É permitida a Ultrapassagem pela direita?

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Quem bem soubesse evitaria, a todo custo, se envolver em qualquer tipo acidente, pois nada é pior do que as sequelas e traumas de um desastre, isso quando ele não é fatal.

Infelizmente, parece não ser esta a preocupação da maioria das pessoas que, coitadas, sem se darem conta da gravidade, brincam irresponsavelmente com um assunto tão sério.

O motorista que ingere bebida alcoólica e assume o guidão de um veículo está expondo a sua integridade bem como dos outros a extremo perigo.

O motoqueiro – ou motociclista? – que sem o devido conhecimento das normas de trânsito e sem a menor cautela se arvora em pilotar, de qualquer jeito, o seu transporte, está sem perceber, engatilhando uma arma e apontando para a sua própria cabeça.

Já pilotei moto. Hoje, não mais. Por necessidade uso veículo, um pouquinho mais seguro. No entanto, preocupo-me muito com os descuidados, “motos suicidas”, que embora reconheça tratar-se, apenas de uma minoria, usam irresponsavelmente as suas conduções de duas rodas.

Para eu sair da minha casa, de carro, tenho que pegar uma rua à direita, rodar por uns vinte metros e entrar, também á direita, numa avenida.

Faço isso todo dia e, em alguns, mais de uma vez.

Certa feita, enquanto aguardava o fluxo do tráfego baixar para me dar a oportunidade de entrar à direita na avenida, naturalmente, preocupei-me em ficar olhando para a esquerda, de onde vinham os veículos. Sem que eu percebesse, um motoqueiro se postou bem à minha direita, a altura da porta traseira, lado passageiro, entre o automóvel e a calçada.

É claro que, quando foi possível acelerar, acelerei, mas bem devagar. Não fora essa precaução teria acidentado seriamente o moço que me ultrapassava, numa curva, pelo lado direito. Por sorte, num relance, percebi que havia algo ao lado e parei instintivamente. Sem maiores traumas, graças a Deus. Deixei que o rapaz passasse e fosse embora, imaginem: injuriado, xingando impropérios para todos os lados, como se estivesse absolutamente certo e o errado fosse eu.

Foi tão rápido e assustador que por um momento fiquei imaginando: será que eu estava errado? Refleti melhor e conclui que não. Porém, não é isso o que importa. O que realmente interessa é que não o espremi contra a calçada e o poste.

Estamos diante daquela velha e conformista história: ”temos que dirigir por nós e pelos outros”, sobretudo por aqueles que, sabendo ou não, desrespeitam as normas elementares de trânsito.

Será que os CFC’s – Centros de Formação de Condutores já não mais estão ensinando que ultrapassar pela direita não pode? Mormente em curvas? Creio que não. Quedo-me a creditar que é falta de boa vontade e um pouco de irresponsabilidade de quem pilota dessa forma.

Acredito, também, de que pelo simples fato de aquele veículo emprestar uma aparência de liberdade, adicionada à intemperança e rebeldia juvenil dos que o pilotam, leva-os a crer que estão acima de tudo e de todos, inclusive da norma legal; e que têm todo o poder de fazer o que quiser sem serem molestados. Só que deveriam estar conscientes de que em caso de acidente entre um automóvel e uma moto, normalmente, é condutor da moto e não o motorista do carro, quem, por motivos óbvios, leva a pior.

Sinceramente, tenho pena desses que não se dão conta de que sobreviver a um acidente é muito mais do que sorte. Escapar com vida, preservar a integridade física, nessas ocasiões extremas, mesmo que com muitos e, às vezes, insuperáveis, traumas, é um renascimento.  O cidadão nasce de novo, porque em acidentes com motos, normalmente, o corpo do piloto é atingido diretamente nas partes vitais:  membros, coluna e cabeça. A lesão medular – (coluna), é responsável pela perda da mobilidade, parcial ou total dos membros, das funções essenciais do corpo: fala, visão, audição…

Quase todo acidente com moto reduz, o antes o atlético, livre e autônomo motociclista a um dependente, prisioneiro a uma circunstância, que seja por pouco, por pouco ou muito tempo ou, o que é muito pior, às vezes, para sempre. Sem dúvida que é um grande sofrimento. Interromper um projeto de vida, ficar aprisionado, física e financeiramente aos outros, depender de aparelhos como: muleta, cama, cadeira de rodas, prótese, bengala para continuar vivendo, se locomover ou, vegetar.

Só a possibilidade deste sofrimento já deveria servir de alerta aos jovens e afoitos motoqueiros e motociclistas que, normalmente, no inicio da vida, se arriscam, no já muito violento trafego das nossas ruas.

A dependência, aliada naturalmente à parte dolorida dos traumatismos sofridos é demasiadamente deprimente. No entanto, ao que parece, não é assim que os imponderados, jovens ou adultos pilotos, estão pensando e, por isso, continuam imprudentemente se expondo, padecendo as consequências e fazendo os outros sofrerem também.

De uns anos para cá, levando em conta o crescimento econômico e social do Brasil, aliado a uma série de fatores que tornou mais fácil a aquisição de bens de consumo, aumentou substancialmente o número de veículos, carros e motos, circulando nas estreitas e já congestionadas ruas das nossas cidades.

Por um cochilo do legislador ficaram de fora da lei as pequenas motonetas, que mesmo sendo motorizadas, os fabricantes, comerciantes e usuários encontraram uma brecha para isentá-las do emplacamento e o seu condutor ainda pode ser menor e, mesmo maior, não se faz necessário passar pela porta estreita de uma escola para aprender as normas de convivência no trânsito para poder pilotar.

Aí, o que já era muito ruim piorou. Se a coexistência do motorista com o piloto já era delicada, ficou um pouco mais difícil.

É necessário que esta situação seja revista e corrigida urgentemente. Pois a moto, por ser menor, mais leve, mais fácil de transitar, manobrar e estacionar é, sem dúvidas, uma excelente alternativa para transporte ligeiro e entrega de pequenas mercadorias, encomendas e documentos. Porém, se nada for feito, haveremos de lamentar muito a perda de mais vidas. Sim, porque a frota de motos, assim como a de carros também, só tende a crescer muito mais do que a construção de vias para eles trafegarem. Por isso muito há que ser feito para resolver o dilema carro/moto, responsabilidade/ insensatez, motorista/Piloto e piloto/motorista. Somos nós que nos carros ou nas motos vamos cruzar todo dia durante muito tempo, sempre em espaços menores. Necessitamos, pois de calma, de tolerância e, especialmente, de educação. Não apenas educação para o trânsito, mas a educação básica mesmo, aquela do respeito e obediência às normas e aos outros, da cordialidade e do acatamento.

Carecemos urgentemente desta compreensão de que só viveremos bem se bem estivermos com o mundo e com as pessoas com as quais interagimos a todo instante.

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O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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