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Acusou as instituições. E agora?

 

O senador Rogério Carvalho precisa explicar, com clareza e responsabilidade, as graves acusações feitas na tribuna do Senado contra membros do Ministério Público Federal, do Ministério Público de Sergipe, do Tribunal de Contas e até de delegacias supostamente usadas para investigações seletivas e fins eleitorais. A imunidade parlamentar protege a palavra, mas não transforma denúncia em fumaça: quem acusa instituições dessa gravidade deve apresentar fatos, nomes, documentos e informar quais providências adotou.

Cabe ao presidente do TCE-SE, aos Ministérios Públicos Federal e Estadual, às autoridades policiais e ao governador Fábio Mitidieri dizer se solicitaram esclarecimentos, abriram alguma apuração ou simplesmente decidiram deixar o assunto passar em branco. A imprensa sergipana também precisa cobrar respostas. Ou o senador revelou práticas gravíssimas que exigem investigação imediata, ou lançou suspeitas sobre instituições inteiras sem oferecer provas à sociedade. Em qualquer hipótese, Sergipe merece saber onde termina a denúncia e onde começa o palanque.

Quadriciclo agora tem freio jurídico. A Resolução nº 1.022 do Contran acabou com a ideia de que quatro rodas pequenas significam liberdade sem documento. Para circular em via pública, tem regra, placa, licenciamento, equipamentos e habilitação B. Quem ignorar a lei pode começar o passeio na praia e terminar tirando fotografia no pátio do Detran.

André nas estradas. André Moura atravessou municípios, entrou em carreatas e apareceu competitivo nas pesquisas. Sua campanha aposta na famosa capilaridade, termo sofisticado para dizer que ele conhece prefeito até onde o Wi-Fi desiste, o GPS pede informação e o galo canta sem cobertura de celular. André já rodou tanto que, se eleição fosse decidida pelo hodômetro, estaria no Senado escolhendo a cadeira e reclamando do ar-condicionado.

Alessandro no laboratório. Alessandro Vieira comemorou os 24,9% obtidos na soma dos dois votos da pesquisa França. A campanha continua com jeitão de laboratório eleitoral: tem gráfico, planilha, projeção, tubo de ensaio e até jaleco imaginário. O cientista mistura discurso, mandato e estatística, sacode tudo e espera a reação do eleitor. Agora falta encontrar o elemento mais instável da tabela periódica da política: uma multidão espontânea que não tenha recebido convite pelo WhatsApp.

André David na dianteira. O delegado André David apareceu com 17,21% e liderou numericamente o primeiro voto na pesquisa França. Depois de passar parte da campanha apagando incêndios políticos, o bombeiro da oposição descobriu que também sabe jogar gasolina na disputa. O número anima, o grupo comemora e o santinho quase ganhou sirene. Só é bom lembrar que pesquisa é fotografia: não entrega diploma, não dá gabinete e ainda pode pegar o candidato piscando.

Rogério pela segunda porta. Rogério Carvalho liderou numericamente o segundo voto da pesquisa França, com 9,31%. É o candidato tentando entrar pela segunda porta enquanto boa parte do eleitor ainda procura a chave da primeira. Rogério tem mandato, estrutura, partido e governo por perto; falta provar que essa locomotiva leva passageiros de verdade, e não apenas vagões oficiais, cargos comissionados e gente acenando da plataforma porque o chefe mandou.

Eduardo de branco. Eduardo Amorim mantém presença no interior e continua apresentando a imagem do médico que entrou na política sem abandonar o estetoscópio. Enquanto os adversários fazem autópsia de pesquisa, Eduardo mede a pressão do eleitor e receita caminhada, conversa e aperto de mão três vezes ao dia. O diagnóstico é simples: há muita candidatura com febre e pouco voto disponível. Resta saber se a receita renderá dois votos para o Senado ou quinze dias de repouso eleitoral.

Rodrigo e o cofre. Rodrigo Valadares continua barulhento nas redes e musculoso na distribuição dos recursos do PL. Enquanto muito candidato procura voto em feira, calçada e enterro, Rodrigo parece ter encontrado primeiro o endereço, o CEP e a senha do fundo eleitoral. A campanha tem dinheiro, internet, confusão e postagem suficiente para iluminar Aracaju num apagão. Agora falta descobrir qual desses itens entra na urna, porque algoritmo ainda não possui título de eleitor.

Edvaldo no silencioso. Edvaldo Nogueira atravessou o período sem provocar grande terremoto eleitoral. Depois de tantos anos administrando Aracaju, talvez tenha resolvido economizar buzina, garganta, gasolina e sola de sapato. Discrição pode ser uma elegância, mas eleição não é biblioteca: quem fala muito baixo termina catalogado na seção “candidato que o eleitor jurava ter desistido”. Para chegar ao Senado, Edvaldo precisará aumentar o volume antes que alguém procure o controle remoto.

