia que perderam mandato por integrar uma rede de crimes e desordens que abalavam estados. E isso vem realmente se tornando uma indústria, que tem participação nas decisões dos municípios, dos Estados e do país, sempre dominando setores que influenciam nos recursos que chegam para benefícios da sociedade. E parte daí os superfaturamentos, as licitações viciadas, as obras não realizadas e tudo o mais que promovem as tais desproporções de renda. As autoridades precisam ficar atentas a isso e passar a analisar a mudança do coronelismo para o crime organizado. O primeiro praticou a exploração do homem. O segundo compra mandatos para promover o enriquecimento pessoal, mesmo que isso custe a vida de alguém. Mas há outro mal chegando no interior: a máfia das bandas, que será motivo de uma análise mais ampla neste espaço. EXPLICA O MST em Sergipe explica que ao longo de seus 20 anos foi recebido, desde 1984, pelos presidentes Tancredo Neves, José Sarney, Itamar Franco e Fernando Henrique. “Só não fomos recebidos, porque não quisemos, pelo presidente expulso Fernando Collor”. E pergunta: “Então qual o motivo para tanta ojeriza da imprensa burguesa, da direita parlamentar e dos fazendeiros?”. BANDEIRA No dia que o pessoal do MST foi recebido pelo presidente Lula da Silva, o deputado federal João Fontes fazia tremular, em plenário, uma bandeira do movimento. Ao lado, segurando a outra porta da bandeira, um dos seus correligionários que mais trabalharam para que ele fosse punido pelo partido. Ninguém entendeu. MAU EXEMPLO Um deputado sergipano considerou um mau exemplo o presidente Lula colocar boné do MST e levantar sua bandeira. Segundo o parlamentar, “a bandeira que um presidente da República deve empunhar é a do Brasil!”. E continuou: “isso não impede que ele seja vinculado ao MST, mas no Planalto Lula tem que ser o Brasil”. FLORO Uma fonte da Segurança revelou que é impossível a polícia de Sergipe prender um fugitivo como Floro Calheiros, que tem condições de viajar para onde quiser. Chegou mesmo a tentar ridiculariza: “Se não conseguem prender Antônio Francisco, que é um banana, como vão prender Floro?” MENDONÇA Ontem, o secretário de segurança, Luiz Mendonça, disse que as polícias de todos os Estados estão atentas para prender Floro Calheiros. Ele acredita que, dentro de mais alguns dias, a Polícia recebe informações e vai tendo pistas que terminam levando a Floro. MUNGANGA A mesma fonte da Segurança sugere que seja redobrada a vigilância de Marcos Munganga, na Penitenciária de São Cristóvão, porque ele só se deixou prender para livrar a cara de Floro Calheiros. Teme que agora o amigo foragido comece a trabalhar para que Munganga também consiga se livrar da prisão. PEDIDOS Deputados de outros Estados e até o amigo pessoal de um governador do Nordeste, tentaram influenciar em favor do detento Floro Calheiros. A informação é de gente vinculada ao judiciário e que também tem trânsito na área policial. Há necessidade de se levantar tudo isso, porque a fuga pode ter sido negociada por gente alta. GILMAR O deputado estadual Gilmar Carvalho (PL), que está sem fazer o programa matinal, visita os bairros de Aracaju, iniciando os contatos de campanha à Prefeitura de Aracaju. Gilmar não acha cedo, porque considera a próxima eleição muito disputada e que precisa manter muitos contatos para a disputa. JOÃO O deputado federal João Fontes (PT) concedeu, ontem, na CNT, programa Jogo do Poder, apresentado pelo jornalista Carlos Chagas, às 20h30, entrevista sobre questões do PT. Também explicou sua posição contrária à política do presidente Lula da Silva. João tem participado de muitos programas políticos na televisão. HELENO O deputado federal Heleno Silva (PL) disse ontem que não está nos planos dele disputar qualquer Prefeitura Municipal, embora esteja bem nas pesquisas em Canindé. Heleno diz que também tem a questão do suplente que não é do partido. Quem assume o lugar do deputado é o vereador Antônio Samarone, que será convidado a filiar-se ao PL. REFORMA O Partido Liberal decidiu, em reunião, que vai apoiar a reforma apresentada pelo presidente