Carta ao Secretariado

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De Lisboa, onde se encontra, o governador João Alves enviou carta circular a todos os secretários. Plenário teve acesso a uma delas, através de um dos auxiliares, que não pode ter seu nome revelado. A correspondência não foi tão dura, mas demonstrava uma nítida preocupação com o não cumprimento de determinações, por parte de alguns auxiliares de primeiro e segundo escalões. É que alguns secretários e presidentes de empresas, não têm correspondido, à altura, o rígido cumprimento dos itens estabelecido na última reunião da equipe, ocorrida no hotel fazenda Boa Luz, às vésperas de sua viagem à Europa: “parece que não consegui dar ênfase necessária que, fugindo ao meu estilo conciliador – levando em conta a extrema importância do tema – eu não fazia apenas uma ponderação e um pedido: estava transmitindo ordens expressas, inadiáveis e indispensáveis”, diz o governador, em trecho grifado, o que demonstra uma certa rispidez. Em sua carta, o governador diz aos secretários que “o sucesso ou fracasso do nosso Governo depende do rigidíssimo cumprimento das determinações estabelecidas na minha fala e no ofício dirigido a cada um dos secretários”. João Alves deixa bem claro que, por questão de sobrevivência pura e simples – jamais por capricho pessoal – não poderá ser aceito qualquer tipo de desculpa, na tentativa vã de justificar o não rigoroso atendimento, sem exceção, de nenhuma providência exposta. O governador avisa aos auxiliares que já recomendou ao secretário José Alves, que seu compromisso mais importante, ao retornar a Sergipe, será uma reunião com todos os participantes da ultima reunião para, além de confirmar os cumprimentos das metas, “passarmos a estabelecer as próximas etapas”. Na correspondência aos secretários, o governador considerou desnecessário lembrar que todas as medidas nasceram da “inadiável necessidade do anúncio de uma melhoria salarial destinada a um funcionalismo que, durante oito anos do Governo passado (apesar da inimaginável fortuna obtida com a venda da Energipe), não recebeu um só aumento”. O governador considera que esse novo esboço da nova política salarial (“embora longe do que gostaríamos de propor”), independente do seu justo aspecto humanitário, deverá ser encarado de duas formas: seu reflexo positivo na economia sergipana pelo aumento da capacidade de compra ao comercio, “mas também, para nós, de enorme interesse, seus grandes benefícios no desempenho das fundamentais ações do funcionalismo, em apoio ao trabalho da nossa equipe”. Segundo o governador, “nada foi concedido de improviso e tudo foi rigorosamente estudado pela nossa assessoria econômica, com o valioso apoio de consultores de alto coturno e, por ultimo, submetido a uma prévia e rígida analise – e só depois de aprovado – do secretário da Fazenda” (o grifo é do governador). João Alves entende que concluída a implantação de suas providências, por cada Secretaria, Empresas e Autarquias, haverá a garantia de obtenção dos recursos necessários para honrar a folha, sem prejuízo das ações e obras estruturantes. Ainda na carta, o governador João Alves Filho fez um depoimento que considerou pertinente: “há cerca de seis anos, eu e minha mulher, tomamos uma decisão que mudaria o rumo das nossas vidas: optamos por uma dedicação exclusiva à nossa vida pública. Para tanto, transferimos todas as nossas empresas e patrimônios para nossos filhos. Hoje só temos nosso apartamento e, confesso, estamos com nossas cabeças mais leves e nos sentimos mais felizes. Daí porque, no que diz respeito a essa nossa conversa, lhe afirmo, sem margem de erro: daqui pra frente só tenho dois compromissos na minha vida, que são: o amor para com a nossa família e para com os sergipanos. Dentro desse contexto, não tenho o direito de vacilar um só instante, em vencer qualquer tipo de obstáculo que se anteponha ao rigoroso cumprimento do Plano de Governo que traçamos, o qual visa o desenvolvimento do nosso Estado e melhor qualidade de vida para nosso povo”. Na última observação da carta dirigida aos secretários o governador João Alves Filho lembra que “esse é o meu terceiro Governo e, circunstancialmente, ocorre num momento de grande crise. Paradoxalmente, entretanto, nunca tivemos