Desejo obssessivo

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A grande maioria dos políticos quer o comando da Secretaria da Segurança. Outros segmentos que integram a cúpula diretiva do Estado, também desejam a Pasta. Uma ala do Tribunal de Contas vive de olho no comando da segurança pública. O Ministério Público, que está com a Pasta na mão, não deseja perde-la. Em função dessa corrida desenfreada por uma secretaria muito problemática, mas igualmente bem nutrida de recursos, é que se criou todo esse rocambole em busca do poder. É realmente uma das áreas mais críticas do Governo, porque a coordenação é subdividida em grupos. Um sempre querendo derrubar o outro. Só para mostrar como a Segurança é um caminhão de pólvora com um bêbado fumando charuto em cima, quem incentivou a delegada Meire Belfort para depor contra o secretário Luiz Mendonça, foram dois delegados que integram a coordenação da Secretaria e que deveriam ser aliados do titular. Lá é diferente: todos são contra entre si… Já está certo que Luiz Mendonça será nomeado procurador de Justiça. Ninguém tenha dúvida que isso vai acontecer. Não se pode discutir os méritos que o levarão a isso, mas, como todos os setores políticos, o Ministério Público também tem uma cúpula que comanda e outra que protesta. E nessa disputa pelo Poder, em se tratando de pessoas que defendem a sociedade, termina balançando a credibilidade da instituição, que ainda é uma luz no túnel da escuridão em que vive os desprotegidos. É um freio na corrupção, nos excessos dos poderes paralelos e na fiscalização da coisa pública. Talvez até fosse melhor que os seus membros não se envolvessem em outras atividades, para que nada fosse maculada no todo. O promotor Luiz Mendonça não saiu ileso desse episódio da fuga de Floro Calheiros. Setores policiais garantem que a responsabilidade, exclusiva, do bandido ter sido colocado na 1ª Delegacia de Polícia, foi do então secretário de Segurança, que não escondia o seu descrédito no sistema penitenciário do Estado. Se depender do governador João Alves Filho, com a conclusão do inquérito em suas mãos hoje, mostrando que Meire Belfort não falou a verdade, estava absolutamente garantido o retorno de Mendonça à Secretaria, como procurador ou não. O governador, inclusive, tem pressa, mas o inquérito percorre caminhos tortuosos para chegar ao seu destino final, porque encontra contratempos oferecidos por advogados, além de dificuldades comuns para chegar a um parecer decisivo. Luiz Mendonça está ansioso para retornar. É como se fosse uma resposta a todos os seus acusadores e um atestado de idoneidade. Mas não seria bom para ele. Mesmo que o ônus da prova seja de responsabilidade de quem acusa, a sociedade não está convencida de que só quem fala a verdade é o ex-secretário. E mesmo que tudo fique absolutamente esclarecido, definitivamente comprovado que tudo foi uma ação torpe contra Luiz Mendonça, com certeza não escapará dos resquícios desse episódio triste na vida policial. A sociedade não estará cem por cento convencida de que tudo fora uma farsa, porque a acusação sempre tem mais força do que a comprovação da inocência. Fica a marca definitiva. Sempre que houver oportunidade, em qualquer discussão que envolva o ex-secretário, alguém lembrará a fuga de Floro, dando o tom malicioso da suspeita de suborno. O Ministério Público também não se saiu bem quando assumiu a interventoria de Canindé do São Francisco, através de Fernando Mattos. Ontem à tarde, uma figura importantíssima do Estado, constatou a coincidência: o grupo que assumiu Canindé é o mesmo que está na Secretaria da Segurança. E por falar em grupo, é lamentável que a instituição que defende a sociedade massacrada, também tenha segmentos dissidentes que não se suportam dentro e fora do ambiente de trabalho. Mas, voltemos a Canindé: o ex-deputado estadual Nelson Araújo se mostra indócil porque o interventor, ao assumir a Prefeitura, denunciou que havia um