Data Vênia

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SERGIPE. COVID19: MAIS SÉRIO QUE IMAGINÁVAMOS.

“… O dia em que a terra parou…”. Estamos vivendo tempos difíceis, talvez seja algo para analisarmos com mais cautela e vermos que não somos nada, apenas matéria feita do pó. O Estado parou. Os Municípios findaram. Os Poderes suspenderam suas atividades. Os católicos, evangélicos e demais religiões interromperam seus cultos. Nossos pais – mais de 60 – estão em prisão domiciliar cuja a pena é a morte. Mas… mas… mas… o que podemos fazer para acabar esse mal que nos aflige? Sinceramente não sabemos ao certo. Precisamos de garra para vencer esse surto.

O prisma dos tempos de hoje, mostram realidades diferentes. Costumo receber em média quatro ou seis prefeitos por semana em meu escritório. Deputados pelo menos uns três vêm me ver. Vereadores não tenho dedos para contar. Entretanto essa semana foi diferente. Triste, vazia, sombria e estafante! Difícil falar de política nesse caos que atravessamos, até porque não temos outro assunto senão o “coronavírus”. “Resolveram que ninguém ia sair de casa…”.

Conversava com Painho – prefeito de Feira Nova – que me confidenciou que o seu município virou uma cidade fantasma. Parei… e me reportei aos dias que atendo na prefeitura e já considerava uma cidade assombrada. Às 12 horas o comércio fecha, não se vê ninguém nas ruas, salvo os estudantes que se deslocam para casa. À tarde a mesmice, casas fechadas e silêncio emudecedor. À noite quando vou embora idem. Terra desalmada. Mas ouvir do prefeito isso é algo que me atingiu porque a população se recolheu em seus lares e nada mais funciona. “O empregado não saiu pro seu trabalho / Pois sabia que o patrão também não tava lá..”

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Em Aracaju não é diferente. O prefeito Edvaldo Nogueira tomou as devidas cautelas para amenizar a crise. Poucos carros circulando e um ou outro mais “louco” quebra a quarentena sem saber que é necessário recolher-se. Os estudantes não colorem as ruas e o teletrabalho toma conta das repartições públicas. Os ambulantes não vendem nada pois as ruas estão vazias. Bares e restaurantes ocos. Tenho consternação ao ver Almires – proprietário do barzinho que costumo frequentar – com as mesas vazias e os garçons parados. O olhar dele de tristeza transborda uma dor de quem pelo menos mantêm cinco famílias. “Dona de casa não saiu pra comprar pão / Pois sabia que o padeiro também não tava lá”.

Empresários e autônomos estão preocupados com as contas e não têm de onde retirar os dividendos. Um amigo advogado que vive de audiências – pautista – disse que não sabe mais o que fazer e transferiu-se com a família para a casa dos pais. Governos – Federal, Estadual e Municipal – não têm dinheiro para pagar os servidores, inclusive já anunciaram publicamente o parcelamento salarial. Os colégios parados trazem aos alunos intranquilidade. “E o aluno não saiu para estudar //Pois sabia o professor também não tava lá”.

O que nos preocupa é o aumento da violência. A simetria está posta, pois os que não têm ou perderam os ganhos procuram outro meio em busca do alimento. Conversando com o delegado Everton Santos, titular da 1a. DM, este demonstrou-se preocupado com os eventos futuros, principalmente pelo fato de que sua delegacia abriga mais de 40 presos confinados em quatro pequenas selas. “Estou fazendo rodízio em quarto de hora para evitar a contaminação destes presos”, desabafou o delegado. Só nos resta ter fé neste instante e rezar. “O comandante não saiu para o quartel //Pois sabia que o soldado também não tava lá”. Deus nos proteja!

(*) Fausto Leite é advogado, jornalista e professor, pós-graduado em Metodologia da Ciência, Direito Eleitoral, Direito Ambiental, Direito Processual Civil, Mestrando em Direitos Humanos, Mestre em Ciência Políticas e Governação Pública e Doutorando em Direito Constitucional. E-mail: faustoleite@infonet.com.br. Fone: 79 9.9838-8338.

 

 

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