Na desconstrução dos conceitos e preconceitos

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Temos visto, nos últimos dias, violências a pairar por todos os veículos de comunicação. Liga-se a TV na Globo News, a que nunca para, e constata-se o assunto de ora: a agressão sofrida por rapazes, cujas aparições  derivavam  da passeata gay no Rio de Janeiro e /ou da Avenida Paulista, ponto dos gays em São Paulo.

Em uma estrutura  maior, amalgamar a análise, somente, às violências sofridas por homossexuais é encurtar a longa distância alcançada pelos descontroles das sociedades no critério das relações humanas. No primeiro caso, abrem-se as portas para a discussão dos gêneros,  para a liberalização sexual, e até, pasmem!, para discutir-se a abertura de uso para as drogas, justificando tal pasmisse na sustentabilidade econômica do tráfico em benefício do estado. É, literalmente, o fim dos tempos,  porém,  voltemos ao gênero.

A  sociedade deve aprender a respeitar os gays e lésbica, como também os gays devem aprender a respeitar a sociedade. No-lo faço críticas  negativas, mas evidencio pontos  desajustados  no comportamento dos homossexuais que pensam poder agredir a sociedade, não por  meio de facas, pontapés e /ou tiros no abdômen , entretanto, pela forma desaforada, agressiva,  como  lidam com as  próprias liberdades, dado o fato na Espanha, em direção ao Papa Bento XVI, ao visitar aquele país. Neste momento, por que agredir o representante  dos  anseios sociais da fé, clamando, inclusive , por respeito que deve advir dela, da Igreja,   quando não respeitaram o representante,  o Papa,  forçando-o, repito, forçando-o, a ver algo que não condiz com os princípios Dele, ao passo em que  milhares de gays beijaram-se na passagem do Pontífice? Leitores, isto também não é uma forma de agredir o ser humano, de maneira voraz, na mesma intensidade de um tiro ou de uma facada?

É interessante porque as pessoas sempre procuram a pele de vítima, quando , sabe-se, que muitos dos gays não se portam de maneira mais tranquila. O que estavam  a fazer dois, três rapazes, no Rio de Janeiro, após uma passeata gay, literalmente, na zona do Exército, em meio ao matagal?  Com isto, nem imaginem que o pensamento é contra o exercício da sexualidade, posto que , erro maior é dirigido aos rapazes na avenida Paulista, em Sampa,  frutos de uma educação inexistente:  rapazes de classe média, sem a consciência de respeito a outrem, começam a agredir pessoas em um furor de insuportabilidade às diferenças. Ora, leitores, somos diferentes, cada ser humano,  e pronto.

O problema , no caso dos agressores, que usam o FÍSICO ou se quiserem o CONCRETO ( refiro-me à força física)  para agredir, é que reproduzem o discurso fiel visto e polirepetido na maioria das famílias brasileiras: “ matem os mais fracos para poderem sobreviver, ou, os aparentemente mais fracos”, pois o gay que dança balé é espancado, a negra pobre é ignorada, a mulher sem posições é aviltada, ficando  livres, porque se escondem distante dos estereótipos criados pela intolerância, o gay que anda com o Pit Bull, a negra rica como Glória Maria  e a mulher , “devoradora”   de homens, como Marília Gabriela e Ana Maria Braga ( compreendo-as e as aceito totalmente pelo que são), mas habeas corpeadas pela sociedade hipócrita, porque são famosas e ricas.

Fossem pobres e desprovidas de inteligência e fama, seriam ridicularizadas no bairro, já que todos os que ascendem,  entre   aspas , estão  munidos de carapaças para enfrentar   os monstros da própria sociedade, engolindo-se uns aos outros, nós mesmos!

Inserto neste processo de reflexão, quem agride mais: o garoto ignorante e agressivo, da zona sul, sem base nenhuma , quando bate no gay, ou o gay, que achando que se ganha liberdade na base do grito, que ao invés de ir às assembleias e congressos, exigir novas leis, que ao invés de colocar trios  tocando  “ is raining men”, leia-se “ está chovendo homem”, procura a figura frágil do Papa e o agride? Ambos sem razão. Repete-se , aí, a busca do Predador pela caça mais frágil. Veja   se não é este o ciclo que está sendo criado, em uma sociedade panóptica, segundo Michel Foucault, repressora, mas que não  conseguiu desenvolver um mecanismo de existência, pois , hoje, fazemos as coisas, mão não temos percepção de o porquê fazemo-las.

A  capacidade para entender os fatos está cada dia mais equidistante das relações interpessoais. Todos  clamam  por respeito, entretanto, não querem respeitar. A impressão que se tem é de que a existência de um precisa ser mais importante do que a existência do outro, para que o outro se perceba como ser no universo, aniquilando os iguais, e não mais compartilhando e aprendendo e apreendendo com os mesmos.

Na raiz do problema, o ato cometido pelos rapazes foi absurdo, a mãe de um deles afirmar que são crianças em fase de formação só explicita a atitude leviana da família, mas é preciso, também, que muitos gays repensem as atitudes, saiam dos guetos, dos banheiros dos shoppings Center, dos dark rooms das boates, e passem a, simplesmente, parar  de pensar em sexualidade, sem esquecê-la, em contrapartida, passando a pensar em humanidade. E isto sirva para o rico , para o pobre, para o gordo, para o magro, para o gay, para o dito macho, para a lésbica, para a dita fêmea de forma indistinta. Fiquem à vontade, pois o processo é de mera desconstrução dos conceitos em busca de um ponto de maior equidade social. Até a próxima!

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.