rombo de R$ 50 milhões. Um escândalo. Mas até hoje não se disse para onde foi desviado todo esse dinheirama. Quem ficou com tanta grana? Ninguém se manifesta, nem o Tribunal de Contas. Ao terminar a intervenção, Fernando Matos anunciou que deixou uma alta importância na conta bancária. Mas a prefeita Rosa Feitosa, que assumiu a Prefeitura, declarou que encontrou em caixa importância algumas vezes inferior. E fica no ar essa dúvida que um cidadão como Fernando Matos não merece… E o que tem a Segurança com Canindé do São Francisco além do lado policial? Em termos de Ministério Público dá para tirar ensinamentos. É que promotores e procuradores não devem trocar a nobreza de defender a sociedade, pelas incertezas da política. Principalmente no Executivo, porque sempre fica alguma coisa no ar, além dos aviões de carreira. No caso de Luiz Mendonça, ele pode voltar para a Segurança, mas sempre estará sob a dúvida de uma sociedade eternamente desconfiada, por mais sério, digno e honesto que ele seja… PROCESSO O deputado federal Jackson Barreto entrou com ação de probidade administrativa, contra o secretário da Educação, Marcos Prado. Acusa o secretário de utilizar convênio postal de Pasta que dirige, para enviar material do Instituto Tancredo Neves, do PFL. ARGUMENTO Jackson Barreto argumenta que a ação de Marcos Prado fere a Constituição e a Lei de Improbidade Administrativa, solicitando a reparação ao patrimônio público. Na ação, Jackson pede ao procurador geral de Justiça do Estado, que proceda a devida investigação, para apurar o episódio. IRONIZA O secretário da Educação, Marcos Prado, ironizou: “com as grandes reformas do país para discutir, o Jackson Barreto vai se preocupar com postagem de correspondências”. Marcos disse que o único que tem um envelope postado pela SEC é Jackson Barreto e desafiou qualquer outra pessoa a apresentar correspondência igual. SUSPEITA Marcos Prado revelou que o deputado Jackson Barreto tem duas irmãs que trabalham na Secretaria de Educação e elas podem ter enviado o convite para ele com postagem da Pasta. Acrescentou que geralmente não envia convites do PFL para deputados da oposição, porque sabe que eles não comparecem. TRIBUNAL A vaga de desembargador pode ser preenchida hoje, caso o nome do juiz Eduardo Deda integre a lista tríplice que será escolhida pelo Pleno. A nomeação automática ocorrerá porque Eduardo Deda já entrou na lista tríplice duas vezes e não foi escolhido. DISPUTA Estão disputando a vaga de Antônio Góes os juizes Eduardo Deda, Ozório de Araújo Ramos, Aparecida Gama e Ruy Pinheiro. Caso Eduardo Deda não integre a lista tríplice, o presidente do Tribunal de Justiça, Pascoal Nabuco, deve escolher o juiz Ozório de Araújo Ramos. CONVERSA O prefeito de Aracaju, Marcelo Déda, concedeu entrevista, ontem, à Ilha FM. Fez um relato da sua administração e falou pouco sobre política. Logo depois o prefeito teve um encontro com o empresário Amorim, que dirige a rádio. Conversaram durante 60 minutos. SAMARONE O vereador Antônio Samarone (sem partido) confirma que vai se filiar ao PDT, mas sem integrar o cordão que apóia o governador João Alves Filho. Samarone diz que fará oposição ao prefeito Marcelo Déda e ao presidente Lula, mas também não se vinculará ao Governo do Estado. DEFESA O deputado João da Graça, através do seu advogado, Carlos Alberto de Menezes, entregou ontem sua defesa prévia à Comissão de Ética da Assembléia Legislativa. Como é volumosa, o presidente da inquérito, deputado Augusto Bezerra, determinou que a secretária tirasse cópias da defesa, para entregar aos demais membros da Comissão. DEPOIMENTO O ex-secretário da Segurança Pública, Luiz Mendonça, vai depor hoje perante a Comissão de Ética. Ele era o titular da Pasta quando ocorreu o fato envolvendo o deputado. Depois de ouvir todas as pessoas, o relator Arnaldo Bispo terá 30 dias para apresentar o relatório. Poderá optar por cassação, suspensão ou absolvição de João da