Ética e liberdade de imprensa

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Olá amigos e amigas, após uma pausa forçada de duas semanas, estou de volta. Neste período andei refletindo sobre a liberdade e a ética na imprensa. Agora que o Sindicato dos Jornalistas começa a promover debates sobre o tema, é mais que oportuno falar um pouco sobre o assunto. Ouço muita gente falar em ética e em liberdade, sem sombra de dúvida, palavras e ações fundamentais na vida de qualquer ser humano. Não é demais lembrar que muitos morreram lutando contra o regime militar para nos assegurar esta tão sonhada ética, sonhada e desejada liberdade.

No entanto, para tristeza de inúmeros brasileiros, nem todos os sobreviventes sabem como usar os princípios éticos e a liberdade conquistada com muito sangue. Sangue, diga-se de passagem, de muitos heróis aos quais hoje se é negado até uma sepultura. É só acompanhar o empurra-empurra sobre a abertura dos arquivos. Bem, mais não é sobre os arquivos da nefasta ditadura militar que me prenderei no artigo de hoje e sim sobre ética e liberdade de imprensa, em especial, aqui em nosso pequenino Sergipe.

Nos períodos ditatoriais os meios de comunicação eram censurados por força das “botinas” e das leis cerceadoras. Hoje se vive liberdade política quase plena, entretanto, os meios de comunicação deixam cada dia mais a desejar. Informações superficiais, informações omitidas, informações parciais (só relatam os interesses dos donos das empresas de comunicação ou de quem as financiam). O jornalismo investigativo de há muito deixou de ocupar as páginas de nossa imprensa escrita, falada e/ou televisada. Tudo feito dentro dos padrões “da empresa”. Ou seja, os interesses políticos (todos os meios de comunicação do estado pertencem a políticos ou a empresários comprometidos com eles).

Será que não existe neste estado um só empresário que queira investir no setor de comunicação para que se possa colocar em prática um jornalismo ético, livre e democrático de verdade? Enquanto isso não acontece seremos obrigados a acompanhar a mesquinharia limitada de nossa imprensa tupiniquim. Minha indignação é tamanha que vou retomar o tradicional chavão usado na época da ditadura: abaixo a censura…. viva a ética e a liberdade de imprensa. Antes se pratica a censura política, hoje se pratica a censura econômica e “empresarial”.

José Araújo é jornalista e correspondente free-lance de O Globo, foi diretor de jornalismo do Jornal da Cidade e do Correio de Sergipe

josearaujo@infonet.com.br  

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.
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