CENTENÁRIO DE EDELZIO MELO

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Atendemos finalmente ao apelo de Luiz Antonio Barreto. Basta de esquecimento e desatenção com as coisas e as datas de Sergipe. Por

Edelzio em 1936
isso, Academia Sergipana de Medicina trouxe definitivamente para si a responsabilidade de celebrar datas marcantes na história da medicina de Sergipe. Nada além do que preconiza o seu Estatuto, no Capítulo II – Das finalidades, artigo 3º, item I, que diz textualmente: “A ASM tem por objetivos resgatar, homenagear e cultivar a memória de vultos da Medicina e comemorar fatos relevantes da Medicina regional, nacional e internacional”.

No entanto, ela não fechou portas para ficar isolada na vaidade de suas realizações, que já não são poucas nesses quinze anos existência. Entendeu, por decisão magnânima de sua diretoria, envolver outros segmentos da sociedade na preparação e elaboração de festividades e celebrações como essa que acontece nesta terça-feira, 8 de setembro, data do centenário de nascimento do médico, professor e político Edelzio Melo. Nesse sentido, constituiu comissão formada por representantes das entidades médicas, convidou inclusive a Assembléia Legislativa para indicar representante ( que infelizmente não se manifestou) e preparou, com antecedência e com participação da família do enfocado, uma singela homenagem.

Exatamente nessa data, há 100 anos, chegava ao mundo Edelzio Vieira de Melo (assim mesmo, com um “ele” antes do “z”), na cidade de Rosário do Catete, mais precisamente no engenho Catete Velho, filho do desembargador José Sotero Vieira de Melo e Arminda Barreto de Melo. Em 1936, concluiu o curso pela Faculdade de Medicina da Bahia e logo regressou  para Sergipe onde iniciou sua carreira em Capela, permanecendo nesta cidade até 1944, quando então se transferiu para Aracaju. Além de médico, Edelzio exerceu atividades pedagógicas e terminou por dedicar-se à política, atendendo convite do interventor Maynard Gomes para assumir a prefeitura de Capela em 1941. Estávamos sob o regime do Estado Novo decretado por Getúlio Vargas e desde então ele passa a se dedicar à política com determinação, correção, ética e probidade.

                Em 1947 elegeu-se deputado constituinte pelo PSD, no momento em que o país voltava à normalidade democrática do pós-guerra, sendo eleito, por duas vezes, presidente da Assembléia Legislativa. Em 1950, foi eleito vice-governador na chapa de Arnaldo Garcez, que por sua vez não é homologado de imediato pelo TRE, em função de supostas irregularidades em algumas cidades interioranas. Mas Edelzio, não dependendo de recontagens ou novas eleições, foi proclamado e diplomado vice-governador. Acontece que o desembargador João Dantas Martins, que exercia o cargo temporariamente, não quis lhe passar o bastão. Quem conta esse episódio é o historiador Luiz Antonio Barreto, da Academia Sergipana de Letras.

“ – Contestado o resultado da eleição e encerrando o mandato do governador, o desembargador João Dantas Martins dos Reis, que presidia o Tribunal de Justiça do Estado, considerou-se substituto legal do governador eleito, até que as pendências fossem resolvidas e confirmassem os eleitos. Quis assumir, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral, mas o Palácio bateu-lhe as portas. Seguro de suas idéias, destemido nos seus propósitos, formou um grupo cívico e foi ao Palácio, sem sucesso, deu meia volta e foi assumir o Governo na Assembléia Legislativa, permanecendo como chefe do Poder Executivo de 17 de fevereiro e 12 de março de 1951. O estado de direito estava sob controle, com amplo apoio popular. Edelzio Vieira de Melo chamou para si a responsabilidade de liquidar com as manobras, pretensamente jurídicas, em favor do desembargador João Dantas Martins dos Reis. A demanda foi, finalmente, resolvida em favor do vice governador, pela mais alta Corte de justiça. Recontados os votos de algumas seções, foi confirmada a vitória do governador Arnaldo Rollemberg Garcez, que tomou posse em 12 de março de 1951 e governou, tendo Edelzio Vieira de Melo como colaborador eficiente, até janeiro de 1955.”

