GENÉRICOS OU NÃO, EIS A QUESTÃO

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Finalmente estamos vendo a consolidação da presença dos medicamentos genéricos em todas as farmácias, uma antiga luta dos técnicos do Ministério da Saúde, sempre vencida pelo fortíssimo lobby da indústria farmacêutica e pelo desinteresse dos ministros de plantão.

José Serra, um economista que passou pelo Ministério da Saúde com o apoio incondicional do Presidente Fernando Henrique Cardoso, imprimiu à pasta conquistas importantes e entre elas, o Programa dos Genéricos, revolucionando o complexo comércio de medicamentos no Brasil. A ele deve ser dado todo o crédito pela implantação do genérico. Felizmente, o governo Lula deu seqüência ao projeto, sem muita ênfase, é verdade, mas manteve a iniciativa criando um novo viés com a Farmácia Popular, que ainda não provou ser uma ação definitiva e estrategicamente planejada.

Mas o que vem a ser um medicamento genérico, que ainda desperta alguma inquietação no seio da população?

Medicamento genérico é aquele que é apresentado ao consumidor contendo em destaque na embalagem o nome da substância química principal e não o da marca. Vamos dar um exemplo: a substância ácido-acetil-salicílico, indicada para processos febris e dolorosos, pode ser encontrada no mercado com vários nomes diferentes, dependendo do laboratório que o produziu: AAS, Aspirina, Buferin, entre outros, contém na sua fórmula  esta substância. Seus preços também diferem, em decorrência dos custos de produção de cada laboratório.Normalmente os remédios de “marca” são bem mais caros, devido aos investimentos em pesquisas, patentes, publicidade, além de possuir grandes margens de lucratividade. A chegada às prateleiras das farmácias de variados tipos de “genéricos” facilita sobremodo o tratamento da grande maioria dos pacientes, principalmente daqueles que não possuem condições financeiras para aviar receitas de medicamentos de marca.

Uma grande indagação diz respeito à eficácia dos medicamentos genéricos. Podemos hoje assegurar que estes medicamentos, mesmo sendo mais baratos, são altamente seguros e eficazes, graças ao processo de bioequivalência que comprova, através de testes, que o genérico possui o mesmo fármaco, na mesma dosagem e forma farmacêutica em relação ao medicamento de referência, além de cumprir com as mesmas especificações físicas e físico-químicas relativos ao controle de qualidade. Não é sem razão que a Associação Médica Brasileira e o Conselho Federal de Medicina estão apoiando o processo de consolidação dos remédios genéricos, recomendando a sua prescrição pela classe médica.  Prova disso é que as duas entidades, em parceria com o Ministério da Saúde, enviaram aos médicos de todo o país um guia contendo todos os medicamentos genéricos disponíveis nas farmácias. O compromisso da categoria médica nesse processo é de extrema importância para o êxito do programa.

Uma outra dúvida do consumidor é sobre o medicamento similar. Este deve ser evitado. O medicamento similar contém no seu rótulo o nome da substância, mas não pode ser considerado genérico uma vez que não foi submetido aos rigorosos testes de bioequivalência. Esses medicamentos deverão ser  retirados do mercado gradativamente. Para identificar um medicamento genérico é só atentar para a embalagem que vem obrigatoriamente com uma tarja amarela contendo um grande “G”.

Quando for ao seu médico, solicite o genérico: é mais barato e seguro.  Somente a união de todos, médicos e pacientes, poderá preservar essa conquista histórica da assistência à saúde no Brasil, ou seja, possuir remédios de qualidade e acessíveis a um grande contingente de brasileiros.

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