Esse povo não cansa!

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Incrível como esse povo não cansa de ruminar a longínqua ditadura militar!

Diz-se ruminação, aquela regurgitação quase infinita em que os bovinos mastigam, remastigam, engolem o regurgito, deglutem o que melhor golfam, por acidez, má digestão, primazia de azia, razia tola, utilizada pelos humanos, para relinche e coice de equina inspiração.

Porque só uma inspiração muar, quase asnática e asinina, para requer anteparos de orelha às alimárias necessárias para o progressivo avanço nas grandes viagens da vida.

É difícil prosseguir em novos mares e ares, indiferente a maus olhares e muitas juras de azares, sem essas viseiras muares?

A melhor mira a prosseguir não se faz finita e limitada, quando é desfocada ou retocada olhando o passado no retrovisor?

Mirando ou se admirando no reflexo retrovisor, ninguém tem boa viagem, nem chega a lugar algum. No máximo fica no que foi, e o que foi não é nada, como já dissera o poeta: “Navegar é preciso, viver não é preciso”.

Nas grandes viagens deve-se ter precisão de mirar o infinito, a céu aberto, descortinado, sem pensar no reflexo de caminhos vencidos.

Por outro lado, como dizia a antiga sabedoria: “Ninguém se banha nas mesmas águas”.

E ainda: o que passou, permanece imutável, já remido, tão despido, quão desprovido, de uso útil, por defunto apodrecido, e, gostemos ou não; já fedido.

“Que os mortos chorem seus mortos”, era o sábio conselho de um Deus que sentiu as agruras imperfeitas da humana fragilidade

Por que carpir o passado se este jaz inalterável, em bom lamento ou má louvação?

Não está o presente requerendo o esforço e a pertinácia de todos nós, para a construção da tarefa que é só nossa, exclusiva, enquanto vivos ainda?

É notável ser asnar, muar ou asinino, ser equino no pensar, e bovino no ruminar, o mal pensar deglutido em lamento, regurgitando e golfando para melhor re-engolir e vomitar, tendo a primazia da azia, a serviço da pior primazia?

Por acaso tal ruminação bovídea não se faz equídea por lavagem cerebral?

“Ah!, mas nunca tantos sofreram tanto, aqui e fora daqui, entre tantos assassinados, estuprados, vilipendiados, torturados, todos se confessando reais merecedores de lautas remissões remuneratórias do Estado brasileiro!”

Coitado deste “Estado Brasileiro”, sempre ideal culpado, “viúva”, mal defendida e indefensável, contumaz espoliada, por safados, sempre safados, a vergar a história a seu viés, sua vantagem!

Não vem sendo assim, inclusive transmutando o “H” real da “História”, no “E”, surreal da “Estória” mal contada, mais convincente por melhor ficção e inexatidão, em proxenetismo necessário?

Diz-se proxeneta, daquele agenciador mercantil explorador, cáften, rufião, agenciador de gozos, por lenocínio, hoje démodé, fora de moda.

Hoje tudo isso restou lícito, sobremodo em sexo explícito, por melhor solícito, lúdico e amorável, valendo até a felação benquista, a sodomia melhor consentida, e recomendada.

Não está sendo bem sugerida a descomida por melhor afago e agasalho, ideal permuta de cheiros e fluidos, em tantas lembranças condoídas e queridas, só abominadas quando há tonsuras envolvidas e tão pouco remuneradas?

E haja remunerações requeridas para tantas pagas insaciadas!

Porque nunca se vira uma ditadura tão conduzida por tarados, estupradores e sodomitas, a troco de pouca importância obtida, nunca de todo identificados e apresentados para a execração necessária.

Mas, para que identificar culpados se eles eram tantos, universalmente falando, Brasil afora e a dentro, em excedente consentimento, coragem extravasada sem limites, em notórios azimutes de poltronaria?

Falar de albardas, abastardadas, em montarias cavalgadas, restadas assaz olvidadas por mal relembradas, mas acontecidas, quando nada mais é pior do que dizer daquele que viveu e não esqueceu, fingindo o fato para melhor falsear com dolo o relato por desato.

Ou desacato! Porque é desacato falsear o fato para encenar um enganoso entreato.

Ah, mas que interesse vale o fato real verdadeiro, se em reverbero fátuo, melhor teatro encena o drama em nova e inverossímil versão?

Assim, eis a ditadura militar restada escabrosa e terrível, porque assim desejam historiadores e formadores de opinião.

