De Norma Jean a Marilyn Monroe

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Norma Jean, 26 de junho de 1945.

Andreza Maynard
Doutora em História
Pós-doutoranda em História pela UFRPE
Bolsista FAPITEC/CNPq em modalidade DCR
Integrante do Grupo de Estudos do Tempo Presente (GET/UFS/CNQp)

Valendo-me de uma figura de linguagem, eu poderia afirmar que a estrela de Marilyn Monroe nasceu graças à Segunda Guerra Mundial. Na verdade Marilyn veio ao mundo em 1º de junho de 1926, em Los Angeles. Contudo, a Guerra impactou diretamente na vida da garota de origem humilde, que passaria a ser um dos maiores ícones da cinematografia norte-americana.

Marilyn não nasceu estrela, não era loira, nem se chamava Marilyn. Seu nome seria Norma Jean Baker, ou Norma Jeane Moternsen (ou Motenson). A garota pobre teve uma infância e adolescência difícil. Viveu em lares adotivos e instituições até o casamento arranjado com o soldado da marinha, John Dougherty, aos 15 anos.

A Segunda Guerra Mundial interferiria nos planos da então dona de casa. Em 1943 John foi servir no Pacífico e Norma Jean começou a trabalhar como inspetora numa fábrica de paraquedas. Uma equipe fotográfica estava fazendo uma matéria sobre as garotas que trabalhavam na indústria da guerra e a jovem Norma Jean logo se destacou, tornando-se modelo pouco tempo depois.

Entre uma tentativa e outra de entrar para o mundo do cinema, ela conseguiu um contrato de 1 ano com a Fox, em julho de 1946. Bem Lyon, um executivo da Fox, sugeriu a mudança do nome para Marilyn Monroe e a adoção da tinta loira. A jovem modelo e atriz misturava um ar de ingenuidade e sensualidade, encarnando a pin-up com muita facilidade. O episódio em que Marilyn canta “parabéns a você” para o presidente John Kennedy, em 17 de maio de 1962, é um dos mais comentados na trajetória da estrela.

A consagração como ícone do cinema norte-americano, veio depois da Guerra. Foi nos anos 1950 que Marilyn participou dos filmes que a eternizaram no imaginário da época. Em “A Malvada” (1950) ela fez apenas uma pequena participação, mas em “Os homens preferem as loiras” (1953), “O pecado mora ao lado” (1955), “Nunca fui santa” (1956) e “Quanto mais quente melhor” (1959), Marilyn assume papeis de destaque que a projetam não apenas como atriz, mas também como símbolo sexual. Ela foi encontrada morta em sua casa em 5 de agosto de 1962, tendo falecido aos 36 anos.

Marilyn foi uma das artistas mais conhecidas da história do cinema. Depois da sua morte, ela serviu de inspiração para o pintor Andy Warhol (1928-1987), representante da Pop Art. O Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA) guarda em seu acervo a serigrafia de Warhol, que se baseia numa fotografia feita em 1953 para divulgar o filme “Torrente de paixão”. Ele pintou o fundo de ouro, colocou a imagem colorida do rosto de Marilyn no centro e adicionou preto para destacar seus contornos.

Outro exemplo da penetração da atriz no meio artístico e literário são as referências feitas a ela no romance “A hora da estrela” (1977), de Clarice Lispector (1920-1977). A personagem Macabéa sonhava em ser ninguém menos que Marilyn Monroe. Num dos diálogos, a ingênua Macabéa indagava: “Sabe que Marilyn era toda cor-de-rosa?”.

Seria possível que se a Segunda Guerra Mundial não tivesse ocorrido, Marilyn Monroe nunca tivesse existido? Enquanto fã de cinema, eu poderia fazer tal conjectura. No entanto, o historiador de ofício não trabalha com suposições e sim com fatos. O que há de concreto é que o conflito bélico impeliu uma série de mudanças aos cidadãos norte-americanos.

Milhares de homens pegaram em armas para lutar contra os países do Eixo. E muitas mulheres foram levadas a deixar os cuidados da casa para fazer com que as indústrias continuassem funcionando.  Os exemplos de Norma Jean e John Dougherty são triviais, estão mais próximos à norma. Nesse caso, a exceção é Marilyn ter se tornado estrela em função de a Guerra ter ocorrido.

Obs.: a obra de Andy Warhol pode ser visualizada no seguinte endereço eletrônico
http://www.moma.org/learn/moma_learning/andy-warhol-gold-marilyn-monroe-1962

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