          Candidatou-se ao governo do Estado nos pleitos de 1954 e 1958, mas não logrou êxito,

Getúlio Vargas, Arnaldo e Edelzio, no Palácio do Catete, em 1954.
apesar das votações expressivas. Foi ainda candidato a deputado federal, em 1962, mas perdeu a eleição por poucos votos. Desencantado com os revezes políticos , Edelzio perdeu a última e definitiva batalha em 23 de dezembro do mesmo ano, deixando um legado de seriedade, honradez e retidão de caráter.

Em 1994, ao ser instalada, a Academia Sergipana de Medicina conferiu-lhe a imortalidade como patrono da cadeira de número dez do sodalício, que teve como fundador o médico  Antonio Fernando Dantas Maynard. Com o falecimento deste em 1996, assumiu a cadeira o médico José Geraldo Dantas Bezerrá, atual ocupante.

          É para reverenciar a memória deste destacado sergipano que os médicos, políticos e familiares se irmanaram e prepararam com esmero a programação que acontecerá neste 8 de setembro, iniciando às 19 horas com a celebração de Missa em Ação de Graça, na Igreja Jesus Ressuscitado, localizada no bairro 13 de Julho, seguida de uma sessão especial  comandada pela Academia de Medicina quando, na oportunidade, o médico José Geraldo Dantas Bezerra, ocupante da cadeira 10,  fará a saudação oficial em nome da entidade. Ato contínuo, o deputado federal Jackson Barreto fará saudação em nome da classe política e, encerrando a solenidade, o filho do homenageado, Sérgio Melo, falará em nome da família. Para fechar com singular brilhantismo a efeméride, o intelectual Luiz Antonio Barreto autografa livro de sua autoria sobre a vida e a obra de Edelzio Vieira de Melo.

Mário Cabral, intelectual sergipano  de saudosa memória, que adotou a Bahia para viver, no livro  “Jornal da Noite”  disse: “Porque o horrível da vida não é a morte em si mesma. É o apagamento do seu nome, da sua história, da sua lembrança, do que você fez, amou ou sofreu. É o esquecimento, a diluição da imagem, a dispersão do saber como se fora um sacrário violado”.

A celebração do centenário de nascimento de Edelzio Vieira de Melo, que ora se realiza, fará com que esse nome jamais seja esquecido.

…………………………70 ANOS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL………………………………………………….

Nesta semana o mundo relembra os 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial, quando tropas nazistas invadem a Polônia, em 1º de setembro de 1939. Três dias depois, Inglaterra e França declaram guerra à Alemanha. Inicia-se uma ação bélica sem precedentes na história da humanidade, da qual morrem mais de 60 milhões de pessoas e que, ao seu final, seis anos depois, modifica o mapa do mundo evidenciando duas grandes potências, os Estados Unidos da América – USA,  e a União das Repúblicas Socialistas Soviética – URSS, as grandes vencedoras da guerra.  Por outro lado, deixa uma nação dizimada, a Alemanha e uma Europa destruída, excetuando-se evidentemente os países da península ibérica e a Suiça, que assumem  posição de neutralidade.  

…………………………….UMA HISTÓRIA SINGULAR…………………………………………………………………………..

É o nome do livro que será lançado no próximo dia 10 de setembro, a partir das seis e meia  da noite na Sociedade Médica de Sergipe, escrito pela médica ginecologista e obstetra Verônica Távora de Souza. O livro aborda as situações vivenciadas pelos trabalhadores e usuários das maternidades  Nossa Senhora de Lourdes e Hildete Falcão Batista. Apresenta informações técnicas e legislação adotadas no embasamento dos projetos implantados com intuito, inclusive, de preservar os trabalhadores diante das novas ações, além de consolidá-las para que, se benéficas, perdurem. Contribui, com esta experiência para a conformação de um novo modelo de atenção à saúde na rede hospitalar, com ênfase na humanização da assitência e gestão participativa.

Como todos sabem, a maternidade Nossa Senhora de Lourdes foi construída pelo governo anterior e colocada para funcionar, debaixo de muita polêmica, no atual governo.

………………………………MEMORIAL “AUGUSTO LEITE”………………………………………………………………

A Academia Sergipana de Medicina e o Hospital Cirurgia começam a dar os primeiros passos para a concretização de um sonho: a instalação do Memorial Augusto Leite, nas dependências da unidade hospitalar. Comissão da ASM, convidada pelo diretor do hospital Gilberto dos Santos, visitou nesta sexta-feira (04/09) a instituição e os locais destinados a sua implantação. Todos muito animados, as conversas vão continuar.

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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