Caminhos-3

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Há muito tempo sabia que existia um grande lago, bem longe daquele local, apenas com uma casinha e sua roça de vegetação rasteira. Um dia, no início da madrugada, ainda escuro, acendeu os cadeeiros, cozinhou alimentos e arrumou algumas coisas dentro de um bornal. Calçou alpercatas novas, saiu, encostou a porta e seguiu. Sabia que era para lá, em direção dos morros.

Caminhou muito e dormiu embaixo de árvores, a barba e os cabelos cresceram e já trazia na mão direita um pau, uma espécie de cajado, com quem, vez por outra, conversava. Para além dos montes, divisou outros descampados e montes. “Isso não tem fim?”, perguntou ao cajado. “Tem sim, mas é preciso caminhar mais”, imaginou a resposta. Cansado por demais, resolveu voltar e foi difícil encontrar sua casinha. 

Recomeçou a sua vidinha. Vez em quando, os olhos brilhavam, pois sabia que existia sim um grande lago para além daqueles montes e de outros e outros. Olhava para o cajado encostado na parede. Cheio de poeira e já escuro, ele parecia sorrir.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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