Comemorando um ano perdido

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Dia 2 de novembro. Um bom dia para lembrar antecipadamente o primeiro ano do governo Deda. O dia de Finados cai como uma luva para comemorar uma gestão cujos primeiros funestos resultados foram dezenas de mortes nos hospitais públicos por incompetência, negligência e a mais absoluta irresponsabilidade.

O diretor do hospital João Alves explicou esta semana que as mortes na UTI e a infestação pela bactéria que provocou uma grave infecção hospitalar no local decorreram do fato de que não existiam ainda protocolos de assepsia adequados.

Vejam vocês, sempre existiram esses procedimentos por ali, mas quando o PT assumiu o governo demitiu todos os profissionais qualificados de um dia para o outro e, sem pedir auxílio algum aos servidores experientes afastados, decidiu começar do zero e dar continuidade à manutenção do maior hospital público do estado como se tivesse gerindo um açougue, tudo porque os demitidos não tinham estrelas vermelhas na testa que os tornassem confiáveis.

Para completar, afastaram as empresas terceirizadas responsáveis pela higienização e contrataram outra – sem licitação, como de praxe na atual gestão – e a puseram lá sem a mínima experiência, ao que parece.

Os resultados foram a proliferação das infecções hospitalares no setor público e a desfaçatez do diretor do hospital João Alves, ao afirmar publicamente que eles ainda estavam se adequando aos procedimentos de assepsia – ou que estes ainda não existiam – numa instituição hospitalar que já tinha rotinas estabelecidas, inclusive de higienização, desde o início do seu funcionamento, há mais de dez anos.

Ele ainda completou o disparate afirmando que a firma de limpeza contratada sem licitação tinha problemas, mas que estavam sendo sanados. Até misturar água em excesso às drogas desinfestantes era um procedimento que vinha sendo feito, segundo relatos de enfermeiros e médicos. Ou seja, estão irresponsavelmente reinventando o hospital, tentando trocar o pneu do veículo com o carro a uma velocidade de 120 por hora, para desespero da população.

Mas esse assunto, pode-se dizer, é comida requentada diante da sucessão de novos fatos, pródigos em absurdos e contradições, que dia-a-dia pipocam neste governo. O mais recente deles foi a repressão à manifestação estudantil de secundaristas que reclamavam do caos reinante no colégio público Dom Luciano Cabral Duarte.

Nada menos que oito viaturas da rádio-patrulha foram enviadas ao local e um exército de policiais militares reprimiu uma manifestação pacífica de estudantes na base de cacetadas e spray de pimenta. E enquanto foram enviados oito carros para atacar manifestações públicas contra o governo, o estado continua sem viaturas suficientes para a segurança pública. Tudo isso no governo dos democratas do PT!

Ah, claro que entre os jornalistas puxa-sacos e os parlamentares da base aliada do governo surgiram as explicações mais cretinas do mundo para justificar o massacre aos estudantes e defender o grande democrata Marcelo Deda.

Da boca de um deputado Francisco Gualberto, um ex-sindicalista outrora suposto combativo defensor das manifestações populares, saiu quase uma tentativa para justificar as agressões, alegando que era preciso ver se aquele movimento não tinha alguma motivação política, uma asneira que só poderia mesmo ter saído de sua boca.

 Afinal eles pensam que somos todos idiotas? E a CUT, os sindicatos ligados ao PT e outros movimentos ditos populares, por acaso deixaram alguma vez de realizar manifestações que não tivessem, todas elas, motivação política? O SINTESE é o maior exemplo disso, cujos dirigentes, os deputados Iran Barbosa e Ana Lúcia, foram eleitos consecutivamente se utilizando das manifestações populares para galgarem cargos públicos.

E não fica só neles. Entre os integrantes da diretoria da CUT, quase todos sempre tiveram motivação política. Vide Rômulo Rodrigues e sucessores. No seio do Sindiminas, foi gerado o político Eduardo Dutra. Da Petromisa, surgiram tantos outros. No centro dos movimentos do Diretório Central dos Estudantes da UFS, surgiu o governador Marcelo Deda. O próprio Francisco Gualberto travestiu-se de liderança de movimentos populares para qualificar-se, junto ao eleitorado, a um cargo eletivo. E esse bando de ingênuos de imaculada boa fé e incrível desprendimento, ainda vem questionar a validade de um movimento estudantil, alegando sua suposta motivação política?

