Ensaio sobre o desapego

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Cada sentimento, sensação ou anormalidade tem data para começar, evoluir e acabar. Desapego vem de transformação pessoal e seus sinônimos são: abnegação, altruísmo, desambição, desinteresse, desprendimento, devotamento e renuncia. Claro que se pensarmos mais um pouco sobre o tema, certamente encontraremos outras palavras que tenham o mesmo efeito, porém o difícil é usar na prática algo tão desprezado no cotidiano.

 

O ato de desapegar exige exercício e estímulo pessoal, porque do contrário excita o ímpeto do egoísmo e abraçamos pra nós, o que não conseguiremos administrar por muito tempo. Exige-se coragem para que o desapego possa fluir. Saiba que provocará alívio imediato e ao mesmo tempo tristeza e quanto mais específico for a ação do desapego, melhor será o resultado.

 

Engana-se sobre o desapego praticado na juventude, àquele que achar que isso é liberdade. O estado de consciência alertado em plena ebulição constrói esse campo. O desapego é fantástico para que paradigmas sejam quebrados e montanhas deslocadas. Muitas vezes achamos que o deixa estar das coisas provocaria o caos, mas isso vem da criação e cultura que recebemos dos mais velhos. É medo, receio do novo, como muitos falam. O medo de não construirmos nada de concreto, de não formarmos uma família como o modelo conduz e as responsabilidades impreterivelmente em dias, nos coloca numa roda de apego que não finda a não ser com a morte, para a maioria.

 

Alguns sábios percebem isso e mesmo construindo famílias maravilhosas, edifícios gigantescos permanecem sendo as mesmas pessoas no íntimo de seus sentimentos. Tenho muito receio de pessoas que querem centralizar informações, que acham que o mundo que as cercam permanecerá intocável. Gente que quer tudo pra si e assim acaba perdendo a graça de viver. Falo isso porque como suscetível mortal que sou também já tive minhas crises de negar o todo em entretenimento próprio. Quantas tolices encontramos quando queremos abraçar o mundo?

 

Sentimento é energia concentrada e precisa ser renovada constantemente. Ninguém ama demais. Ninguém odeia demais. Os que se fixam num único posto acabam sozinhos (de companhia e sentimentos). Certamente estamos sendo educados para o cultivo do eu, mas de forma pessoal, introspectiva. Quebrar essa corrente de descrença no outro é o primeiro passo para se construir o desapego. Entregar mais sorrisos, mais palavras verdadeiras e acima de tudo uma constante consciência de que dando,  receberemos algo em troca. Este é o primeiro passo para um futuro com menos dor e expectativas. E certamente mais tranquilidade em existir.

 

 

 

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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