CONVERSAS DE LULA

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O presidente Lula da Silva (PT) está mostrando vontade de acertar. Pretende fazer um segundo governo vinculando-se a todos os partidos políticos, principalmente os de oposição, para que seja um projeto amplo, que integre o desenvolvimento. Antes o presidente reeleito pretende viajar e descansar alguns dias. Ao retornar vai conversar com todos os governadores eleitos e reeleitos, para articular um projeto político que seja bom para a sociedade brasileira. É isso que ele deseja, demonstrando amadurecimento para cumprir um segundo mandato sem resquícios dos quatro anos anteriores.

Ontem à noite, em seu primeiro pronunciamento em rede nacional como presidente reeleito, Lula da Silva escolheu “desenvolvimento com distribuição de renda e educação de qualidade”, como prioridades para o segundo mandato. Demonstrando que não pretende impor um projeto exclusivista, sugere a unidade de forças do país. Enfim, “o esforço e o entendimento nacionais”. É possível que o presidente Lula esteja bem intencionado e a oposição tem que entender que o resultado das urnas o absolveu do pecado de omissão que cometeu no primeiro mandato. Se está em busca da união, é porque está cedendo com certa humildade. No Brasil já não cabe tantas divergências sem compromissos com participação menos destrutiva.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o pronunciamento de ontem, declarou-se um “homem de diálogo” e estendeu a mão em busca do diálogo e da concórdia, no que chamou de “chamamento maduro e sincero”. Lula também fez uma conclamação a toda “sociedade, a começar pelas lideranças políticas e movimentos sociais, a unirmos o Brasil em torno de uma agenda comum de temas de interesse geral”. Com certa razão Lula disse que a disputa eleitoral não dividiu o país, embora tenha mostrado que “as desigualdades são latentes”. Para ele a exposição franca dos problemas mostrou, para toda a sociedade, que ainda existem brasis profundamente desiguais. O presidente admitiu que “o Brasil ainda tem uma enorme dívida social a resgatar, um grande atraso político a vencer e questões éticas a discutir e superar”.

O presidente Lula disse ainda que o seu governo vai continuar combatendo a corrupção. A oposição não concorda que houve combate aos escândalos que aconteceram durante este primeiro governo. É verdade que muita gente foi presa por diversos tipos de crimes cometidos contra o estado, mas não existe na cadeia ninguém envolvido no mensalão, nos dólares na cueca, na questão dos bingos e nas sanguessugas. Todos absolutamente soltos e até retornaram à Câmara Federal como se não tivessem praticado absolutamente nada. Se houve agilidade jurídica e policial para prender sonegadores, corruptos de outros poderes e integrantes de patotas diferentes, constata-se lentidão na questão do dossiê e nos demais ilícitos que expuseram o Planalto e o Congresso. Os 40 indiciados pelo Procuradoria Geral da Justiça estão livres, leves e soltos.
É nesse amparo aos aliados que hoje o presidente descarta, que a oposição se apega para dizer que as urnas elegem mas não absolvem.
No Senado, membros da oposição batem firme. O líder do PFL, senador José Agripino (RN), declarou ontem que o grande número de votos recebidos pelo presidente Lula no segundo turno das eleições, o levou a ficar arrogante e “calçar salto 30”. Agripino lembrou que Lula, em sua primeira declaração disse que quer mudar sua relação com a imprensa e a primeira conseqüência pratica disso foi a Polícia Federal trancafiar e constranger por duas horas e meia dois jornalista da revista Veja. Já o senador Mão Santa, do PMDB-PI, disse que vencer uma eleição não pode ser classificado como uma vitória da democracia: “não temos nada a comemorar. Não teve vitória da democracia porque não existe poder mais avacalhado e desmoralizado do que o Legislativo, com mensaleiros e mensalão”.
É fácil perceber que um entendimento é difícil, mas não impossível, desde que não se jogue para baixo do tapete o lixo que resultou da ação de setores petista neste governo.

 

 

EMENDAS

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) reconhece que as emendas de bancada têm grande importância para o Sergipe.

Admite que agora ganha maior amplitude em razão do governador eleito Marcelo Déda e o presidente da República Lula da Silva integrarem o mesmo partido.

 

TENSO

José Carlos Machado reconhece que neste momento o clima é tenso entre membros da bancada, em razão da disputa eleitoral recente: “mas isso tem que acabar”.

Lembrou que no processo de apresentação de emendas individuais e coletivas, para o orçamento desse ano, funcionou bem: “não deixei nada para a última hora”.

 

VIDA E PAZ

O radialista Gilmar Carvalho (PSB) disse ontem que está precisando de “vida e paz”. Até o momento não estou vivendo e nem tenho paz”.

Até janeiro do próximo ano Gilmar não retorna aos microfones. Só o fará se não der certo um projeto de comunicação que propôs a determinado segmento, que não quis relatar.

 

SATISFEITO

Quanto à política e às eleições, Gilmar Carvalho diz que está satisfeito com o governador eleito Marcelo Déda (PT), inclusive pelo tratamento que continua recebendo.

Em relação à Assembléia Legislativa evitou fazer comentários: “sobre isso só Marcelo Déda é que pode falar”, concluiu.

 

ALMEIDA

O senador Almeida Lima (PMDB) disse ontem que continua o mesmo, do mesmo lado e pensando da mesma forma”.

Almeida engrossa o lado do PMDB que faz oposição cerrada ao governo federal e não pensa em alterar o seu comportamento.

 

PARTIDO

Almeida Lima disse ainda que não pensa em deixar o partido ao qual é filiado e vai resistir a qualquer tipo de entendimento com o presidente Lula.

