Contingência

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“Quem tem dois tem um, quem tem um não tem nenhum”. Esse velho ditado reflete fielmente o título da nossa coluna de hoje. Contingência não é voltada exclusivamente para a área de informática, mas como a cada dia dependemos mais da tecnologia da informação, é quase que impossível desassociar. Quanto mais importante o serviço prestado, mais necessária será a contingência para o mesmo.

Quando pensamos no nosso computador doméstico, a contingência normalmente pode ficar resumida a um backup periódico. Se acontecer algum desastre ao computador e ele tiver que ser substituído, o máximo que vai acontecer é ficar alguns dias sem acessar a Internet, ou seja, nada demais. Entretanto, já imaginou se os computadores do seu banco falharem? Não estou falando somente do backup das informações (ele, com certeza, existe), mas de quanto tempo o sistema todo poderia ficar fora do ar. Uma semana seria o suficiente para criar um caos entre os correntistas. Reforçando o que coloquei no parágrafo anterior: quanto mais crítico for o serviço, melhor terá que ser a contingência.

Semana passada estive numa reunião que discutia, exatamente, sobre contingência para o sistema da Nota Fiscal Eletrônica. Ficamos, durante dois dias, discutindo quais os cenários onde o sistema poderia falhar e fizemos propostas de contingência. O documento proposto pela equipe (14 pessoas ao todo) ficou com um total de 12 páginas. Isto reflete a seriedade e a importância que foi dada ao processo de contingência da NFe, já que este serviço se tornará essencial, para as empresas, daqui a alguns anos. Será, da mesma forma que os bancos, um serviço que “não poderá parar” (coloquei entre aspas pois é quase impossível ter um serviço que não pára). Mais uma vez reforço o parágrafo anterior: serviço crítico = contigência bem pensada (e executada).

Reunião terminada, chegou a hora de voltar para casa. Embarquei às 18:10, com quarenta minutos de atraso, da sexta-feira. O meu lugar era 18F (janela), mas ele já estava ocupado por uma senhora que me pediu para trocar a com a 19E (meio). Tudo bem, ainda não tinha feito a minha boa ação do dia. De qualquer forma foi bom… Tive uma conversa bem animada com um engenheiro civil do Ministério da Integração Nacional e um diretor comercial da Record de Vitória. Falamos de tudo um pouco, das Olimpiadas (que soube que terá transmissão exclusiva da Record), passando pelos seriados Heroes e o Aprendiz. Saí do vôo com o dever de assistir no YouTube os vídeos: Penalti e Árveres (isso mesmo, árveres).

Conexão Brasília, hora: 19:45. Já na saída do avião senti alguma coisa diferente no ar. Era o início do apagão aéreo amplamente noticiado por todos os meios de comunicação. Ninguém queria confirmar o óbvio, os controladores tinham iniciado a greve que já vinham sinalizando a alguns meses. Em pouco mais de 10 minutos, todas as em emissoras de TV estavam no saguão do aeroporto. Era o início da confusão. Nos monitores, todas as partidas estavam ou em atraso ou canceladas, ou seja, ninguém ia sair de lá. Já estava me preparando para o pior, que era ter que dormir na sala de embarque, quando escutei “embarque do vôo 3564, com destino para Aracaju”. Só podia ser piada… Dezenas de vôos esperando para sair e  somente o meu estava autorizado! Por via das dúvidas fui andando em direção ao portão de embarque. Menos de um minuto depois escutei outro aviso: “última chamada para o vôo 3564…”. Comecei a correr e cheguei bem a tempo, fui o penúltimo a embarcar. Assim que entrei pensei: ou meu anjo da guarda é muito forte ou tem alguém muito importante dentro deste avião. Minutos depois estava desfeita a minha dúvida, um par de córneas estavam vindo para um transplante aqui em Aracaju. Espero que tudo tenha corrido bem para esta pessoa!!!

Vendo um dos telejornais, no sábado, tive uma sensação de impotência diante daqueles fatos. A cada entrevista (e foram muitas), percebia o desespero das pessoas e eu sabia que, se não fosse o transplante, eu também estaria lá. Uma argentina disse para a reporter: onde está o progresso da sua bandeira? Revolta… Esse foi o meu sentimento ao final da reportagem. Acho que depois de sexta-feira o governo descobriu que o controle de tráfego aéreo é um serviço crítico. Espero que tenha aprendido!

 

em tempo: alguém sabe dizer onde anda o manual de contingência para o controle de tráfego aéreo?

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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