ELOGIAR OU CRITICAR

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“Eu critico o crítico que critica”.

Pense bem e veja se você não está agindo, gratuitamente, de uma forma egoísta, ou seja: você gosta mais de elogiar ou de criticar? Nas pessoas, coisas e situações que lhe cercam quais são os aspectos que você mais procura vislumbrar? São os bons ou os ruins? De fato, no seu dia-a-dia você se acha mais elogiador ou muito mais criticador? Seja sincero e diga: você se sente mais feliz elogiando ou criticando?

Agora, responda somente para você mesmo: você gosta mais de ser elogiado ou criticado?

Você está entre aqueles que acredita que o elogio é sempre uma forma de adular, de bajular, de “puxar o saco de alguém”?

Imagine o que pode ser construído com um sincero elogio. Pense, ao contrário, o que poder ser destruído com uma ácida crítica.

Vamos analisar apenas um exemplo, pois ele é de certa forma, corriqueiro no cotidiano de toda família.  Refere-se ao comportamento dos pais quando, durante a formação da personalidade de seus filhos, injetam animus para que cresçam como pessoas, ou roubam-lhes as expectativas com observações no mínimo desastrosas e prejudiciais ao seu bom desenvolvimento. Vamos ao exemplo: o seu filho traz da escola para lhe mostrar, pois é obrigatória, se não ele não traria, o boletim escolar. Nele estão relacionadas oito matérias: Português, Matemática, História, Geografia, Física, Química, Biologia e Religião. A criança, a essa altura com o coração apertado, pois sabedor de que não conseguiu boa nota em Matemática, escolhe o melhor momento para submeter ao crivo do pai aquele maldito documento.

Ele até está ciente de que auferira resultados razoáveis e bons em sete daquelas disciplinas, apenas na bendita Matemática é que a sua nota foi inferior à média. Naquela matéria, como se diz no meio escolar, ele tirou quatro, uma nota vermelha.

Qual é a sua atitude de pai ao receber aquele relatório?  Não esqueça, é seu filho quem está logo à sua frente, a alguns centímetros abaixo de você. Perceba também que você não teve sequer a delicadeza de sentar para conversar com ele, respeitosamente, olho no olho, como seria o aconselhável e o correto.

Você está ali em pé, demonstrando desconforto e falta de paciência para tolerar aquela “perda de tempo”, que é falar com o seu próprio filho.

E ele também não está nada à vontade, a alguns centímetros abaixo de você, sequer ousa encará-lo, também estressado, pois já sabedor do triste resultado daquele colóquio, entrega-lhe o documento. 

Quando você abre aquele boletim qual é a nota que você primeiro visualiza? A vermelha? Acertei? As outras, boas e razoáveis, você sequer percebe. Você só enxerga exatamente aquela que seu filho tanto queria que você não visse.

E aí, você, inconformado com a imperdoável “falha” do seu filho, debulha um rosário de descompostura, de alegações, de cobranças que você e ele sabem impagáveis, de exigências e reclamações…

Ele, por sua vez, duplamente humilhado, passa a detestar tudo: a Matemática, o professor, a escola, aquela casa, a sua presença  e, inclusive a você.

Eu disse duplamente humilhado, posto que ninguém se satisfaz por tirar uma nota baixa na escola. Ninguém. Asseguro que nem você quando tinha a idade do seu filho, ficava feliz com “insucesso” igual a esse.

Então, aquela criança desde que recebe aquele resultado na sala de aula tenta arranjar coragem e uma forma favorável para mostrar ao seu algoz, (que, ironicamente, é seu próprio pai), aquele maldito documento que por muito tempo queima em sua mão e dentro de sua mochila.

Quando adquire a coragem de ir até você, já sabendo antecipadamente da sua reação, está com a sua auto-estima rés ao chão, mas, não tem saída, reúne todas as suas forças e, temeroso, entrega-lhe aquela sentença condenatória e, aí, em vez de receber um socorro, recebe um empurrão ladeira abaixo.

Não que ele espere, coitado! É praxe o pai  não aceitar resultados negativos de seus filhos e é desgraçadamente normal que ele veja logo a maldita nota vermelha, e não perceba nenhuma das outras, que por sinal, são muito boas, mas ele não as vê. Ele só enxerga aquela que a criança menos quer que ele veja. E critica, com muita acidez, aquele “delito”, lamentavelmente praticado pelo seu filho. Ele só ver a única nota ruim. Porém, não elogia nenhuma das outras notas  boas. Será justo isso? É essa a justiça que você quer mostrar a seu filho e espera que ele pratique lá na frente. É assim, empurrando para baixo a sua auto-estima que você quer criar um vencedor?

Vamos pensar diferente. Imaginemos a mesma situação, oito notas uma ruim e sete boas. O pai, sentado em frente ao filho, recebe o seu boletim, dando a ele toda atenção, e conversando amistosamente, inicie por elogiar a nota conseguida em Português, por exemplo, dizendo estar muito feliz em seu filho ser bom no estudo da língua mãe, pois é, sem dúvida, a matéria mais importante. Elogiasse também a nota conseguida em História, pois é essencial que conheçamos o nosso passado para que possamos construir futuro melhor. E de elogios verdadeiros em elogios verdadeiros, o pai usando a razão e a emoção, eleva também a auto-estima do filho, dando inclusive oportunidade dele, filho, dizer alguma coisa, como por exemplo:  “É pai, mas, como o senhor pode ver, eu não fui muito bem em Matemática”. Se isso acontecer será a grande oportunidade para o pai trabalhar a “deficiência” do filho dizendo: “Que nada, filho. Quem é competente, assim como você, conseguirá, com facilidade, recuperar isso já na próxima avaliação, é só se esforçar mais um pouquinho e pronto, você é muito inteligente e competente, vai superar isso com muita facilidade. Mas, se você achar que é necessário algum reforço, se você quiser que seu pai lhe ensine ou arranje um professor para algumas aulas sobre o assunto, fique à vontade, é só dizer. Aliás, você conhece alguém que possa  ajudá-lo? Porque, normalmente, elas, as crianças, já até têm uma ideia de quem poderá auxiliá-las naquela recuperação.

Agora responda como você gostaria de ter sido tratado quando criança: com incentivos, com elogios, sinceros ou com repreensões e críticas severas?

E qual dessas posturas de pai o seu filho vai gostar mais? Daquela que critica ou da que elogia? Com qual desses procedimentos você acha que criará, além de um filho, um amigo?

Temos que entender que não há aquela figura da crítica construtiva. Criticar nunca constrói. O que constrói é uma boa orientação e não a crítica. Crítica é sempre destrutiva. Ninguém gosta de ser criticado.

O ser humano é um animal que gosta mesmo é do elogio, do reconhecimento. Ele sempre espera por uma palavra de incentivo, por menção de honra, por um estímulo sincero, por uma manifestação de confiança, por um dedão levantado indicando “valeu, você acertou, você venceu, você conseguiu”. É disso que todos gostamos.

PENSE NISSO.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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