Lave a boca primeiro antes de falar, meu caro deputado Gualberto. Ou os movimentos que vocês lideraram eram todos candidamente dedicados aos interesses da população? Se eram, o que fazem vocês agora mamando nas tetas do poder, enquanto reprimem violentamente os novos movimentos populares e ainda tentam justificar a repressão?

Quanto a CUT, nem é bom comentar. Junto com a maioria dos sindicatos ligados ao PT, entre os quais o SINTESE, se tornou um grupo de sindicalistas pelegos, já visceralmente ligados ao governo ou aguardando a hora de chegar a vez para a boquinha no poder.

Já a deputada Tânia Soares acusou o governo João Alves como co-responsável pelos ataques da polícia de Deda à manifestação estudantil, alegando que foi o abandono a que chegou o Colégio Dom Luciano no governo anterior, que teria levado os estudantes a se manifestarem. E a conseqüência, segundo ela, teria sido a violenta ação da polícia.

Ora, minha caríssima deputada, está na hora da senhora fazer um curso elementar de lógica e argumentação. Dez meses se passaram de um governo inábil, a escola Dom Luciano se tornou um caos neste período, em que se alguma coisa mudou foi para pior, graças à demissão de servidores competentes e a substituição por uma plêiade de incompetentes que o PT tão bem sabe selecionar e conduzir aos cargos públicos, e a senhora me vem com essa outra asneira?

Não dá para acreditar ser possível a existência de neurônios em perfeita ordem na cabeça desses parlamentares do Partido dos Trabalhadores.

Mas hilariante mesmo veio a justificativa de um dos tantos bajuladores de Marcelo Deda, um destes jornalistas da terra. Ele chegou ao extremo de criar o primoroso e não menos estapafúrdio argumento de que os estudantes foram agredidos pela polícia porque, entre os PMs que foram à operação, existiam policiais egressos do governo João Alves  – que estavam ainda em operação – acostumados a cometer arbitrariedades e a desrespeitar os direitos humanos, graças aos vícios adquiridos no governo passado.

Ora minha nossa, essa gente consegue mesmo se superar em sandices, quando se trata de defender o chefe supremo. E deve pensar que os sergipanos são todos uns retardados mentais, enquanto eles, crentes que representam uma suposta elite intelectual e política, seriam o supra-sumo da inteligência, donos da verdade absoluta, capazes de manipular as mentes da forma como bem lhes aprouver.

Como esta não é a primeira vez que o governo Deda manda baixar o cacete em manifestações públicas – é a terceira vez, e todas em movimentos estudantis – já dá para perceber que manter opiniões divergentes daquelas do eminente governante é um perigo. Virou grave crime no estado.

Aliás, sinto isso daqui mesmo, escrevendo no portal Infonet, onde sempre recebo emails particulares ou comentários públicos de pessoas inconformadas pelo teor dos meus artigos, em função das críticas ao governo do PT. Qualquer argumento contra esse santo partido virou crime de opinião e nós, os criminosos, passíveis de imolação pública.

Mas dá para entender a motivação desse pessoal que escreve me esculhambando, baixando o nível porque lhes faltam argumentos e QI suficientes para elaborar raciocínios mais eficazes que não o do xingamento pura e simples. Eles fazem parte de duas categorias de cidadãos. Ou dos que estão se refestelando no poder, enganando o povo com a ideologia de araque do PT, enquanto lucram junto com os governos de Lula e Deda; ou constituem o exército de inocentes úteis, a imensa maioria, formada por cidadãos cuja inteligência terminou embotada pela emoção do partidarismo, que bloqueia-lhes o raciocínio e os tornam imbecilizados e incapazes de enxergarem o óbvio: o de que não existem mudanças no governo das mudanças, a não ser para pior. E bem pior…

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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