condições de darmos um salto tão grande no desenvolvimento e na qualidade de vida da nossa gente. Teríamos muito a falar sobre o assunto, mas, para sintetizar, estabelecemos, dentre outras, três metas que transformará Sergipe – imagine o reflexo de tudo isso para nosso povo! – no primeiro Estado do Brasil a alcançar três tentos enigmáticos: a universabilização da energia e da água (em todos os povoados) em 2,5 anos e a erradicação plena do analfabetismo em 4,5 anos”. No final uma mensagem que cheira a determinação: “É essa a aventura fascinante (com os pés no chão!), cujo roteiro nos cabe cumprir e, para a qual, o povo sergipano não pode admitir tergiversação”. A carta, na realidade, desperta os secretários da grande responsabilidade de administrar um estado, para chegar aos melhores resultados, NACIONAL A questão do Partido dos Trabalhadores em colocar chapa puro sangue para disputar a Prefeitura de Aracaju, praticamente é nacional. Segundo uma fonte do partido, em todas as cidades que o PT está na Prefeitura e tenta a reeleição, a militância exige que a chapa seja genuína. HELENO O deputado federal Heleno Silva (PT) disse ontem que os partidos aliados não concordam com o lançamento de uma chapa majoritária formada por dois membros do PT. Acrescentou que o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) ficou boquiaberto quando soube da desincompatibilização do secretário das Finanças, Nilson Lima. ALIANÇA O deputado Heleno Silva continuou dizendo que pretende estabelecer um relacionamento de aliança: “nós queremos ouvir e ser ouvidos”. Acha que só assim esse grupo que prega mudanças, poderá se fortalecer em 2004, para se consolidar em 2006. PERGUNTA Uma das perguntas que já começa a surgir, neste momento é a seguinte: “quem garante que Marcelo Déda deixará a Prefeitura de Aracaju, caso seja eleito?”. Há uma certa unanimidade que, em termos de Brasil, o PT está sofrendo uma queda vertiginosa, a ponto de desestimular candidaturas Governo. SÉRGIO O presidente da Câmara Municipal, Sérgio Góes (PL), disse que quem apóia o prefeito Marcelo Déda na Câmara são os vereadores dos partidos aliados. Segundo ele, os vereadores da bancada petista nem sempre tem apoiado, em sua totalidade, os projetos do prefeito. PRESSÃO Os partidos aliados não vão ficar esperando que a militância do PT vai concordar ou não em ter um vice-prefeito indicado pelos partidos aliados. O deputado Heleno Silva já disse que vai aguardar até o dia 11. A partir daí o PL pode tomar outro rumo. Na realidade, o PT não pode ditar as normas. JACKSON O deputado federal Jackson Barreto (PTB) disse que leva em consideração só as palavras do prefeito Marcelo Déda (PT), de que o candidato a vice é Edvaldo Nogueira (PCdoB). Disse que não entende aliança sem participação na chapa majoritária, porque fere os princípios de que aliado tem que integrar o processo. ELEIÇÕES Jackson Barreto disse que o prefeito Marcelo pode não discutir as eleições de 2006, “mas nós acreditamos que o pleito de 2004 é casado com o de 2006”. Experiente nas refregas oposicionistas, Jackson Barreto advertiu que “ferida aberta em 2004 não fecha fácil em 2006”. Dessa forma é melhor evitar. PURÍSSIMO O vereador Antônio Góis (PT) diz que defende uma chapa “puríssimo sangue”. Acha que o partido deve discutir nomes de todas as tendências para ser o vice. Admite que pode até ser Nilson Lima, desde que ele reúna todas as opções das demais tendências que formam o partido. Góis não integra nenhuma delas. ADMINISTRAÇÃO O vereador Antônio Góis diz que o partido não está discutindo uma candidatura, mas a administração do PT. Diz que ninguém vai votar no vice, o povo vai votar no PT. “Como o povo quer a continuidade da administração do PT, não podemos passa-la para outra legenda. Com certeza o PL, PTB ou PSB não entregariam para outro partido”, disse. PROPORCIONAL Antônio Góis também sugere que o PT faça coligação proporcional só com legendas que tradicionalmente ficaram com o partido em outras circunstâncias. Lembra que em 2000 o PT obteve 12 mil votos de legenda, “se a gente fizer coligação proporcional, vamos perder tudo isso”. INQUÉRITO O inquérito sobre a fuga de Floro Calheiros, realizado por determinação do juiz Anselmo Oliveira, conclui pelo envolvimento de Meire Consuelo e