Discutir diversidade é para ontem

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O dia 29 de janeiro é uma data importante, de reflexão, é o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data foi criada em 2004, quando mulheres e homens transexuais e travestis foram a Brasília lançar a campanha nacional “Travesti e Respeito”, dando origem a manifestações e passeatas em todo o país, com o objetivo de visibilizar a luta e o combate à violência e preconceito. É necessário destacar que o Brasil é o país que mais mata transsexuais e travestis no mundo, e por isso, precisamos conversar sobre o assunto.

Nesta semana, conversei com algumas pessoas sobre o tema e soube de uma polêmica que aconteceu no programa televisivo Big Brother Brasil, em que alguns participantes homens, cisgênero (quando uma pessoa que tem anatomia, sexo e biologia alinhados com o gênero ao qual se identifica) e heterossexuais, foram maquiados por mulheres e fizeram um desfile, imitando de maneira pejorativa, trejeitos femininos. Algumas pessoas criticaram a atitude, outras seguem achando que é mimimi. Vamos por partes. Sendo o Brasil o país que mais mata transsexuais no mundo, qual é a necessidade real de homens cis e heterossexuais fazerem chacota com o feminino?  Por que é lúdico imitar de maneira vulgar o comportamento das trans e travestis que eles mesmos rechaçam e excluem socialmente?

A lição e reflexão que deve ficar é que não é divertido fazer piada com etnia, orientação social, entre outros grupos, simplesmente porque esses grupos sofrem discriminação constantemente, as pessoas apanham, morrem, são invisibilizadas, são excluídas do mercado de trabalho, são excluídas de relações pessoais, são escondidas das famílias, e são assassinadas diariamente só por serem quem são, só por querer existir. É justo? É certo? Então, se existem tantas formas de brincar, até mesmo com o uso da maquiagem, porque utilizá-la para ludibriar quem usa a maquiagem como parte do seu ser, de sua característica e modo de vida?

Além disso, sigo batendo na mesma tecla da escuta, do ouvir. Escrevi esta semana sobre o Dia da Visibilidade Trans como repórter de uma Secretaria de Estado, e ao ouvir os depoimentos das mulheres e homens trans, pensei o quanto deve ser difícil e insuportável viver numa sociedade em que você não pode ser quem você é, o quanto deve doer achar que está errada por não seguir um padrão biológico imposto, o quanto deve ser triste e solitário viver com medo de morrer por ser quem é. E diante de tantos depoimentos fortes, de muita luta e superação, por que a dificuldade da sociedade em lidar com a diversidade? Por que incomoda tanto a existência e escolha do que não lhe compete?

Permaneço questionando e incitando reflexões porque já passamos da hora de lidar com esse assunto de maneira mais ampla e com as punições adequadas para quem não respeita a diversidade. Por isso, por ser um curto espaço e eu não poder aprofundar o tema como gostaria, também por não ter esse lugar de fala, gostaria de sugerir que conheçam o Canal de Adriana Lohanna: https://www.youtube.com/c/Transitandocanal , as propostas da vereadora Linda Brasil, escutem Isis Broken, visitem a Associação das Travestis Unidas na Luta pela Cidadania, a CasAmor, enfim, procurem saber e procurem ouvir. Não reproduzam preconceito e estereótipos. Transfobia mata!

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