Graça. DESISTIU A informação, ontem, pela manhã, era de que o primo de João da Graça, que levou um tiro na bunda, teria retirado a queixa-crime. Isso não pode ocorrer porque a razão da execução penal é do Ministério Público. João da Graça disse que desconhecia esse fato. Na Assembléia o comentário é de que o parlamentar sofrerá, no máximo, uma suspensão. MEIRE A delegada Meire Belfort não depôs, ontem, no processo que apura a fuga de Floro Calheiros. Será ouvida hoje. O advogado Waldemar Calumby alegou que a intimação não chegou no prazo legal, que é de 72 horas. EXPECTATIVA A expectativa de setores da Polícia é de que a delegada Meire Belfort confirme o que disse em seu depoimento na Polícia Federal. O pessoal considera que Meire não pode mais recuar nas denuncias, porque poderá se complicar no processo. Notas INVASÃO O Movimento dos Sem Terras (MST) começa a assustar o País. Iludido com um Governo do PT, partido que lhe dá sustentação, começou a pensar que promoveria invasões sem uma resposta do Planalto ou, talvez, com a sua conivência. Equivocou-se, porque o presidente Lula da Silva discorda desse tipo de ação. O ministro da Justiça, Tomaz Bastos, enviou documentos às Secretarias de Justiça de todo o país, para que ficassem atentas sobre as invasões que estão ocorrendo e adotassem as providências necessárias. SERGIPE A ação da Polícia, em acabar com a invasão dos Sem Terras no município de Nossa Senhora da Glória, ocorreu em atendimento a ação de reintegração de posse, concedido pelo juiz da comarca, Gustavo Adolfo Blech, porque se trata de área que está sob domínio do DER, que administra as rodovias estaduais. O delegado Everton Santos, que comandou a operação, disse que tinha de cumprir o mandato judicial, mas é certo que o Governo não vai permitir novas invasões de terras em Sergipe, porque tem projeto de assentamento. VIOLÊNCIA Uma das ameaças à estabilidade são as sucessivas invasões que estão ocorrendo por Sem Terras e Sem Tetos em todo o país. O coordenador do MST, Roberto Araújo Silva, já disse que nas próximas reintegrações os Sem Terras vão resistir. Isso preocupa, porque os acampamentos são numerosos e as conseqüências são imprevisíveis. O prefeito de Nossa Senhora da Glória, Sérgio Oliveira (PSDB), providenciou caminhões e lonas para que o pessoal deixasse a cidade. Foi se acomodar em um acampamento em Feira Nova, onde já existem 1.800 famílias. É fogo Uma pesquisa realizada em Aracaju demonstrou que o Governo foi atingido com a fuga do bandido Floro Calheiros. Há um silêncio absoluto em torno do ex-deputado Antônio Francisco. A fuga de Floro serviu para que ele fosse esquecido por um bom tempo. Antônio Francisco agora está aguardando a concessão do hábeas corpus, que derruba a preventiva, para se apresentar à Justiça. Um velho amigo de Antônio Francisco disse que o conhece bem e, na idade que está, só se entregará em último recurso. Vários deputados federais estiveram na Assembléia Legislativa durante a abertura dos trabalhos deste semestre. A apresentação de emendas orçamentárias não deve afastar nem Mendonça Prado e nem Maria do Carmo Alves de Brasília. Até o momento não se tem sinal de quem assumirá a Secretaria de Combate à Pobreza, durante o período que a senadora Maria do Carmo Alves ficar em Brasília. O senador José Almeida Lima (PDT) deve mesmo ser candidato à Prefeitura de Aracaju nas eleições do próximo ano. A deputada Susana Azevedo aparece bem nas pesquisas realizadas em Aracaju e não deixa de ser uma opção para a Prefeitura. Quem está com performance razoável nas pesquisas é Pedrinho Valadares, mesmo que não tenha se movimentado politicamente. A Polícia Federal já vai começar a ouvir pessoas sobre a fuga de Floro Calheiros da I Delegacia Metropolitana. Por Diógenes Brayner brayner@infonet.com.br O conteúdo das colunas assinadas no Portal InfoNet são de inteira responsabilidade de seus respectivos autores.

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