De rio a cloaca

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Aterrar um trecho do rio Sergipe como deseja a Prefeitura de Aracaju será cometer um grave crime ecológico contra as futuras gerações. Na melhor das hipóteses, aquele corpo d’água poderá se transformar num canal pestilento, incapaz de receber o grande volume de água das chuvas que, represadas, causarão inundações imensuráveis na capital, particularmente no bairro 13 de Julho. Diferente do que afirmam os engenheiros do município, existem outras alternativas para conter a força da maré. Portanto, antes de querer simplesmente transformar o nosso rio num fétido Tietê, é mais prudente investigar as causas de sua revolta. Uma delas é justamente o forte assoreamento de seu canal, hoje com menos de dois metros de profundidade. Por que, então, em vez de decretar a morte do Sergipe com um absurdo e caro aterro, não se recorre à dragagem, como já aconteceu em 1957 e 1970. É uma medida paliativa, mas reduzirá a força das ondas que hoje açoitam a balaustrada da avenida Beira Mar, e dará tempo para se encontrar a uma solução menos traumática do que esse crime que a Prefeitura insiste em cometer contra o meio ambiente.

Presentão

O prefeito João Alves Filho (DEM), que em campanha prometeu um transporte coletivo de primeiro mundo, deu um verdadeiro presente de grego aos aracajuanos na véspera do Dia do Trabalho. O demista mandou para a Câmara de Vereadores um Projeto de Lei propondo o reajuste de 7,98% para o preço da tarifa de ônibus, que passará dos atuais R$ 2,25 para R$ 2,43. Nem precisa dizer que os empresários do setor aplaudiram a ação do prefeito.

Greve tola

O nordestino que procurar ajuda em um órgão municipal na região no próximo dia 13 dará com a cara na porta. É que os prefeitos decidiram fechar as prefeituras por 24h visando pressionar o governo federal a ser mais bondoso com as administrações encalacradas de dívidas. Taí uma decisão tola que prejudicará o povo, mas não sensibilizará a inquilina do Palácio do Planalto.

Prata da casa

Uma sugestão à coordenadora de Cultura da Funcaju, Antônia Amorosa, que sempre defendeu a contratação de artistas sergipanos para animar o Forrocaju: que tal convidar o exímio zabumbeiro Edvaldo Nogueira (PC do B) para tocar em nossa maior festa junina?

Sem canga

E o senador Antônio Carlos Valadares (PSB) não pretende silenciar sobre as criticas feitas a ele pela ainda aliada política deputada estadual Maria Mendonça (PSB). Ao tomar conhecimento que a parlamentar o chamou de insano, Valadares postou no twitter que, ao solicitá-lo para aceitar Maria no partido, o pai dela, Chico de Miguel, teria dito: “Enquanto eu for vivo eles (os Amorim) não colocarão a canga sobre meu pescoço”. Homem, vôte!

Conselho

O servidor estadual tem sido muito penalizado neste segundo mandato do governador Marcelo Déda (PT). A afirmação é do presidente da CUT em Sergipe, professor Dudu. Entrevistado pelo colega Joesdon Telles, o sindicalista aconselhou o petista a mudar radicalmente a forma de ver a gestão pública e olhar para os servidores, responsáveis pela manutenção da máquina estatal. Ah, como seria bom se Déda ouvisse Dudu!

Cultura

O escritor sergipano Antonio Carlos Viana foi um dos 70 autores selecionados para participar da Feira do Livro de Frankfurt, que este ano terá o Brasil como convidado de honra. Viana integrará a comitiva que vai à Alemanha em outubro representar a pluralidade da literatura brasileira e participar de mesas, leituras e debates da programação. Legal!

Embriagados

É preciso colocar bafômetro nos carros que estão circulando por aí cada vez mais embriagados. Quer um exemplo: desde ontem, a gasolina passou a ser comercializada com 25% de etanol anidro, 5% a mais do que ocorria desde 2011. A medida visa beneficiar os produtores de cana-de-açúcar, e o governo garante que o aumento de álcool na mistura não prejudica o motor dos carros nem reduz o desempenho.

Visita

O governador Marcelo Déda (PT) visita daqui a pouco as instalações da empresa de call center Almaviva, localizada no bairro Industrial, em Aracaju.  A empresa iniciou as operações na capital sergipana em março deste ano, com um investimento de R$ 30 milhões, gerando cerca de 2,2 mil empregos diretos.

Do baú político

O amigo advogado Said Schoucair conta um episódio ocorrido nas eleições de 1988. Naquele ano, disputavam a Prefeitura de Aracaju o médico Lauro Maia, o deputado estadual Marcelo Déda e o advogado Wellington Paixão. O primeiro era apoiado pelo governador Antonio Carlos Valadares, pelo ministro do Interior João Alves Filho, pelas famílias Franco e Teixeira. Déda sonhava repetir 86, quando teve uma estrondosa votação para a Assembléia, enquanto Paixão contava com a garra e o prestígio político de Jackson Barreto. Na reta final da campanha, a máquina pública inundou o Batistão de colchões e começou a distribuí-los. Jackson soube e correu para pra lá. Enquanto os eleitores ardiam no sol à espera do “agrado” do bom Lauro, Barreto percorria a enorme fila distribuindo os ‘santinhos’ do seu candidato e dizendo: “Pegue o colchão e vote em Paixão”. Não deu outra: Paixão foi eleito com 46,51% dos votos, contra 27,07% de Lauro Maia e 6,25% de Déda.

Resumo dos jornais

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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