Coronel na trincheira. Coronel Rocha continuou em campanha com repercussão e recursos bem menores que os destinados aos colegas mais estrelados do PL. Enquanto alguns receberam um caminhão de dinheiro, ele parece ter ganhado uma bolinha partidária e a recomendação: “Vá brincar no quintal, meu filho”. Só que eleição para o Senado não é campeonato de peteca. Para sobreviver à batalha, o coronel terá de transformar estilingue em artilharia e santinho em míssil eleitoral.

Renatinha, cadê você? Renatinha permaneceu candidata pelo Democracia Cristã, mas quase não apareceu no noticiário. Está tão silenciosa que o eleitor corre o risco de confundi-la com a suplente, a assessora ou uma pessoa que entrou por acaso na fotografia. Numa disputa cheia de delegados, médicos, coronéis e caciques, sua primeira missão nem é pedir voto: é levantar a mão e avisar “presente” antes que encerrem a chamada.

Iran faz pós-graduação. Iran Barbosa ganhou mais notícia pela situação jurídica da Federação PSOL/Rede do que pela própria campanha. O TRE indeferiu o registro coletivo, a federação anunciou recurso e os candidatos continuaram nas ruas. Iran pretendia discutir educação, serviço público e Senado, mas acabou matriculado compulsoriamente num curso intensivo de processo eleitoral. A primeira aula foi “Como continuar pedindo voto enquanto Brasília decide se você pode recebê-lo”.

Manuel e a calculadora. Manuel Marcos chegou ao noticiário nacional por causa dos contratos superiores a R$ 70 milhões firmados pelo governo com a G3, empresa de sua filha. Governo e empresa sustentam a legalidade das contratações, e esse esclarecimento precisa acompanhar qualquer cobrança. O candidato planejava apresentar currículo, propostas e serviços prestados, mas a manchete chegou carregando uma calculadora de oito dígitos. Em campanha, às vezes o santinho vem com QR Code; o dele apareceu com nota fiscal.

Yandra sem freio. Yandra Moura percorreu cinco municípios em um único sábado, atravessando o Sul, o Centro-Sul e a Grande Aracaju. A deputada corre tanto que muito adversário só consegue reconhecê-la pela poeira da carreata e pelo barulho do motor se afastando. Enquanto alguns candidatos ainda escolhem a música do jingle, Yandra já pediu troca de óleo, alinhamento e revisão dos pneus. Se mantiver o ritmo, termina a campanha com mais quilometragem que ônibus interestadual.

João pega a calculadora. João Daniel conquistou 68.969 votos em 2022 e teve a cadeira assegurada pela soma partidária fortalecida pela votação de Eliane Aquino. Agora enfrenta Márcio Macêdo dentro da própria legenda, naquela fraternidade petista em que todos se abraçam, chamam-se de companheiro e mantêm um olho carinhosamente fixado na mesma vaga. A foice virou calculadora, o martelo virou planilha e a luta de classes agora acontece dentro do quociente eleitoral.

Mário entre sirenes. Mário Leony e os demais candidatos federais do PSOL foram atingidos pelo indeferimento do registro da federação e continuam em campanha enquanto aguardam o recurso. Mário saiu de uma polêmica com Rodrigo Valadares e entrou noutra, desta vez com a Justiça Eleitoral. Sua candidatura já vem equipada com sirene, processo, suspense e trilha sonora. Falta apenas uma plataforma de streaming comprar os direitos e anunciar: “Baseada em fatos eleitoralmente confusos”.

Jorginho e a nota fiscal. Jorginho Araújo apareceu no centro da repercussão sobre os contratos da G3, embora a empresa pertença à filha de Manuel Marcos. Ele e todos os citados devem ter espaço para esclarecer relações, fatos e responsabilidades, porque manchete não substitui prova. Mas a política tem dessas: Jorginho queria falar de mandato, obra e eleição; o noticiário chegou à entrevista carregando contrato, calculadora e nota fiscal. A pauta entrou sem bater e ainda sentou na cadeira principal.

Cadê o apoio, Samuel? O futebol feminino de Nossa Senhora do Socorro entrou em campo, mas, segundo o relato de uma das atletas, a Secretaria Municipal deixou o time sem transporte, água e alimentação. A delegação só conseguiu chegar porque Geovani providenciou o deslocamento, enquanto as próprias jogadoras tiraram dinheiro do bolso para representar o município. A atleta também mandou o recado a Shelton: “Em vez de falar do futebol feminino, faça”. E fica a pergunta ao prefeito Samuel Carvalho: Socorro respeita suas atletas apenas no discurso ou pretende apoiá-las também fora da fotografia?