da escrivã Eliene (Lico). Dois policiais militares estão envolvidos até a medula. Tudo indica que Floro fugiu utilizando uma viatura da Polícia. SEGURANÇA No momento da fuga retiraram a segurança da Delegacia porque disseram que estava havendo um assalto na agência do Unibanco, no centro de Aracaju. Tinha sido alarme falso apenas para afastar os policiais, porque Floro fugiu exatamente neste momento em que a segurança se ausentou. ASSASSINATO Até antes do afastamento do secretário de Segurança, Luiz Mendonça, para passar a procurador de justiça, não havia denúncia de assassinato. Depois que ele retornou à Secretaria é que começou a se falar que Mendonça queria assassinar Floro. Segundo uma fonte, o interesse era desestabilizar. PRISÃO Segundo consta dos autos, a juíza Iolanda Guimarães teria determinado a prisão de Floro Calheiros na Penitenciária. No processo não constava o mandato de prisão, só agora inserido na peça. O inquérito chega às mãos do promotor Augusto Lobão nesta segunda-feira e ele vai oferecer denuncia de todos os envolvidos. Notas NILSON O ex-secretário das Finanças, Nilson Lima (PT) mantém seu nome à disposição do partido para ser o vice na chapa encabeçada por Marcelo Déda (PT). Ontem, ele declarou que o seu gesto tomou uma amplitude, dentro da legenda, que se tornou incontrolável, porque acendeu o desejo de todas as alas petistas. O nome está colocado e é difícil retirar, embora hoje a tendência Articulação tenha uma reunião, para definições. Participam o prefeito Marcelo Déda e o presidente da Petrobrás José Eduardo Dutra para que se adote posições. FIDELIDADE Nilson Lima declarou que mantém total fidelidade à liderança do prefeito Marcelo Déda e acrescentou que se ele tivesse “pedido para eu não sair, eu não teria saído”. Garante que Déda não estimulou sua desincompatibilização, mas essa sua posição era de conhecimento de todos, já que fora divulgada amplamente. Segundo Nilson Lima, o lançamento da colocação do seu nome para discussão é natural dentro do Partido dos Trabalhadores. Garante, entretanto, que não tem o objetivo de dividir ou dificultar a ação de sua legenda. SOBRE 2006 O ex-secretário Nilson Lima disse que colocou seu nome à disposição do PT para ser o vice, por diversos motivos. Um deles foi o desdobramento par a campanha de 2006.Ele disse que, durante estes quatro anos, o partido produziu quadro que serve de referência para a sociedade, pelo trabalho realizado. Outro motivo colocado, foi que o Partido dos Trabalhadores continuará administrando Aracaju, mesmo que o prefeito Marcelo Déda saia para disputar o Governo do Estado, porque “essa administração teve êxito”. É fogo O vereador Elber Batalha diz que o mês de junho, com o São João e as convenções políticas, tem 35 dias. O deputado Heleno Silva (PL) acha que o PT vai precisar de muita habilidade política para manter a base aliada. Há informações que o PL pode vir aliar-se ao PDT e PV, para apoiar a candidatura do deputado Gilmar Carvalho à Prefeitura de Aracaju. O Seminário que a CDL está realizando no Centro de Convenções foi muito concorrido. Tanto que o número de cadeiras do auditório não foi suficiente pra acomodar tanta gente. O deputado federal Jackson Barreto alega que não tem projeto pessoal. Em 2006 vota em Déda para governador e em José Eduardo para o Senado. O deputado Marcos Franco (PMDB) está empolgado com a possibilidade do Banese formalizar uma parceria com municípios para financiar kits de irrigação. Deputados que não comandam partidos estão preocupados com a idéia da chama lista fechada, porque eles não terão vez. A lista fechada é uma excrescência, que beneficia quem já está no poder e os donos de partidos políticos. O deputado Augusto Bezerra, líder do PMDB na Assembléia Legislativa, acha que deve haver uma cruzada contra a lista fechada. A deputada Angélica Guimarães (PSC) trabalha na região do São Francisco, para fazer alguns prefeitos que são seus aliados. O deputado federal Jorge Alberto (PMDB) está animado com sua pré-candidatura a prefeito e iniciou contatos com outros partidos. O Banco do Brasil lançou linha inicial de R$ 300 milhões para microcrédito, a ser concedido a pessoas com renda mensal de até R$ 1 mil. brayner@infonet.com.br

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