Cabe, porém, a indolor questão: Onde estavam tantos pusilânimes em escritos apócrifos, rasurados, irreconhecíveis, por volteios equívocos de descaminhos, afinal não eram assim as loas compostas pelas eternas e indormidas mariposas sempre atraídas pela luz e pelos asteroides que gravitam o poder onde ele estiver a atrair?

E porque também neste atrair, não trair também, por sicário e traiçoeiro, se o homem sempre trai, igual à fera que dilacera a mão que a ceva, por ouro e aplauso, qualquer engodo que a remunera e que corrompe, sobretudo?!

Ah!, quantos timoratos mal gratos! Quantos entre todos formadores de opinião redigem contra ou a favor, a quem se lhe revele, melhor pagador?

E aí eu me volto para o debate na Globonews com o candidato Jair Bolsonaro, a besta-fera da vez do noticiário, porque este lembrou, por bestiário, um editorial de autoria do Jornalista Roberto Marinho, datado de 1984, em que este reafirmava em O Globo, a sua participação na “Revolução de 1964, identificada com os anseios nacionais de preservação das instituições democráticas, ameaçadas pela radicalização ideológica, distúrbios sociais greves e corrupção generalizada”.

Citação que suscitou uma resposta inconcebível, espécie de réplica sem tréplica, nem contradita, que rendeu pior emenda, sem dirimir a contenda que melhor restaria, olvidável, despercebida, sem reprimenda.

Inolvidável restou a encomenda mal remendada, porque a Globonews ao fazer ler via gaguejante âncora, de sua melhor nobreza articulista, um texto em contraposição ao relembrado pelo candidato Bolsonaro, explicitou o execrável por nojento, em borrão sujo, por pior rasura, no qual O Globo, em 2013, então em nova direção, capitaneada pelos filhos do Senhor Roberto Marinho, reformava as palavras de seu falecido pai, porque assim lhes era conveniente o tempo e a circunstância.

Realmente, o tempo e a circunstância podem refazer tudo; do apoio ao desapoio, em aboio para melhor conduzir o comboio, que se faz bovino ou muar, na indiferença do pensar em arroios de pior sabença.

E assim eis o apodo tornado engodo, o bom afeto, virado abjeto, e a má querença, sem quebranto nem doença, virando descrença, afinal ao papel cabe tudo, opinando, elogiando ou execrando, o autor podendo ser o mesmo, ou nem tanto, podendo ser um heterônimo, um anônimo, ou um “Ghost Writer” do além, sem necessidade de exibir mesma lucidez ou estilo.

Houve tempo, é comum repetir alguns saudosistas, em que os editoriais, de tão importantes, eram redigidos pelos proprietários dos jornais.

Roberto Marinho, Assis Chateaubriand, Júlio de Mesquita, para falar dos de fora, Orlando Dantas, na Gazeta de Sergipe, se fizeram exemplos notáveis em seus editoriais.

Seus jornais tinham importância politica e muitas vezes lhes traziam mandatos eletivos, o que os levava a compor matérias de sua exclusiva lavratura.

Hoje os jornais pertencem a gente que não redige. São homens de negócio, vitoriosos administrativamente, afinal a imprensa vive de anúncios e assinantes.

O bom Diretor não é aquele que escreve, nem o articulista polêmico.

Nos tempos atuais de muitos pruridos politicamente corretos, há uma periculosidade excessiva com a matéria publicada, porque sempre é possível a vulnerabilidade de um processo judicial, e injustas punições pecuniárias.

À parte isso, pertence aos jornalistas a linha editorial do órgão, e assim é mutável o pensamento do tabloide.

Desta maneira, “O Globo” que apoiou a ditadura de ontem não é “O Globo” que a execra atualmente, nem o será aquele de amanhã, que poderá enaltecê-la, por melhor apreciação histórica, talvez.

Para terminar, citarei um aforismo armênio que encontrei no filme “588, Rue Paradis”, película dirigida por Henri Verneuil, estrelada por Richard Berry (Pierre Zakar), Claudia Cardinale (Mayrig) e Omar Sharif (Hagop Zakarian), datada de 1992, que bem se enquadra ao tema.

O provérbio fala mais ou menos assim: “Viva (ou fale, ou escreva) como se não existisse o amanhã para recolher as palavras de ontem”.

É muito difícil ser coerente por toda a vida.

Vale à pena sê-lo?

Se a alma não for pequena…

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