Defensoria renovada. Rodrigo Cavalcante Lima foi eleito novo defensor público geral de Sergipe para o biênio 2026/2028, com 94,9% dos votos, e sucederá José Leó Neto, que encerra o terceiro mandato. Atual subdefensor público geral administrativo, Rodrigo conhece a casa, os corredores e, provavelmente, até a cadeira que range na sala de reunião. Agora assume a missão de defender quem precisa, porque problema o povo já leva de casa e boleto, infelizmente, não aceita sustentação oral. Que venha uma gestão alegre, humana e atuante, fazendo a Justiça chegar antes que o cidadão precise envelhecer na fila para provar que tem pressa.

Samuel bate à porta em família. O prefeito de Socorro, Samuel Carvalho, anda de casa em casa pedindo votos para Alessandro Vieira, cuja primeira suplente é sua mulher, Adriana Carvalho. No roteiro, porém, quase não aparecem Fábio Mitidieri nem Fábio Henrique. A campanha parece ter virado um projeto familiar. Será que houve rompimento ou o voto casado ficou reservado apenas para dentro de casa?

Linda na sala de espera. Linda Brasil foi diretamente atingida pela decisão que indeferiu o registro da Federação PSOL/Rede em Sergipe. Ainda há recurso, mas sua tentativa de reeleição foi encaminhada para aquela sala de espera jurídica onde ninguém sabe se será chamado em cinco minutos ou depois da apuração. Linda continua nas ruas fazendo campanha, enquanto a candidatura permanece na portaria perguntando ao TSE: “Meu nome está na lista ou preciso falar com o responsável?”.

Marcos sem cochilo. Marcos Oliveira intensificou sua presença em Itabaiana, no Agreste e no Sertão depois da volta de Valmir. É uma candidatura proibida de dormir, porque a disputa interna também usa despertador, café forte e fiscal de travesseiro. Quem cochilar perde liderança, município, fotografia e até a cadeira estrategicamente colocada perto do candidato a governador. Na política proporcional, dormir oito horas é praticamente uma declaração de desistência.

 

Garibalde no fogão. Garibalde Mendonça continua cozinhando a candidatura em fogo baixo, conversando, articulando e evitando que a panela transborde antes da hora. É a velha receita política: uma liderança aqui, outra acolá, duas pitadas de promessa e muito cuidado para ninguém perceber o tempero do vizinho. O risco é que eleição não aceita prato servido depois da apuração. Se Garibalde demorar, os adversários comem os votos, raspam a panela e ainda pedem sobremesa.

Kakay perdeu o microfone. Ele passou anos traduzindo cada suspiro do STF, mas agora, com Moraes e Mendonça em guerra, Master no meio e Fachin contando prazo, a voz sumiu. Silêncio de quem comenta até o movimento da toga não parece prudência, parece escolha. Quando o Supremo virou ringue, o comentarista de corredor resolveu assistir da arquibancada.

Cecília cobra a divisão. Cecília Marques apareceu nas discussões sobre a crise do PL, a candidatura de Ricardo Marques e a distribuição dos recursos partidários. O partido parece trabalhar com um modelo curioso de igualdade: algumas campanhas recebem milhões; outras ganham conselho, abraço e uma mensagem de “boa sorte” no grupo. Cecília descobriu que, na política, todos são iguais perante o estatuto, mas alguns chegam ao caixa com cartão ilimitado e outros recebem a senha do atendimento filosófico.

Advogado sem fila no fórum. A OAB e a Anoreg lançaram um guia para mostrar que nem todo problema jurídico precisa ganhar processo, audiência e aniversário no tribunal. A cartilha ensina caminhos pelos cartórios e ainda promete um curso gratuito de 20 horas. É a advocacia extrajudicial provando que dá para resolver a vida antes de o processo criar cabelos brancos.

O exército invisível. Mais de trezentos candidatos disputam vagas proporcionais em Sergipe, mas boa parte ainda não conseguiu produzir uma notícia capaz de escapar do próprio grupo de WhatsApp. Tem santinho, abraço, bandeira, café, foto com criança, beijo em idosa e candidato segurando pastel como se tivesse descoberto a gastronomia popular. Fato político mesmo continua artigo de luxo. É quase tão raro quanto candidato devolvendo sobra de campanha, recusando microfone ou admitindo que a pesquisa ruim está certa.

Brasil dos recordes. Sob Lula, o país coleciona juros sufocantes, impostos pesados e violência crescente contra as mulheres. Com CBS e IBS podendo alcançar 28%, a conta chegará ao empresário, ao trabalhador e ao consumidor. O PT prometeu tirar o Brasil do vermelho, mas parece ter entendido que era para esvaziar o bolso do brasileiro.

O texto acima se trata da opinião do autor e não representa o pensamento do Portal Infonet.

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