Despedida

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Aprendi com a terra que é preciso morrer para nascer de novo, outra coisa, outra vida. As folhas secas caem mortas das árvores e viram adubo, a semente seca antes de brotar, a terra revolvida antes da próxima plantação. Aprendi de ver a natureza que a vida é um infindável ciclo de vida morte vida. Mulher que sangra todo mês e não morre. Inverno primavera verão outono inverno. A criança que morre para que nasça o adulto.

Aprendi, de ouvir uma mestra muito amada dizer, que às vezes é preciso mudar mesmo quando tudo está bem. É preciso saber deixar ir, deixar morrer, para que outro broto possa surgir. Aprender com amendoeira a outonar. E que as velhas folhas sejam adubo para as novas plantas. Porque o que está bom pode, com mais uma mudança, ficar sensacional.

As mudanças são, sim, assustadoras. O trapezista precisa dar o salto no vazio para chegar a um novo trapézio. Existe o risco da queda. Mas me assusta mais o risco de permanecer sempre igual, sem nunca arriscar ser melhor, sem experimentar outras coisas com tantas possibilidades à mão. Pedra parada cria limo.

Acabo de fechar mais um ciclo. E escolhi mudar, mesmo as coisas que estavam muito bem, obrigada. No caçuá das coisas que ficam pra trás, deixo também (não sem saudades) esse espaço e as escritas de toda terça-feira. Mais um ciclo que encerro. Delicioso ciclo de colocar toda criatividade à prova, escrever com hora marcada, porque alguém (que eu nem sei quem é!) espera que eu diga alguma coisa às terças-feiras.

A essa pessoa desconhecida, que esperou esse encontro marcado das últimas terças-feiras, minha eterna gratidão, pela leitura cuidada, por me emprestar seus olhos de ler essas mal-traçadas. Mas agora preciso ir, que o vento sul soprou, e ele me leva para outras paragens. Por ora, me despeço. Quem sabe um dia, nos reencontramos em alguma curva de estrada. Vou muito feliz de ter estado aqui por esse tempo, espero lhe deixar contente.

Ah, e, por gentileza, não se esqueça de ser feliz.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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