Lula da Silva, mas Heleno diz que continua contra. “Não voto pela taxação dos inativos”, disse Heleno. Para isso vai avaliar as conseqüências eleitorais e partidárias. MUDANÇAS Um membro de partido vinculado à oposição previu, ontem, que o PT quando passar as reformas virá diferente para os aliados. Disse que a estrutura que o pessoal está montando é forte e sente que a chapa municipal em Aracaju deve ser puro sangue. PARADO Um membro antigo do PFL disse ontem que o governador João Alves Filho não foi à sede do partido desde que assumiu o Governo do Estado. O Instituto Tancredo Neves não funciona mais e o presidente do partido, Djenal Gonçalves, está residindo em Brasília. Lembra que em setembro o partido tem que se movimentar. Notas BOBAGEM Essa insistência da militância petista em tentar desqualificar as posições do deputado federal João Fontes, lembrando que ele já foi filiado ao PL e que participou do Governo Antônio Carlos Valadares, deixa a impressão que esse pessoal tenta, ao mesmo tempo, atingir o Partido Liberal e o senador Valadares. Hoje o Partido dos Trabalhadores tem o vice do PL e é aliado ao partido, assim como o senador Valadares que, depois de ingressar no PSB, manteve a sua postura coerente de fazer oposição. Em nenhum momento ele vacilou. EMENDAS O pastor Heleno Silva disse, ontem, que está começando a surgir descontentamento na base aliada do presidente Lula da Silva, porque as mais de 200 emendas apresentadas por parlamentares filiados ao PT, estão sendo estudadas, enquanto as dos deputados de outros partidos aliados são “derrubada numa boa”. Os parlamentares estranham essa forma de parceria, em que só vale as emendas do Partido dos Trabalhadores. Esse descontentamento atinge muitos deputados, que não gosta desse perfil exclusivista do PT. GRUPOS Um ex-secretário de Segurança analisa que o problema policial em Sergipe, talvez em todo Brasil, é a briga interna das facções que seguem orientação de outras lideranças. Garantiu que existem várias pessoas, dentro da própria Secretaria da Segurança, que trabalha para que Luiz Mendonça não tenha sucesso. A mesma coisa é na Polícia Militar, que tem grupos definidos que obedecem a comando que já não integram a corporação.Enquanto for mantida essa política interna na polícia, a segurança está sempre por um fio. É fogo O governador João Alves Filho passou o dia de ontem preparando a conferência que fará, hoje, na Câmara Federal, sobre o Nordeste e a Reforma Tributária. Todo um sistema de rádio do interior e capital vai transmitir a palestra do governador João Alves Filho que é contra a reforma tributária da forma que foi apresentada pelo Governo. Sergipe ficou com a Secretaria Geral da União Brasileira dos Vereadores (UBV). O eleito foi Fabrício, vereador de Estância. O deputado Heleno Silva vai convidar o vereador Antônio Samarone para ingressar no Partido Liberal. Das oito guaritas da Penitenciária de São Cristóvão, apenas quatro estão ativadas. É preciso que a Polícia ceda mais soldados. Ontem à noite recomeçou o forró de pé de serra e apresentação de quadrilha na rua de São João. Acontecerá toda a segunda-feira. Os deputados Fabiano Oliveira e Jackson Barreto (PTB) retornam à televisão em agosto, usando espaço do partido. Muita gente imprensou o expediente de ontem para ganhar o feriado de hoje. As repartições trabalharam em ritmo de sexta-feira. O deputado João da Graça está viajando, mas seus advogados estão preparando sua defesa, que será apresentada na segunda sessão plenária de agosto. O ex-prefeito de Lagarto, Jerônimo Reis (PTB) está viajando pelo interior com o objetivo de fortalecer o partido, criando novos diretórios. Um novo jornal está para circular em Aracaju. Já houve consultas para compra de equipamentos. O esquema é forte… O jornal não será o que a oposição pensa. Será diário, a cores e dentro de uma linha independente. Quem está por trás tem condições de fazer isso. Há informação de que Floro Calheiros tem fazenda e indústria no Estado de Roraima. É homem de muito dinheiro. brayner@infonet.com.br

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