Admite que alguns dos seus correligionários vão querer conversar sobre uma nova posição partidária, mas o senador garante que não vai mudar.

 

ALBANO

O deputado federal eleito Albano Franco (PSDB) telefonou segunda-feira para a casa de Geraldo Alckmin e disse que ele estava de parabéns pela luta eleitoral.

Alckmin pediu agradeceu e pediu que transmitisse o mesmo agradecimento aos demais companheiros. Albano o achou bem de espírito.

 

CONVITE

Durante o telefonema, Albano Franco ofereceu a Alckmin sua casa na praia do Saco, caso ele pretenda descansar com a família.

Este convite ele já tinha feito a D. Lu, mulher de Alckmin, durante o debate na TV-Globo: “seja qual for o resultado, a casa na praia do Saco está às ordens”, disse-lhe.

 

MACHADO

O deputado federal José Carlos Machado (PFL) participou ontem de reunião da Executiva Nacional do seu partido, que traçou os rumos para 2007.

O PFL decidiu que manterá a posição, mas que não repetirá a aliança política em 2010, podendo lançar candidato a presidente da República.

 

FUSÃO

O presidente regional do PSC, deputado federal eleito Eduardo Amorim, disse ontem que assinou a carta de intenção de fusão com o PV, mas ainda não obteve resposta.

Segundo Amorim, que descansa fora do estado, “tem alguns segmentos do Partido Verde que resistem à fusão”. Amorim acrescentou que os dois partidos têm pouca opção.

 

CERTIDÃO

O candidato eleito que não apresentar as contas na data estipulada pelo TSE, não terá como obter a certidão de quitação eleitoral.

Segundo informa o TSE esse documento é indispensável para que ele se candidate novamente no próximo pleito. 

 

VALADARES

O deputado federal eleito Valadares Filho (PSB) está em Brasília. À tarde, ao lado do pai, senador Valadares (PSB), teve uma conversa com o presidente da Câmara, Aldo Rebelo.

Valadares Filho foi ver a questão de gabinetes, mas isso será feito através de sorteio para os eleitos. Quanto ao apartamento, o deputado eleito vai ficar em um convencional.

 

DÉDA

Os problemas com o transporte aéreo em todo o Brasil atrasaram a ida do governador Marcelo Déda a Brasília. A viagem estava marcada para segunda-feira, ele viajou ontem.

O governador eleito de Sergipe terá uma conversa hoje com o presidente Lula da Silva e deve ter um encontro com membros da bancada sobre a questão do orçamento.

 

 

Notas

 

HELENO

O deputado federal Heleno Silva (PL) passa seus últimos 90 dias com o mandato parlamentar. Ontem ele estava em Brasília, mas fez pouca coisa porque não houve votação, apenas discursos. Heleno disse, ontem, que agora passou a euforia das eleições, volta-se a fazer o jogo político de hábito.

Heleno disse que o presidente Lula, neste segundo mandato, está querendo construir um governo de entendimento, tanto que está chamando para ele as conversas com aliados e até com setores da oposição.

 

ORÇAMENTO

A decisão do presidente Lula de negociar, a partir da próxima semana, uma pauta de reivindicações dos governadores eleitos vai afetar a tramitação do projeto da Lei Orçamentária Anual  de 2007 na Comissão Mista de Orçamento. Em razão disso, a reunião da comissão será na quarta-feira (8).

Um dos principais pontos da discussão será o pagamento das dívidas estaduais junto à União. Os governadores querem o alongamento do prazo de pagamento do débito, reduzindo o desembolso mensal.

 

IMÓVEIS

A Comissão de Desenvolvimento Urbano pode votar hoje o projeto de lei do deputado Celso Russomanno (PP-SP), que permite parcelamento de débitos das pessoas que ocupam precariamente imóveis da União, mas tem direito de preferência e inscrição na Secretaria de Patrimônio da União para a compra.

Também está em pauta o PL 6073/05, do Senado, que impede o aluguel de garagens de edifícios residenciais e comerciais para terceiros, estranhos ao condomínio. O relator, deputado Ademir Camilo (PDT-MG), apresentou parecer favorável.

 

 

É fogo

 

O governador eleito Marcelo Déda (PT) está em Brasília e de lá viaja para alguns dias de descanso, segundo informação de um aliado.

 

Marcelo Déda pretendia tirar quatro dias para descanso logo após o primeiro turno, mas foi convocado pelo presidente a trabalhar no segundo turno.

 

Edvaldo Nogueira (PCdoB) está trabalhando com mais tranqüilidade, depois do fim da campanha eleitoral.

 

O deputado estadual eleito Armando Batalha (PV) diz que é independente e no momento certo ele e seu grupo decidirão qual o caminho a seguir.

 

O vice-governador Belivaldo Chagas (PSB) diz que não tem pressa para conversar com os deputados de outros partidos.

 

Nos bastidores fortalecem as especulações e boatos em torno da formação do novo secretariado. Muitos nomes e muitas conversas.

 

Secretários de estado estão trabalhando para fechar bem as suas pastas, inclusive sem deixar nenhum débito para o futuro governo.

 

A ordem é atuar com total obediência à Lei de Responsabilidade Fiscal. O trabalho tem sido muito grande.

 

O setor de previdência privada cresceu significativamente nos últimos 12 anos e se transformou em objeto de desejo da população.

 

A Gol anunciou a ampliação do seu plano de frota para os próximos anos, com meta de chegar a 101 aeronaves até 2012.

 

brayner@infonet.com.br

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